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RENDA DO EMPREENDEDOR BRANCO É 60% MAIOR QUE DA EMPREENDEDORA NEGRA

Enquanto o rendimento médio das mulheres negras cresceu 13,9% no período avançado, o dos homens negros avançou 10,3% no setor

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Economia

Foto: Leonardo Bosisio/g1

Uma pesquisa do Sebrae, baseada na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), revela um panorama preocupante sobre a desigualdade de renda no empreendedorismo brasileiro. Entre 2019 e 2023, o rendimento médio das mulheres à frente de negócios cresceu 5,7%, superando o aumento de 4,5% dos homens.

Apesar disso, as mulheres continuam ganhando, em média, 30% menos que os homens, uma redução leve em relação aos 32% arrecadados em 2019.

O recorte racial evidencia uma disparidade ainda maior. “Se para as empreendedoras a situação já é difícil, para as mulheres negras os obstáculos são ainda mais complexos”, comenta Margarete Coelho, diretora de Administração e Finanças do Sebrae.

Enquanto o rendimento médio das mulheres negras cresceu 13,9% no período avançado, o dos homens negros avançou 10,3%.

Mesmo assim, a renda das mulheres negras continua sendo a mais baixa entre todos os segmentos, e a diferença em relação aos homens brancos ultrapassa 60%.

“Ainda assim, as mulheres negras continuaram ganhando abaixo de todos os demais segmentos”, reforça Margarete.

Além disso, as dificuldades no acesso ao crédito permanecem como uma barreira significativa. Negócios liderados por mulheres enfrentam taxas de juros, em média, quatro pontos percentuais mais altos do que aquelas aplicadas a empresas comandadas por homens, agravando ainda mais as condições desiguais no mercado.

“Hoje, as empreendedoras, especialmente as negras, precisam enfrentar barreiras culturais e sociais, resultado da cultura machista entre nós, e entraves que impedem o desenvolvimento de seus negócios”, conclui Margarete.

Superação

Moradora de Passos, Minas Gerais, Edilaine encontrou nossos “Amigurumis” – bonecos de crochê – uma forma de superar o desemprego e gerar renda. Há três anos, ela vende suas peças e alcança um faturamento médio de R$ 1.500 por mês.

“Acredito que não somos o melhor momento para empreender em qualquer área, pois as redes sociais nos dão muitas ferramentas que nos ajudam a crescer, melhorar e buscar especialização”, relata Edilaine, proprietária da Dylamigurumi. “Eu não tive muita rede de apoio, mas minha família e meu esposo me criaram”, relembra.

Agora, Edilaine investe em capacitação para expandir seus negócios no mercado digital. “É uma mentoria para me ajudar a contribuição nas vendas nas redes sociais, abrir uma loja dentro do meu Instagram, entre outras iniciativas”, explica.

Enquanto iniciativas individuais como a de Edilaine apontam para o potencial do empreendedorismo, os números destacam a urgência de políticas públicas e iniciativas privadas que promovam a igualdade no mercado de trabalho e no acesso ao crédito.

Apenas assim será possível reduzir as barreiras que dificultam a jornada de milhões de mulheres empreendedoras no Brasil.

Empreendedorismo é uma ferramenta contra fome e pobreza

Durante sua participação no Delas Summit 2024, realizado nesta quinta-feira (21), o presidente do Sebrae, Décio Lima, afirmou que o empreendedorismo é essencial para superar o Mapa da Fome e reduzir as desigualdades no Brasil. Para ele, os pequenos negócios, que representam a grande base da economia brasileira, têm um papel fundamental na geração de emprego e na inclusão social.

“O espírito empreendedor é a chave para realmente superarmos o Mapa da Fome no nosso país. Só neste ano, vamos consolidar a criação de mais de 4 mil novas empresas com o perfil de micro e pequenas empresas. São esses pequenos negócios que têm uma enorme capacidade de resposta e resiliência”, declarou Lima.

Ele destacou a desigualdade estrutural do mercado brasileiro, onde, segundo ele, 70% do PIB está concentrado em apenas 5% das empresas, enquanto os pequenos negócios, que envolvem 95% das empresas no Brasil, geram apenas 30% do PIB. Essa disparidade é um reflexo do sistema financeiro brasileiro, voltado para rentistas e grandes corporações.

“O mercado não foi feito para os pequenos. Ele foi feito para acumular riqueza. O sistema financeiro e os rentistas absorveram grande parte da economia brasileira e mundial. No entanto, são os pequenos negócios que formam uma grande base da economia, e é com eles que precisam trabalhar para gerar mudanças.”

Ações do governo e do Sebrae

Lima também elogiou as ações do governo do presidente Lula, que, em parceria com o Sebrae, lançou a maior carteira de crédito da história do Brasil para apoiar as micro e pequenas empresas. Essa iniciativa visa garantir que os pequenos negócios tenham acesso ao crédito necessário para se expandir e contribuir para o desenvolvimento do país.

“O governo do presidente Lula, junto com o Sebrae, lançou a maior carteira de crédito da história do nosso país, focada em atender micro e pequenas empresas. E hoje, estou lançando uma carteira exclusiva para apoiar o empreendedorismo feminino.”

