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Parente substituirá Abilio em conselho e briga de sócios deve ter trégua na BRF

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Há quase dois meses em disputa aberta pelo comando da gigante de alimentos, os maiores acionistas da companhia – Abilio Diniz, Tarpon e os fundos Previ e Petros – entraram em acordo sobre o nome do presidente da Petrobrás para comandar colegiado

 

Da Redação

O presidente da Petrobrás, Pedro Parente, substituirá Abilio Diniz no comando do conselho de administração da BRF, dona de Sadia e Perdigão. O executivo confirmou que aceitou o convite, feito pelos principais sócios. Com isso, abriu-se caminho para um acordo entre os maiores acionistas da BRF, que estavam em disputa aberta pelo comando da empresa de alimentos há dois meses. Parente vai continuar na presidência da estatal após a eleição para comandar o colegiado da BRF. 

Em jogo está a condução da estratégia de negócios da maior exportadora de frango do mundo, que vive uma profunda crise. Desde 2016, a empresa apresenta prejuízo, foi alvo de escândalos, como a Operação Carne Fraca, vem sofrendo restrições à venda no exterior e perdendo espaço no País. A companhia, avaliada em R$ 18,7 bilhões, já perdeu R$ 13,7 bilhões em valor de mercado nos últimos 12 meses. Ontem, as ações fecharam a R$ 23,04, com alta de 9,51%.

O acerto ocorre a uma semana da assembleia de acionistas, marcada para o dia 26, que escolherá um novo conselho para mandato de dois anos. É nessa reunião que o nome de Parente deverá ser aprovado.

Ele foi convidado por Abilio, mas sua indicação teve apoio dos fundos de pensão da Petrobrás (Petros) e do Banco do Brasil (Previ), responsáveis pelo pedido de destituição do atual colegiado. As conversas em torno desse novo acordo tiveram início na terça e foram finalizadas na manhã desta quarta-feira, 18, segundo fontes. Até então, os fundos defendiam o nome de Augusto Cruz, ex-Pão de Açúcar, para presidir o colegiado, enquanto Abilio apoiou Luiz Fernando Furlan.

O plano em curso é que os principais sócios apoiem enfim uma única lista para o colegiado, encabeçada por Parente. Fundos e emissários de Abilio já haviam tentando um acerto nesses moldes, mas o plano naufragou diante do impasse sobre alguns nomes. Agora, isso teria sido superado, segundo fontes.

Assim, a nova lista para o conselho já nasceria com o apoio de sócios que detém 35% do capital da BRF. São eles: Petros (11%), Previ (11%), a gestora Tarpon (8,5%) e a Península, de Abilio(3,9%). Ainda é incerta a posição da britânica Aberdeen, que tem 5% da BRF. A gestora, porém, vinha apoiando os fundos desde o início da disputa.

A Aberdeen é peça central no desenlace do conflito. Foi ela quem solicitou que a votação do novo colegiado seja feita por “voto múltiplo”. Caso mantenha a solicitação, os maiores sócios até poderão atuar em sintonia, votando nos mesmos candidatos, mas não será possível votar em uma chapa única.

Petros e Previ ingressaram com pedido de destituição do conselho no início de março após a BRF anunciar prejuízo de R$ 1,1 bilhão em 2017. Os resultados negativos foram atribuídos pelos fundos ao comando de Abilio Diniz, desde 2013 presidente do colegiado.

Os fundos pleitearam a mudança, mas o pedido mostrou-se de difícil costura. Dono de menos de 4% das ações, Abilio, que nos últimos meses se afastou da Tarpon, antiga aliada, manteve a habitual linha dura nas negociações. Além de manter influência no futuro conselho, por meio de executivos por ele indicados, o empresário buscava garantir a permanência da diretoria da BRF. O atual presidente, José Aurélio Drummond, chegou ao comando com apoio e voto decisivo de Abilio.

Governança em xeque. O acordo pode, enfim, pacificar os ânimos, mas a destruição de valor de mercado já é fato. Para Herbert Steinberg, sócio da Mesa Corporate, consultoria especializada em governança corporativa, o mercado espera que os acionistas da BRF possam deixar a disputa de poder de lado e olhar para a companhia. “Não é prática em outros países que fundos de pensão invistam em uma mesma empresa. Petros e Previ estão, juntos, como sócios da BRF, e também em outras empresas, como a Vale, por exemplo. Em termos de governança não é positivo. O ideal seria que cada fundo escolhesse empresas distintas para investir, não como consórcio em empresas”. Os desentendimentos entre Tarpon e Abilio, ao longo de 2017, também prejudicaram a companhia. “Não dá para culpar um ou outro. A empresa é uma só e os acionistas devem se unir para melhorar a gestão.”

