Esporte
Brasil joga por classificação às oitavas da Copa do Mundo Feminina
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Com Marta, seleção brasileira encara a Itália, nesta terça-feira e pode avançar até com uma derrota
Da Redação
Com Marta, mas sem Formiga, o Brasil joga pela classificação na Copa do Mundo feminina de futebol. A equipe enfrenta nesta terça-feira, às 16h (de Brasília), em Valenciennes, a Itália, líder do Grupo C, e pode avançar até mesmo com uma derrota, dependendo da combinação de resultados nos outros grupos.
No mesmo horário da partida do Brasil, a Austrália encara a Jamaica, lanterna da chave, e deve confirmar sua classificação. Assim, a seleção de Vadão pode ser primeira do grupo se vencer a Itália por dois ou mais gols de diferença e se as australianas não golearem suas adversárias. Vitória ou empate da seleção brasileira garante a vaga sem necessitar fazer contas. Uma nova derrota, no entanto, levará a classificação para o saldo de gols.
Se por um lado Formiga não pode ajudar – ela foi submetida a exame de imagem e nada significativo foi constatado no tornozelo esquerdo, mas ela também está suspensa –, por outro Marta está empolgada. “Estou bem agora. Quando você fica sem treinamento intensivo, sente mais. Mas acho que vocês puderam ver a minha vontade, a minha garra e meu desempenho. E tenham certeza de que, independentemente de ter perdido alguns treinos, estou procurando sempre estar bem fisicamente”, afirmou a camisa 10.
Apesar da empolgação, Marta não garantiu que permanecerá em campo o jogo inteiro. Tudo vai depender de sua condição física, já que ela vem de lesão nas últimas semanas, ou de como estará a partida. Contra a Austrália, na quinta-feira, Marta atuou apenas 45 minutos. “Estou pronta para jogar. Quanto tempo, a gente vai ter de sentir no decorrer de tudo isso. A vontade é de estar dentro do jogo e ajudar o máximo possível e ver quantos minutos dá para jogar”, disse Marta.
O técnico Vadão concordou com sua melhor jogadora. “Obviamente ela sai jogando. O tempo em campo vai depender da intensidade dela, não dá para prever. Esperamos que ela possa jogar um pouco mais que os 45 minutos do seu primeiro jogo. No intervalo, vamos conversar para saber como ela está. Não vamos fazer nenhum tipo de loucura”, avisou o treinador.
Para o lugar de Formiga, Vadão confirmou a meia Andressinha. Assim, Thaisa jogará como volante, dando mais liberdade para sua companheira atuar ao lado de Marta e Andressa Alves. “A Formiga é insubstituível. A gente perde sem ela, mas ao mesmo tempo damos oportunidade para atletas que estão com sangue nos olhos. Estou confiante de que vamos dar conta e conseguir a nossa classificação”, comentou Marta.
Fonte: O Estado de S.Paulo / https://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol,brasil-joga-por-classificacao-as-oitavas-da-copa-do-mundo-feminina,70002877882
Foto: CBF/Divulgação
Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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