Mato Grosso
ENERGISA NA MIRA DE TRÊS ESTADOS
Mato Grosso
Da Redação
CPI DA ENERGISA
Após um forte apelo popular, finalmente a Energisa, concessionária que administra a distribuição de energia em Mato Grosso, será investigada em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).
A CPI foi aberta após uma petição que reuniu milhares de assinaturas de usuários insatisfeitos com os trabalhos prestados pela empresa, a principal reclamação dos insatisfeitos, é justamente o aumento repentino e injustificado nas contas, que gerou uma gigantesca revolta entre a população.
Os parlamentares de Mato Grosso, rapidamente acataram a vontade popular e através do deputado estadual Elizeu Nascimento (DC) conseguiram coletar 18 assinaturas de parlamentares, permitindo assim que fosse dado início a investigação.
De acordo com o deputado, o requerimento que resultou na CPI tem como objetivo “investigar com profundidade possíveis irregularidades da empresa Concessionária de Energia Elétrica de Mato Grosso Energisa S/A quanto ao aumento abusivo nas contas de energia elétrica nos municípios do estado, bem como enxugamento nos quadros de funcionários e a má prestação dos serviços concessionados”.
Já o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado estadual Eduardo Botelho (DEM) em tempo recorde autorizou a abertura da CPI. A primeira audiência pública foi realizada no ultimo dia 15 de outubro e contou com a presença do diretor-presidente da Energisa, em Mato Grosso, Riberto José Barbaneira.
Na ocasião, o diretor-presidente da empresa deu declarações que irritaram ainda mais os ânimos dos defensores da CPI. Em uma entrevista, Riberto afirmou que estava surpreso com a instauração da comissão, disse que a empresa não vem praticando cobranças abusivas e que não é papel do legislativo estadual investigar a empresa, já que a mesma possui uma concessão federal.
Após as declarações de Riberto, Eduardo Botelho rebateu a fala de forma incisiva, também em entrevista, Botelho disse que o diretor não deveria ficar surpreso com a CPI, mas sim com a desatenção as reclamações generalizadas que a concessionária vem sofrendo por parte dos consumidores que estão insatisfeitos com os serviços oferecidos, disse ainda que Riberto deveria respeitar o parlamento e a população mato-grossense.
No momento de sua fala na abertura da audiência pública, Eduardo Botelho afirmou que será dada a oportunidade para a empresa se retratar e provar que não está realizando cobranças abusivas, disse ainda que a empresa precisa entender que o trabalho precisa passar por uma mudança, já que são várias as reclamações dos usuários, além disso, Botelho classificou o que a empresa vem fazendo no estado como “um verdadeiro descaso com o consumidor de um modo geral”. O presidente da ALMT afirmou ainda que o legislativo irá levar a situação para a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), na qual já se mostrou disposta a participar da CPI.
Ainda em entrevista, o diretor-presidente da Energisa, afirmou que a CPI desgasta a imagem da empresa, porém reconheceu que será uma grande oportunidade para a empresa esclarecer a sociedade sobre o trabalho que a Energisa vem oferecendo, disse também, que a complexibilidade no setor energético faz com que a desinformação se espalhe pela sociedade impossibilitando assim que a questão tenha entendimento, admitiu ainda que a empresa na qual representa pode ter falhado no esclarecimento dos fatos a sociedade e também aos parlamentares.
Além disso, mais uma vez, o forte calor foi colocado como argumento pelo aumento das contas de energia elétrica, reclamou ainda da rapidez na qual foi instaurada a CPI, segundo Riberto, a empresa não teve tempo hábil para se posicionar sobre o assunto.
No momento que iria subir na tribuna para falar na audiência pública, a plateia começou a vaiar de maneira que o fez abandonar a audiência sem nem mesmo falar, ou dar explicações sobre os aumentos abusivos da Energisa.
A CPI é a única forma de apresentar uma resposta ao clamor popular que a cada dia se mostra mais insatisfeito com a empresa, a petição realizada foi fundamental para legitimar a abertura da comissão.
O Regimento do Legislativo determina que a CPI deve ser presidida pelo parlamentar que fez o pedido, por este motivo, Elizeu Nascimento será o presidente da comissão. Os demais membros da CPI devem ser anunciados nas próximas semanas e assim dar o pontapé inicial nas investigações.
ENERGISA NA MIRA DE TRÊS ESTADOS
Mato Grosso não é o único Estado que instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar práticas abusivas e má prestação de serviço da empresa Energisa.
