Mato Grosso
Cuiabá: Tribunal de Contas julga improcedente representação contra a Secretaria de Educação
Mato Grosso
A licitação, na modalidade pregão eletrônico, visava contratação de empresa para desenvolvimento e manutenção de sistemas de tecnologia da informação
Da Redação
O Tribunal de Contas do Estado julgou improcedente, por unanimidade, a representação de natureza interna com pedido de medida cautelar proposta pela Secretaria de Controle Externo de Contratações Públicas do órgão, em razão de supostas irregularidades no Edital e no Termo de Referência do Pregão Eletrônico nº 22/2020, da Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá, por meio do Fundo Único Municipal de Educação. A representação teve como relator o conselheiro Valter Albano. O julgamento foi realizado na manhã de quinta-feira (20).
A licitação, na modalidade pregão eletrônico, realizada na gestão do ex-secretário municipal de Educação, Alex Vieira Passos, previa a futura e eventual contratação de empresa para prestação de serviços de desenvolvimento e manutenção de sistemas de tecnologia da informação (engenharia de software, gerencia de processos e projetos, infraestrutura, telecomunicações), no valor estimado de R$ 22.481.039,61.
Entre as supostas irregularidades apontadas estavam a não realização da pesquisa de preços, a não disponibilização do Edital no Portal Transparência da Prefeitura de Cuiabá, a existência de cláusula restritiva referente à apresentação de certificação não usualmente solicitada pelo Fundo Municipal, fato que poderia provocar a redução da competitividade do certame. E, por fim, ausência de apresentação dos estudos técnicos preliminares.
Após notificação, os representantes da Secretaria Municipal de Educação encaminharam as informações solicitadas, bem como cópia do Processo Administrativo nº 138.630/2019, no qual foi constatado que o certame encontrava-se na fase de análise de documentação e já constava no Portal Transparência da Prefeitura de Cuiabá, onde se encontravam disponíveis as informações no Sistema APLIC.
A equipe técnica da SECEX de Contratações Públicas ao analisar as informações prestadas por parte dos Representados (Doc. Digital 178930/2020), apontou que apesar de terem sido trazidos aos autos, documentos solicitados foram evidenciados fatos novos capazes de fundamentar a reiteração do pedido de concessão de medida cautelar.
Segundo a Secretaria de Controle Externo, as análises técnicas destinadas a fundamentar a viabilidade técnica da contratação e o plano de trabalho para sua execução, haviam sido realizadas pela empresa LOG LAB Inteligência Digital, que, mesmo com a vedação do art. 9º, inciso II, da Lei 8666/93, participou do Pregão Eletrônico nº 22/2020, da Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá, e ainda sagrou-se vencedora deste.
Diante do fato novo, a SECEX pugnou pela expedição de medida cautelar para determinar a imediata suspensão do Contrato 259/2020 e de adesões à Ata de Registro de Preços 24/2020, citando novamente os responsáveis para o exercício do contraditório e ampla defesa.
Devidamente notificados, os Representados informaram que a empresa vencedora não incorreu na vedação prevista na Lei de Licitações tendo em vista a publicação da Prefeitura Municipal de Cuiabá no Diário Oficial de Contas nº 1946 de 6 de julho de 2020, às fls. 60, tornou sem efeito o extrato do contrato 259/2020, oriundo do Pregão Eletrônico/SRP n° 022/2020, Processo Administrativo n° 21.648/2020, firmado entre o Município de Cuiabá, Secretaria Municipal de Educação, e a LOG LAB Inteligência Digital Ltda. Além do que , o objeto licitado nos certames são diferentes.
O cancelamento do Contrato nº 259/2020, oriundo do Pregão Eletrônico SRP 022/2020, se deu em razão da reanálise orçamentária realizada com base no Decreto Municipal 7.900 de 09/05/2020, que estabeleceu medidas administrativas para a otimização dos recursos públicos no âmbito do Poder Executivo Municipal, face aos impactos financeiros decorrentes do enfrentamento à pandemia causada pela Covid-19.
Mato Grosso
TJ anula votação secreta e manda AL reanalisar veto a reajuste de 6,8%
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) anulou a votação secreta realizada pela Assembleia Legislativa (ALMT) que manteve o veto do Governo do Estado ao projeto que prevê reajuste salarial de 6,8% para os servidores do Poder Judiciário. Com a decisão, os deputados terão de analisar novamente o veto, desta vez em uma votação aberta e nominal.
A decisão foi tomada pela Turma de Câmaras Cíveis Reunidas de Direito Público e Coletivo do TJMT após recurso apresentado pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat), que questionou a validade da votação realizada em dezembro de 2025.
O relator do processo, desembargador Márcio Vidal, destacou que o próprio Judiciário já havia reconhecido a inconstitucionalidade de dispositivos que permitiam o sigilo na apreciação de vetos. Para ele, não seria coerente manter uma votação baseada justamente em uma regra considerada inconstitucional.
“Não seria juridicamente coerente declarar inconstitucional a norma que autorizou o sigilo e, simultaneamente, preservar a votação realizada com fundamento direto nessa mesma disposição”, afirmou o magistrado.
A decisão, entretanto, não determina que o reajuste seja aprovado. O TJMT deixou claro que cabe à Assembleia decidir novamente se mantém ou derruba o veto do Executivo, apenas exigindo que o procedimento siga as regras constitucionais.
“Preserva-se a liberdade política da Assembleia Legislativa para deliberar acerca da manutenção ou da rejeição do veto governamental, sem que o Poder Judiciário interfira no conteúdo da decisão parlamentar”, destacou Vidal.
Na votação anulada, realizada em dezembro do ano passado, 12 deputados votaram pela manutenção do veto e 10 pela derrubada. Como a sessão ocorreu de forma secreta, não foi possível identificar como cada parlamentar se posicionou. Para derrubar o veto, eram necessários 13 votos.
O projeto havia sido aprovado anteriormente pela Assembleia e previa reajuste de 6,8% para os servidores do Judiciário. O então governador Mauro Mendes vetou integralmente a proposta, alegando que o aumento poderia provocar impacto nas contas públicas e gerar um efeito cascata sobre outras carreiras do funcionalismo.
Com a decisão do TJMT, a Assembleia deverá incluir novamente o veto na pauta e realizar uma votação pública, com registro nominal dos votos. O julgamento, portanto, não garante o reajuste aos servidores, mas reabre a discussão sobre a proposta e elimina o sigilo que marcou a primeira análise do veto.
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