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Após um mês, São Paulo ‘rompe’ com a passagem de Ceni como técnico

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Demissão do técnico marcou o início de várias mudanças no clube

Da Redação

 

Menos de um mês depois de demitir o técnico Rogério Ceni, a diretoria do São Paulo modificou hábitos e determinações do ex-treinador no CT da Barra Funda e demitiu pessoas ligadas ao ídolo. 

A mudança mais flagrante para os torcedores é a presença dos familiares dos atletas no CT da Barra Funda durante o período de treinamentos. A prática não era bem vista pelo ex-treinador, que chegou a repreender publicamente o meia Cícero durante o treino por ter levado seu filho para o CT. O ex-treinador não queria que os jogadores perdessem o foco nos treinos, principalmente com a sequência de resultados ruins no início do Brasileirão. 

Após a saída de Ceni, os filhos de Jucilei – os pequenos Kauan, de seis anos, e Roberth, de quatro – visitaram vários treinos por causa das férias escolares. O mesmo aconteceu com os filhos de Lugano e Marcinho. O técnico Dorival Junior é favorável às visitas. “A molecada está de férias e não quer ficar em casa. É uma alegria quando eles estão aqui. É importante ter esse incentivo da família”, afirmou o volante, citando a luta da equipe contra o rebaixamento. 

Jogadores ouvidos pelo Estado afirmaram que o clima ficou “mais leve” com a saída do ex-treinador, embora o time ainda não tenha saído da zona de rebaixamento. Na semana que antecedeu o jogo com o Flamengo, que acabou definindo a demissão do ídolo do cargo de técnico, os atletas relatam que os treinos eram tensos e carregados de reclamações. 

O relacionamento de Ceni com os jogadores se tornou mais difícil depois de dois episódios: o lance de fair play de Rodrigo Caio nas semifinais do Campeonato Paulista, criticado pelo treinador internamente, e o afastamento de Lucão após uma falha na partida diante do Atlético Mineiro. 

Um dia após a saída de Ceni, o departamento de futebol continuou em transformação com as saídas do preparador físico José Mario Campeiz e do preparador de goleiros Haroldo Lamounier. À época, a diretoria explicou que as mudanças não haviam sido pedidas pelo novo treinador. 

Lamounier trabalhou com Ceni por 13 anos. Em 2016, quando o ídolo encerrou a carreira como jogador, o preparador foi mandado para as categorias de base. Ele só voltou ao time principal quando Ceni assumiu o cargo de treinador. 

Após a demissão de Lamounier, o São Paulo ficou dois dias com Octávio Bittencourt fazendo o trabalho interinamente. Ele foi formado nas categorias de base e integrado à comissão técnica do time principal em janeiro. O novo preparador escolhido foi Marco Antônio Trocourt, indicado pelo técnico Dorival Júnior. 

Nas últimas semanas, o clube cortou profissionais de diversas áreas, principalmente que atuam no Morumbi, incluindo no departamento de comunicação. Alguns tinham ligação estreita com o ex-treinador. 

Fontes ligadas à diretoria consideram “normais” as mudanças após a troca na comissão técnica. Em relação às demissões, afirmam que elas tiveram motivações econômicas e com a otimização do trabalho e que seriam realizadas independentemente da saída de Ceni.

 

 

 

 

 

 

Fonte: O Estado de S.Paulo

 

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Quando perder músculo também ameaça o cérebro

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Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.

Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.

Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.

Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.

O que a ciência mostra :

 

Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.

Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.

Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.

Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.

Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?

 

Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.

Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.

O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.

Por que o músculo influencia a saúde cerebral?

A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.

A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.

Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.

Como enfrentar cientificamente esse problema ?

 

O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.

O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.

A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.

Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.

Envelhecer bem ,exige preservar força

A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.

Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.

Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.

 

Saúde não é sorte. É rotina.

Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308
Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.

Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.



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