Estados como o Acre (AC) e Rondônia (RO) já deram início as investigações após reclamações generalizadas de consumidores que se sentiram lesados pela concessionária.
No AC por exemplo, a CPI deu inicio ainda no mês de abril de 2019, mesmo após uma tentativa de suspensão da CPI, no dia 16 de abril, a CPI foi protocolada na Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), no Estado, treze deputados assinaram em favor da instauração da comissão. De acordo com informações, na época, deputados ligados ao governo tentaram suspender a comissão, ouve muita confusão e bate-boca, porém mesmo assim foi dada continuidade.
Seguindo o exemplo do AC, o Estado de RO também deu início a uma CPI para investigar basicamente as mesmas acusações, no último dia 11 de outubro, os parlamentares rondonienses que compõem a comissão, fizeram uma visita ao parlamento acreano para compartilhar informações sobre as investigações.
As duas CPIs, tanto no AC, quanto em RO, já começaram a detectar irregularidades na prestação de serviços e também na cobrança pelos serviços, de acordo com o relator da CPI no AC, deputado estadual Cadmiel Bonfim (PSDB), foram descobertas irregularidades nas leituras por média, de acordo com o relator, a empresa cobrava perdas de forma aleatória de absolutamente toda a população.
A Energisa possui distribuidoras em sete Estados, nos quais na grande maioria a empresa enfrenta reclamações do mesmo cunho daquelas que geraram as CPIs em RO, AC e agora no MT.
Mato Grosso
Júri condena mercenários a mais de 71 anos de prisão
Os réus Claudiomar Garcia de Carvalho e Jefferson Fátimo da Silva, apontados pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) como integrantes de um grupo de extermínio que atuava mediante ações de mercenários na região metropolitana de Cuiabá, foram condenados, na última quinta-feira (8), pelo Tribunal do Júri a penas que somam 71 anos e 9 meses de reclusão em regime fechado.
Claudiomar Garcia de Carvalho recebeu pena de 38 anos e 6 meses de prisão, enquanto Jefferson Fátimo da Silva foi condenado a 33 anos e 3 meses. A acusação em plenário foi sustentada pelo promotor de Justiça Vinícius Gahyva Martins.
Os dois réus foram condenados pela participação no homicídio qualificado de Fábio José Brandão da Silva e por duas tentativas de homicídio qualificadas contra Edivaldo Henrique Pereira Mendes e Wanderson Diego Pereira Laranja.
Os jurados reconheceram as qualificadoras de motivo torpe e recurso que dificultou a defesa das vítimas, além da causa de aumento de pena decorrente da atuação em grupo de extermínio.
Conforme a denúncia do MPMT, os crimes ocorreram na madrugada de 8 de outubro de 2015, em frente ao ponto “Moto Táxi Cohab Cristo Rei”, no bairro Cristo Rei, em Várzea Grande. As vítimas estavam reunidas quando foram surpreendidas por disparos efetuados a partir de uma ação planejada por integrantes da organização criminosa.
Fábio José Brandão da Silva morreu no local. Já Edivaldo Henrique Pereira Mendes foi atingido por um disparo nas costas e sobreviveu após atendimento médico, enquanto Wanderson Diego Pereira Laranja conseguiu fugir sem ser baleado.
De acordo com as investigações, Jefferson Fátimo da Silva forneceu o veículo utilizado pelos executores para chegar ao local do crime, enquanto Claudiomar Garcia de Carvalho foi responsável por disponibilizar a pistola utilizada nos homicídios.
O Ministério Público demonstrou que ambos integravam uma estrutura criminosa voltada à execução de pessoas consideradas, pelos próprios integrantes do grupo, como envolvidas com atividades ilícitas. A organização agia à margem da lei, promovendo uma espécie de “tribunal do crime” e executando suas vítimas em ações características de grupo de extermínio.
Segundo a denúncia, os crimes tiveram como motivação um suposto sentimento de vingança e o propósito de realizar uma “limpeza social”, circunstância reconhecida pelos jurados ao acolherem a qualificadora de motivo torpe. Também ficou comprovado que o ataque foi realizado de forma repentina, dificultando qualquer possibilidade de defesa das vítimas.
A sentença foi proferida pelo juiz-presidente do Tribunal do Júri, Marcos Faleiros da Silva, em conformidade com o veredicto do Conselho de Sentença.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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