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Endometriose: até quando vamos achar normal sentir dor?

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Durante muito tempo, nós mulheres ouvimos que sentir muita cólica era normal. Que algumas tinham mais dor do que outras e que bastava tomar um remédio e esperar passar. Mas será que precisa ser assim?

A endometriose é uma doença crônica que pode provocar dores fortes, principalmente durante a menstruação, além de dor durante a relação sexual, alterações intestinais e urinárias e, em alguns casos, dificuldades para engravidar. O problema é que muitas mulheres passam anos convivendo com esses sintomas até descobrir o que realmente está acontecendo.

Segundo o Ministério da Saúde, a endometriose pode atingir entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva. Mais preocupante ainda é o tempo que muitas pacientes levam para receber o diagnóstico: a média pode chegar a sete anos entre o início dos sintomas e a confirmação da doença.

Para mim, esse número mostra o quanto ainda precisamos falar sobre o assunto. Porque uma coisa é sentir um desconforto que passa e não interfere na rotina. Outra é ter uma dor que faz a mulher faltar ao trabalho, deixar de sair, evitar uma relação sexual ou simplesmente passar os dias esperando a menstruação terminar.

Depois do diagnóstico, o cuidado também precisa olhar para além da própria doença. A endometriose pode estar acompanhada de alterações musculares e funcionais na região pélvica, que também precisam ser avaliadas. É nesse momento que a fisioterapia pélvica pode fazer parte do tratamento.

Na fisioterapia, avaliamos como essa mulher está se movimentando, como está a musculatura do assoalho pélvico, onde existe tensão, quais movimentos provocam desconforto e de que maneira esses sintomas estão interferindo na rotina. A partir dessa avaliação, podemos trabalhar estratégias individualizadas para melhorar a função, diminuir desconfortos e contribuir para uma melhor qualidade de vida.

É importante deixar claro que a fisioterapia pélvica não cura a endometriose e não substitui o acompanhamento médico. Ela pode fazer parte de um tratamento multidisciplinar, atuando principalmente nas alterações musculares e funcionais relacionadas à dor. E existe um assunto que muitas vezes fica escondido: a vida sexual.

A dor durante a relação pode acontecer em mulheres com endometriose e, com o tempo, pode fazer com que elas passem a evitar a intimidade por medo de sentir dor novamente. Isso pode afetar a autoestima, os relacionamentos e a própria percepção que a mulher tem sobre o seu corpo.  Não devemos tratar isso como algo que ela simplesmente precisa aceitar.

Setembro também nos convida a falar sobre saúde sexual. No dia 4, foi celebrado o Dia Mundial da Saúde Sexual, uma data que reforça que sexualidade, bem-estar e qualidade de vida também fazem parte do cuidado com a saúde.

Na Uropelv, vejo de perto como muitas mulheres chegam procurando ajuda depois de muito tempo convivendo com algum tipo de desconforto. E, muitas vezes, uma das primeiras coisas que elas precisam ouvir é que aquilo que estão sentindo merece atenção.

Não existe exagero em procurar ajuda quando a dor começa a atrapalhar a vida. Se a cólica é tão forte que impede suas atividades, se existe dor durante a relação, desconforto pélvico frequente ou se você percebe que sua rotina está sendo limitada por esses sintomas, converse com um profissional de saúde e busque uma avaliação.

Não precisamos aprender a conviver com a dor.

Como fisioterapeuta, acredito que cuidar da saúde pélvica também é devolver à mulher a possibilidade de viver sua rotina com mais conforto, segurança e qualidade de vida.

Contem comigo!

* Karla Mercedes é fisioterapeuta em saúde pélvica e proprietária da Uropelv, clínica especializada em saúde uropélvica, nutrição e pilates, localizada em Cuiabá.



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Da crítica à proposta: o papel das entidades de classe no período eleitoral

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Todo ciclo eleitoral reacende o mesmo hábito entre eleitores e muitas entidades de classe, sindicatos, conselhos profissionais e associações setoriais: reclamar dos candidatos, apontar promessas vazias, criticar a falta de compromisso com a categoria. É um reflexo compreensível, mas, sozinho, pouco eficaz. Criticar sem propor é abrir mão do único momento em que o poder de barganha da categoria está, de fato, em alta.

A CDL Cuiabá, desde a eleição para prefeito em 2024, adotou postura diferente, quando, junto com seus associados, apresentou aos candidatos 32 propostas de ações importantes para o setor do comércio, varejo e serviços de Cuiabá. À época, todos os candidatos aderiram, e o candidato eleito ratificou as propostas após a eleição.

Para as eleições majoritárias que se avizinham, a CDL Cuiabá, ciente da importância de participar e acompanhar de forma mais próxima a atividade política em Cuiabá e no Estado de Mato Grosso, promoveu um evento denominado “Diálogo com os Candidatos”, que ocorreu nos dias 14, 15 e 16 de setembro, e foi construído em parceria com entidades coirmãs: Abrasel, Sindipetroleo, Fenabrave e Sincodiv-MT.

Cada uma das entidades apresentou aos candidatos a Governo do Estado e Senado Federal, propostas que atendem a demandas dos respectivos setores, mas também que possam contribuir para o desenvolvimento da cidade, do estado e com a melhoria da qualidade de vida daqueles que são seus clientes e consumidores.

Durante a campanha, candidatos precisam de apoio, de capilaridade, de legitimidade junto a públicos organizados. É justamente nesse momento, e não depois, quando já estão no mandato, que as entidades de classe têm mais capacidade de influência. Ignorar essa janela e se limitar a criticar publicamente é desperdiçar a fase em que o interlocutor está mais disposto a ouvir e a assumir compromissos.

Reivindicar é dizer o que está errado. Pautar é ir além: significa transformar as demandas da categoria em propostas objetivas, viáveis e mensuráveis, e apresentá-las formalmente aos candidatos, ouvindo e sendo ouvido.

As propostas foram discutidas e entregues aos candidatos, que assinaram um compromisso de buscar ao atendimento das pautas apresentadas, e por outro lado, as entidades se comprometendo a contribuir para a efetivação dessas propostas.

Houve ainda um compromisso mútuo de acompanhamento pós-eleitoral. De pouco adianta uma pauta bem elaborada se, empossado o eleito, a entidade volta ao silêncio até a próxima eleição. O acompanhamento sistemático, reuniões periódicas, relatórios de execução, cobrança formal de itens não cumpridos, é o que transforma uma promessa de campanha em política pública efetiva.

Entidades de classe que apenas criticam se colocam na posição de espectadoras de um jogo que poderiam ajudar a definir. Pautar, apresentar e acompanhar é assumir um papel propositivo: sair da reação para a construção. É esse deslocamento, de reclamar para negociar e de negociar para fiscalizar, que dá às categorias organizadas peso real na formulação das políticas que afetam diretamente seus interesses.

*Karoline Lima é advogada, mestre em Economia e Política Pública e Relações Institucionais e Governamentais da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas

*Fabiola Sampaio é advogada, mestre em direito e Relações Institucionais e Governamentais da CDL Cuiabá

 



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