Economia
Trump impõe tarifa de 10% sobre US$ 200 bi em exportações da China
Economia
EUA ampliam disputa com país asiático e já antecipam que se rival retaliar medidas, vão impor novas taxas; ao contrário da outra fase de taxações, essa mira bens de consumo, como produtos eletrônicos, ferramentas e utilidades domésticas
Da Redação
O presidente Donald Trump cumpriu as ameaças e anunciou, nesta segunda-feira, 17, que vai impor tarifas de 10% sobre US$ 200 bilhões em importações chinesas, a partir do dia 24.
Essas tarifas aumentarão para 25% no início de 2019. Essa nova rodada se soma aos US$ 50 bilhões que já haviam sido taxados no início do ano, o que significa que os EUA vão cobrar tarifas de quase metade de tudo o que compram da China.
O comunicado do presidente americano afirma que “se a China tomar medidas de retaliação contra nossos agricultores ou outras indústrias, imediatamente buscaremos a fase três, que são tarifas adicionais sobre aproximadamente US$ 267 bilhões de importações”.
Segundo Trump, a China está envolvida em inúmeras políticas e práticas injustas relacionadas à tecnologia e à propriedade intelectual dos EUA, como forçar as empresas americanas a transferir tecnologia para companhias chinesas.
A decisão de Trump representa uma escalada significativa na disputa comercial entre os dois países – aparentemente sem um fim à vista. Foram meses de negociações fracassadas entre altos funcionários da China e dos Estados Unidos.
O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, convidou na semana passada representantes chineses para novas negociações, mas até agora nada foi marcado.
Essa nova rodada de tarifas atinge em cheio consumidores e empresas americanas. Na primeira rodada, de US$ 50 bilhões, as taxas foram aplicadas apenas a produtos industriais e agora se estendem para bens de consumo, podendo elevar preços de produtos eletrônicos, alimentos, ferramentas e utilidades domésticas, pouco antes da temporada de compras natalinas. Cerca de R$ 23 bilhões em dispositivos conectados à internet serão sobretaxados.
Mas a pressão de companhias americanas, levou o governo a excluir uma série de produtos da lista, como relógios inteligentes da Apple. Também foram poupados das tarifas os insumos chineses para os produtos químicos produzidos nos EUA usados na manufatura e têxteis.
Os ajustes fizeram pouco para apaziguar os grupos de tecnologia e varejo que argumentavam que as tarifas afetariam duramente os consumidores. “A decisão do presidente Trump de impor mais US$ 200 bilhões é imprudente e causará danos duradouros às comunidades em todo o país”, disse Dean Garfield, presidente da associação que representa as principais empresas de tecnologia.
As bolsas de Nova York ampliaram as perdas ontem imediatamente depois que Donald Trump disse que faria um anúncio sobre o comércio com a China após o fechamento dos mercados. Pela manhã, o presidente americano escreveu em seu Twitter que “se países não fizerem acordos justos conosco, eles serão tarifados”.
“Isso tem gerado preocupação para as pessoas porque é algo que tende a pesar na economia”, disse Brent Schutte, estrategista-chefe de investimentos da Northwestern Mutual Wealth Management antes do anúncio da Casa Branca. O índice Dow Jones fechou em queda de 0,35%, o Nasdaq caiu 1,43% e o S&P 500 teve baixa de 0,56%.
A intensificação da guerra comercial é uma preocupação para os investidores. Recentemente, Maurice Obstfeld, economista chefe do FMI, afirmou que “o risco de que as tensões comerciais se intensifiquem (…) é, a curto prazo, a maior ameaça ao crescimento mundial”, Essa preocupação é compartilhada pelo Federal Reserve dos Estados Unidos, o banco central da maior economia do planeta.
Fonte: O Estado de S.Paulo / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS
Foto: Brian Snyder/Reuters
Economia
Sindicatos realizam ato pelo direito ao descanso e fim da escala 6×1
Trabalhadores, aposentados, estudantes e ativistas foram às ruas em diversas cidades brasileiras nesta sexta-feira, 1º de maio, feriado que celebra o Dia Internacional do Trabalhador. 

Na pauta de reivindicações, as principais bandeiras eram o fim da escala de seis dias de trabalho e um de descanso (escala 6×1), sem redução salarial. Em Brasília, a manifestação foi no Eixão do Lazer, na Asa Sul.
A empregada doméstica Cleide Gomes, de 59 anos, foi ao ato com o neto, de 5 anos, a nora e a mãe, de 80, para cobrarem direitos trabalhistas.
Cleide, que atualmente trabalha com carteira assinada, recorda da época em que foi feirante autônoma e auxiliar de serviços gerais, sem carteira de trabalho. Ela chama a atenção para as ilegalidades cometidas contra suas colegas de profissão.