Leia abaixo a nota enviada pela assessoria de Pedro Parente:

“O Sr. Pedro Parente comunica que aceitou hoje o convite formulado por acionistas detentores de posições acionárias relevantes da empresa BRF S.A. para que seu nome seja submetido à Assembleia Geral de Acionistas que será realizada no próximo dia 26, integrando o Conselho de Administração na qualidade de Presidente.

Caso se confirme a sua eleição, o Sr. Pedro Parente apresentará pedido de renúncia à posição de Presidente do Conselho da B3, em atendimento ao acordo que foi feito com o Conselho de Administração da Petrobras quando aceitou convite para ser o Presidente da Companhia. Segundo o referido acordo, o Sr. Pedro Parente pode participar de Conselho de Administração de uma única empresa não integrante do sistema Petrobras, desde que, conforme o seu Estatuto, não exista conflito estrutural de interesses.”

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: O Estado de S.Paulo

Foto: Estadão

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Sindicatos realizam ato pelo direito ao descanso e fim da escala 6×1

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Trabalhadores, aposentados, estudantes e ativistas foram às ruas em diversas cidades brasileiras nesta sexta-feira, 1º de maio, feriado que celebra o Dia Internacional do Trabalhador.

Na pauta de reivindicações, as principais bandeiras eram o fim da escala de seis dias de trabalho e um de descanso (escala 6×1), sem redução salarial. Em Brasília, a manifestação foi no Eixão do Lazer, na Asa Sul.


Brasília (DF) 01/05/2026 - Manifestação no Eixão Sul contra a escala 6x1 tem participação de populares e centrais sindicais.  Natália Rodrigues e Cleide Gomes falam com a Agência Brasil. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Brasília (DF) 01/05/2026 - Manifestação no Eixão Sul contra a escala 6x1 tem participação de populares e centrais sindicais.  Natália Rodrigues e Cleide Gomes falam com a Agência Brasil. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Cleide Gomes com o netinho e a nora – Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A empregada doméstica Cleide Gomes, de 59 anos, foi ao ato com o neto, de 5 anos, a nora e a mãe, de 80, para cobrarem direitos trabalhistas.

Cleide, que atualmente trabalha com carteira assinada, recorda da época em que foi feirante autônoma e auxiliar de serviços gerais, sem carteira de trabalho. Ela chama a atenção para as ilegalidades cometidas contra suas colegas de profissão.

“Conheço pessoas que, agora, estão no trabalho, pois o patrão fala que hoje não é feriado, mas ponto facultativo. As coitadas não vão receber hora extra porque não sabem de seus direitos.”

O ato unificado 1º de Maio da Classe Trabalhadora foi organizado por setes centrais sindicais do Distrito Federal, com atrações culturais e discursos.

O movimento argumenta que a redução da jornada, ao contrário do que dizem empresas, não prejudica a economia e aumenta a produtividade, sendo uma questão de justiça social e um direito dos trabalhadores.


Brasília (DF) 01/05/2026 - Manifestação no Eixão Sul contra a escala 6x1 tem participação de populares e centrais sindicais. O presidente da CUT/Brasília, professor Rodrigo Rodrigues, fala com a Agência Brasil.  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Brasília (DF) 01/05/2026 - Manifestação no Eixão Sul contra a escala 6x1 tem participação de populares e centrais sindicais. O presidente da CUT/Brasília, professor Rodrigo Rodrigues, fala com a Agência Brasil.  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Presidente da CUT/Brasília, professor Rodrigo Rodrigues – Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O presidente da Central Única dos Trabalhadores no Distrito Federal (CUT-DF), Rodrigo Rodrigues, cita exemplos de sucesso na redução da jornada e critica o que classificou como “terrorismo” feito por algumas empresas.

“O descanso é uma necessidade humana e apenas um dia de descanso coloca os trabalhadores em uma situação de desprezo e de desgaste muito grandes. Portanto, reduzir a jornada é uma [questão de] justiça social, é um direito do trabalhador ao seu tempo e é também uma medida inteligente das empresas que fazem porque elas aumentam a produtividade, ao contrário do que diz o terrorismo que está sendo pregado.”

Lutas 


Brasília (DF) 01/05/2026 - Manifestação no Eixão Sul contra a escala 6x1 tem participação de populares e centrais sindicais.  A venderora Déo Camisetas fala com a Agência Brasil.Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Brasília (DF) 01/05/2026 - Manifestação no Eixão Sul contra a escala 6x1 tem participação de populares e centrais sindicais.  A venderora Déo Camisetas fala com a Agência Brasil.Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A vendedora Idelsonsa Dantas falou à Agência Brasil, durante ato no Eixão – Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A trabalhadora informal Idelfonsa Dantas participou da manifestação em busca de melhores condições para a população e, especificamente, pela redução da escala de trabalho. A vendedora considera que a luta deve ser diária.

“A gente sempre busca o melhor para a população trabalhadora.”

