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‘INPC baixo dará alívio até para Estados e municípios’, diz economista

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Índice, que no acumulado em 12 meses teve a menor marca desde 1994, serve de referência para reajustar os salários, inclusive o mínimo

Da Redação

 

O economista Heron do Carmo, professor da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (USP), diz que o resultado do IPCA de agosto, de 0,19%, – bem abaixo da expectativa do último Boletim Focus, do Banco Central, de 0,39%–  surpreendeu. Mas ele destaca os resultados muito baixos atingidos pelo INPC, o índice que mede a inflação das famílias mais pobres, com renda entre um e cinco salários mínimos. O INPC teve deflação de 0,03% em agosto e, em 12 meses, acumulou alta de 1,27%, a menor marca da série desde 1994.

Como o INPC é o indicador que serve de referência para reajustar os salários, inclusive o mínimo, esse resultado indica que os reajustes salariais deverão ficar bem abaixo do previsto, observa o economista. “Isso dará um alívio até em termos das despesas dos Estados e dos municípios”, ressalta. Para este ano, Heron espera um IPCA  em torno de 2,5%, bem abaixo do piso da meta (3%). Isso  deve chancelar, na sua opinião, o corte de juros em um ponto porcentual hoje e também na  próxima reunião do BC. Com isso, a taxa básica de juros, a Selic, deve fechar o ano em 7,25%. A seguir os principais trechos da entrevista.

O resultado do IPCA surpreendeu?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: O Estado de S.Paulo

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Entidades do setor produtivo cobram cortes maiores da Selic

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A redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), foi considerada insuficiente por entidades do setor produtivo e por representantes sindicais, que apontam efeitos negativos sobre investimentos, consumo e renda.

A Selic foi reduzida de 14,75% para 14,50% ao ano, mas, na avaliação dessas instituições, o nível ainda elevado dos juros continua pressionando a economia.

Indústria

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que o corte foi tímido e mantém o custo do crédito em patamar elevado. Para a entidade, isso compromete investimentos e a competitividade do setor produtivo.

“O custo do capital continuará em um nível proibitivo, inviabilizando projetos e investimentos que poderiam ampliar a competitividade industrial”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

A entidade também aponta deterioração financeira de empresas e famílias. “O endividamento das empresas e das famílias bate recorde mês a mês, fragilizando a saúde financeira de toda a economia”, completou.

Comércio

A Associação Paulista de Supermercados (APAS) também considera que o Banco Central poderia ter adotado uma redução mais significativa da taxa de juros.

“O Banco Central, desde a última reunião, já poderia ter ampliado o afrouxamento monetário”, afirmou o economista-chefe da entidade, Felipe Queiroz.

Segundo Queiroz, o atual patamar da Selic penaliza a atividade econômica. “Estamos vendo muitas empresas entrando em recuperação judicial, endividamento das famílias aumentando e o custo com o serviço da dívida também”, disse.

A entidade também destaca o efeito dos juros sobre os investimentos. “Há um estímulo muito grande ao capital especulativo, em detrimento do setor produtivo”, avaliou.

Centrais sindicais

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Central Única dos Trabalhadores (Contraf-CUT) critica o ritmo de queda da Selic e afirma que a política monetária tem impacto direto sobre a renda da população.

“A redução de 0,25% é muito pouco. O nível de endividamento das famílias está enorme”, afirmou a presidenta da entidade, Juvandia Moreira.

Ela ressalta que a taxa básica influencia todo o sistema financeiro. “Quando a Selic sobe, os bancos cobram mais caro no crédito. Quando cai, o crédito fica mais barato, mas essa redução ainda é insuficiente”, disse.

A Força Sindical também classificou a decisão como insuficiente e destacou impactos negativos sobre a economia.

“A redução foi tímida e mantém os juros em patamar elevado”, afirmou a entidade em nota.

Segundo a central, a política de juros altos afeta diretamente o crescimento do país. “Os juros restringem investimentos, freiam a produção e comprometem a geração de empregos e renda”, destacou.

A entidade também relaciona o cenário ao endividamento das famílias. “O alto nível de endividamento está diretamente ligado ao custo elevado do crédito”, concluiu.

Pressão por novos cortes

Apesar de representarem setores diferentes, as entidades convergem na avaliação de que há espaço para uma redução mais acelerada da taxa básica de juros.

O ponto em comum entre indústria, comércio e representantes dos trabalhadores é o diagnóstico de que o atual nível da Selic ainda impõe restrições relevantes ao crescimento econômico, ao crédito e ao consumo no país.



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