“Conheço pessoas que, agora, estão no trabalho, pois o patrão fala que hoje não é feriado, mas ponto facultativo. As coitadas não vão receber hora extra porque não sabem de seus direitos.”
O ato unificado 1º de Maio da Classe Trabalhadora foi organizado por setes centrais sindicais do Distrito Federal, com atrações culturais e discursos.
O movimento argumenta que a redução da jornada, ao contrário do que dizem empresas, não prejudica a economia e aumenta a produtividade, sendo uma questão de justiça social e um direito dos trabalhadores.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores no Distrito Federal (CUT-DF), Rodrigo Rodrigues, cita exemplos de sucesso na redução da jornada e critica o que classificou como “terrorismo” feito por algumas empresas.
“O descanso é uma necessidade humana e apenas um dia de descanso coloca os trabalhadores em uma situação de desprezo e de desgaste muito grandes. Portanto, reduzir a jornada é uma [questão de] justiça social, é um direito do trabalhador ao seu tempo e é também uma medida inteligente das empresas que fazem porque elas aumentam a produtividade, ao contrário do que diz o terrorismo que está sendo pregado.”
Lutas
A trabalhadora informal Idelfonsa Dantas participou da manifestação em busca de melhores condições para a população e, especificamente, pela redução da escala de trabalho. A vendedora considera que a luta deve ser diária.
“A gente sempre busca o melhor para a população trabalhadora.”
As bibliotecárias Kelly Lemos e Ellen Rocha passaram no concurso público da Secretaria de Educação do Distrito Federal em 2022 e estão desempregadas.
Enquanto, aguardam a nomeação para as vagas, elas lutam pela valorização das carreiras dos profissionais de educação e por melhores oportunidades.
“As crianças precisam de professores mais valorizados nas escolas”, defendeu Elen Rocha.
Tempo livre
Os cartazes com frases pelo fim da escala de trabalho 6×1 contribuíram para que três mulheres se unissem durante o protesto para defender mais tempo livre e, assim, garantir autocuidado, lazer e convivência em família.
A estagiária de psicopedagogia Ana Beatriz Oliveira, de 21 anos, trabalha com desenvolvimento de crianças neuro divergentes e tem duas folgas semanais.
Ela conta que por um ano trabalhou em grandes centros logísticos, com jornadas exaustivas que invadiam a madrugada e incluíam turnos dobrados. Como consequência, percebeu prejuízos em sua formação educacional e na saúde.
Ao mudar para escala de cinco dias de trabalho e dois de descanso (5×2), Ana Beatriz percebeu melhorias na qualidade do sono, da alimentação, além de mais disposição no dia a dia.
“Sou extremamente contra a escala 6×1. Essa tem que acabar para ontem. Vejo que a redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40, é muito possível. Se fizer tudo direito, com o planejamento das escalas, a gente vai trabalhar mais descansado, com mais qualidade e produzir mais.”
A aposentada Ana Campania chama a escala 6×1 de “escala da escravidão” e foi ao ato exigir o fim da precarização da mão de obra.
“Hoje é o nosso dia de luta por melhores condições. Principalmente, nesse momento que querem acabar com conquistas de muitas décadas. Por exemplo, a estabilidade dos servidores, garantias da CLT [Consolidação das Leis do Trabalho].”
Jornada feminina
Sindicalista com atuação de longa data na defesa dos direitos de operadores de telemarketing, Geraldo Estevão Coan veio ao ato desta sexta-feira e aproveitou para protestar por outra pauta: o fim da jornada dupla e até mesmo tripla que as mulheres trabalhadoras enfrentam no país. Para ele, os homens precisam compartilhar as tarefas de cuidado da casa e filhos
“O fim da escala 6×1 tem que beneficiar muito mais as mulheres. Nós, os maridos, também temos que nos conscientizar de que não é só a mulher que precisa cuidar da casa.”
Confronto
O ato em Brasília registrou um confronto entre manifestantes e apoiadores de Jair Bolsonaro. Tudo aconteceu depois que os simpatizantes levaram um boneco do ex-presidente em tamanha real vestido com uma capa da bandeira da Brasil.
O gesto durante o ato público foi encarado como provocação pelos manifestantes no Eixão Sul. Houver troca de insultos e socos, mas o princípio de tumulto foi contido pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).
“Pessoas com posicionamentos ideológicos divergentes iniciaram provocações e embates verbais entre si. As equipes policiais atuaram de forma rápida restabelecendo a ordem pública sem registro de ocorrências graves”, diz a publicação da PMDF.
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