Lima também abordou a questão crítica do acesso ao crédito, que ainda é um grande obstáculo para os pequenos empreendedores no Brasil. Segundo ele, 88% dos pequenos negócios não têm acesso a crédito, o que dificulta a expansão e a sustentabilidade desses empreendimentos.

O presidente do Sebrae ressaltou que o crédito é essencial para a aquisição de bens, estoque e investimento, como no caso de financiamento de casas, carros e até roupas, que são acessíveis à grande maioria da população, mas não chegam aos pequenos empreendedores.

“Se fecharmos um balanço da economia do Brasil, ele fica um terço do tamanho que deveria ser do ponto de vista econômico. Dois terços do crédito vai para as grandes empresas e setores, enquanto os pequenos empreendedores, que formam a espinha dorsal da economia, Fique sem acesso a esses recursos.”

Fonte: R7 – https://noticias.r7.com/brasilia/renda-do-empreendedor-branco-e-60-maior-que-da-empreendedora-negra-23112024/

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Economia

Escola adota escala de trabalho 4×3 e aumenta faturamento em 35%

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Enquanto a sociedade brasileira e o Congresso Nacional discutem o fim da escala de seis dias de trabalho para um dia de folga (6×1) na legislação do país, uma escola de baristas e gestão de cafeterias da capital paulista mudou sua escala para quatro dias de trabalho e três de descanso (4×3) e viu seu faturamento crescer 35% em um ano.

A Coffe Lab, empresa fundada em 2004, que conta atualmente com duas unidades e mais de 30 funcionários, apostou na produtividade em vez de pesar no número de horas trabalhadas pelos funcionários. 

De acordo com a empresária e fundadora da Coffe Lab, a torrefadora Isabela Raposeiras, a experiência de redução de jornada, iniciada em 2025 na escola, demonstra que o descanso dos funcionários resulta em maior concentração no trabalho e em aumento da produtividade e faturamento. 

“A produtividade aumentou barbaramente. Porque, no ano passado, em 2025, a gente trabalhou com o mesmo cardápio e preço durante o ano inteiro. A gente ficou 17 dias fechados em função de uma obra e não aumentou o número de lugares. Continuamos com as duas lojas e o mesmo número de lugares. E o nosso faturamento em 2025 subiu 35% em um ano em que o setor de alimentação caiu 22%”, disse.

A escola trabalhava em sistema 5×2 e 44 horas de trabalho semanais. Em julho do ano passado, em acordo com os funcionários, adotou a escala 4×3 e 40 horas semanais de trabalho. São três folgas semanais, sendo duas em dias consecutivos.

“A galera [os funcionários da empresa] está mais descansada. Nesse ramo de comércio, de alimentação, principalmente hotelaria, a concentração, a atenção, é muito importante para a gente vender mais. Então, a galera descansada, feliz com vida para além do trabalho, rende muito mais, atende melhor”, destacou.

Rotatividade de funcionários

Além do aumento da produtividade, a empresária viu diminuir a rotatividade dos funcionários e reduziu os custos trabalhistas. 

“A gente está com turnover [taxa de rotatividade] ridículo de 8% só. Você não gasta mais com rescisão – que é uma coisa caríssima – por mais que o funcionário peça demissão, a rescisão e os encargos rescisórios são altos”, disse. 

Segundo ela, com trabalhadores mais cansados, a desmotivação é maior, as demissões aumentam e a contratação de empregados temporários cresce também.

“Aqui a gente não tem que contratar frila [do inglês freelancer, trabalhador pontual, sem vínculo empregatício]. No Coffee Lab, a gente não contrata frila quase nunca, porque as pessoas não faltam mais, não tem mais atestado. Isso diminui muito o custo e aumenta a capacidade de venda, porque todo mundo que trabalha lá conhece bem a empresa, não tem ninguém muito novo”.

Descanso e lazer

Tábata Lima de Oliveira, de 35 anos, funcionária da Coffee Lab, conta que antes de entrar na empresa, trabalhava na escala 6×1, e que utilizava a única folga semanal principalmente para descansar. 

“Praticamente, eu dormia o meu dia [de folga] inteiro. Não conseguia sair, raramente saía, raramente tinha disposição para estudar. Tempo com a família? Muito pouco, inclusive, hoje em dia me considero uma pessoa super distante da minha família por isso. O tempo que eu tinha era só para descansar, dormir e fazer os afazeres de casa”, destacou.

De acordo com ela, os maiores problemas causados pela escala 6×1 eram principalmente de ordem da saúde mental.

“Eu já tive [síndrome de] Burnout em um trabalho anterior. Além de tudo, eu não dormia, tinha que ir trabalhar e tomava muita medicação, sentia muito sono durante o trabalho, e tinha muitas crises de pânico”.

Já na escala 4×3, a funcionária viu possibilidade de se cuidar, de ter lazer, e até viajar: “É menos tempo no transporte, menos dias no transporte público. Mais tempo de descanso, de cuidar de mim mesma, cuidar da minha cabeça, de ter lazer e de cuidar da minha própria casa”.

“Agora consigo me dedicar à minha saúde, aos meus estudos, aos amigos próximos e até fazer viagens quando a gente tem as três folguinhas seguidas”, acrescentou.

 



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