As bibliotecárias Kelly Lemos e Ellen Rocha passaram no concurso público da Secretaria de Educação do Distrito Federal em 2022 e estão desempregadas.


Brasília (DF) 01/05/2026 - Manifestação no Eixão Sul contra a escala 6x1 tem participação de populares e centrais sindicais. Helen Rocha e Kelly Lemos falam com a Agência Brasil.   Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Brasília (DF) 01/05/2026 - Manifestação no Eixão Sul contra a escala 6x1 tem participação de populares e centrais sindicais. Helen Rocha e Kelly Lemos falam com a Agência Brasil.   Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Helen Rocha e Kelly Lemos no eixão sul, em Brasília- Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Enquanto, aguardam a nomeação para as vagas, elas lutam pela valorização das carreiras dos profissionais de educação e por melhores oportunidades.

“As crianças precisam de professores mais valorizados nas escolas”, defendeu Elen Rocha.  

Tempo livre

Os cartazes com frases pelo fim da escala de trabalho 6×1 contribuíram para que três mulheres se unissem durante o protesto para defender mais tempo livre e, assim, garantir autocuidado, lazer e convivência em família.

A estagiária de psicopedagogia Ana Beatriz Oliveira, de 21 anos, trabalha com desenvolvimento de crianças neuro divergentes e tem duas folgas semanais.

Ela conta que por um ano trabalhou em grandes centros logísticos, com jornadas exaustivas que invadiam a madrugada e incluíam turnos dobrados. Como consequência, percebeu prejuízos em sua formação educacional e na saúde.


Brasília (DF) 01/05/2026 - Manifestação no Eixão Sul contra a escala 6x1 tem participação de populares e centrais sindicais.  Ana Beatriz Oliveira, Lana Campani e Marília Salomoni, falam com a Agência Brasil.Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Brasília (DF) 01/05/2026 - Manifestação no Eixão Sul contra a escala 6x1 tem participação de populares e centrais sindicais.  Ana Beatriz Oliveira, Lana Campani e Marília Salomoni, falam com a Agência Brasil.Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Ana Beatriz Oliveira, Lana Campani e Marília Salomoni durante ato, em Brasília – Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Ao mudar para escala de cinco dias de trabalho e dois de descanso (5×2), Ana Beatriz percebeu melhorias na qualidade do sono, da alimentação, além de mais disposição no dia a dia.

“Sou extremamente contra a escala 6×1. Essa tem que acabar para ontem. Vejo que a redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40, é muito possível. Se fizer tudo direito, com o planejamento das escalas, a gente vai trabalhar mais descansado, com mais qualidade e produzir mais.”

A aposentada Ana Campania chama a escala 6×1 de “escala da escravidão” e foi ao ato exigir o fim da precarização da mão de obra.

“Hoje é o nosso dia de luta por melhores condições. Principalmente, nesse momento que querem acabar com conquistas de muitas décadas. Por exemplo, a estabilidade dos servidores, garantias da CLT [Consolidação das Leis do Trabalho].”

Jornada feminina

Sindicalista com atuação de longa data na defesa dos direitos de operadores de telemarketing, Geraldo Estevão Coan veio ao ato desta sexta-feira e aproveitou para protestar por outra pauta: o fim da  jornada dupla e até mesmo tripla que as mulheres trabalhadoras enfrentam no país. Para ele, os homens precisam compartilhar as tarefas de cuidado da casa e filhos

“O fim da escala 6×1 tem que beneficiar muito mais as mulheres. Nós, os maridos, também temos que nos conscientizar de que não é só a mulher que precisa cuidar da casa.”

Confronto


Brasília (DF) 01/05/2026 -Manifestação no Eixão Sul contra a escala 6x1 tem participação de populares e centrais sindicais. Participantes entraram em confronto após um boneco do ex-presidente Jair Bolsonaro ser quebrado.  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Brasília (DF) 01/05/2026 -Manifestação no Eixão Sul contra a escala 6x1 tem participação de populares e centrais sindicais. Participantes entraram em confronto após um boneco do ex-presidente Jair Bolsonaro ser quebrado.  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Apoiadores de Bolsonaro entram em confronto com trabalhadores durante ato pelo dia 1° de maio, em Brasília – Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O ato em Brasília registrou um confronto entre manifestantes e apoiadores de Jair Bolsonaro. Tudo aconteceu depois que os simpatizantes levaram um boneco do ex-presidente em tamanha real vestido com uma capa da bandeira da Brasil.

O gesto durante o ato público foi encarado como provocação pelos manifestantes no Eixão Sul. Houver troca de insultos e socos, mas o princípio de tumulto foi contido pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).

“Pessoas com posicionamentos ideológicos divergentes iniciaram provocações e embates verbais entre si. As equipes policiais atuaram de forma rápida restabelecendo a ordem pública sem registro de ocorrências graves”, diz a publicação da PMDF.

 



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