Economia
Governo adia mudança em ‘regra de ouro’ para depois da reforma da Previdência
Economia
Em entrevista nesta segunda-feira, Henrique Meirelles e Dyogo Olveira afirmaram que reforma previdenciária permanece como prioridade: ‘regra de ouro não é a discussão adequada neste momento’, diz titular da Fazenda
Da Redação
Os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Dyogo Oliveira, confirmaram nesta segunda-feira, 8, que o governo adiará a discussão sobre alterações na “regra de ouro” para depois da votação da reforma da Previdência. Segundo Meirelles, a ideia não é suspender a regra constitucional, mas criar mecanismos de ajustamento em caso de descumprimento da norma.
“Achamos que essa não é uma discussão adequada neste momento. Surgiu uma proposta parlamentar, mas a prioridade é resolver a questão fiscal do País. Temos uma votação mais importante, que é a reforma da Previdência. Essa é a nossa prioridade: discutir e se possível votar a reforma da Previdência”, afirmou.
A chamada regra de ouro impede a emissão de dívida para o pagamento de despesas correntes, como conta de luz e salário de servidores públicos. Segundo ele, o governo não poderá flexibilizar as normas neste momento porque as três âncoras fiscais são importantes para as contas do governo.
Segundo Meirelles, a proposta é criar o acionamento automático de certos mecanismos, como ocorre com o teto de gastos que, se descumprido, obriga a cortes imediatos de gastos, como suspensão de reajustes do funcionalismo.
“O que iremos estudar no momento adequado serão regras de ajustamento. Estamos todos caminhando na mesma linha, não há dúvida que é orientação correta e adequada”, avaliou.
O ministro garantiu que o governo continua comprometido com o ajuste fiscal e enfatizou que irá cumprir a regra de ouro e o teto de gastos este ano. “A devolução de recursos do BNDES será concluída positivamente e é importante para cumprir a regra de ouro. Para 2018, a situação está equacionada. O governo vai cumprir a regra de ouro este ano. Ponto. A preocupação é com os anos futuros”, concluiu.
Congresso. Mais cedo, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), voltou atrás e também decidiu abandonar a ideia de votar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para flexibilizar a chamada regra de ouro. Segundo ele, não vale a pena discutir a proposta, pois não há consenso no governo sobre o tema.
“Não haverá debate de regra de ouro. Não há uma posição única no governo, então, não vale a pena discutir. Vamos concentrar esforços na redução de gastos públicos”, afirmou Maia ao Broadcast. De acordo com ele, não há necessidade de suspender a regra agora. “Se aprovar a (reforma da) Previdência e discutirmos super-salários, adiamento de aumentos (para funcionalismo público), fim dos subsídios, podemos resolver o rombo da regra de ouro”, declarou.
A flexibilização da regra de ouro começou a ser discutida entre Maia, lideranças partidárias e integrantes da equipe econômica desde o fim do ano passado. A mudança foi assunto de café da manhã na última quinta-feira (4) entre o presidente da Câmara e os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Dyogo Oliveira. O encontro aconteceu na residência oficial da Presidência da Câmara, em Brasília.
A ideia era incluir a flexibilização numa espécie de “super PEC” com mais de 20 medidas para retirar as amarras do Orçamento e dar mais liberdade de gestão das despesas e receitas ao governo. A proposta vinha sendo elaborada pelo deputado Pedro Paulo (PMDB-RJ), aliado de Maia. Se aprovada, abriria caminho para que o próximo presidente assumisse com menos dificuldade para administrar as contas públicas e, de quebra, evitaria que o presidente Michel Temer corresse o risco de ser responsabilizado em 2018.
Maia e Meirelles, contudo, divergiram sobre a forma de flexibilização da regra. Enquanto parlamentares defendiam a suspensão da regra por um tempo determinado, o ministro preferia que fosse adotado sistema de medidas corretivas automáticas. “Isto é, se houver a quebra da regra de ouro, que isso seja imediatamente ajustado por normas constitucionais, cortando despesas, cortando subsídios, congelando custos, de maneira que a regra seja seguida”, disse Meirelles na sexta-feira.
Sem consenso, Maia decidiu não pautar o tema, mas disse que a PEC elaborada por Pedro Paulo será apresentada. “O projeto do Pedro Paulo trata de despesas obrigatórias. Não vai tratar de regra de ouro”, declarou. Como mostrou o Broadcast na semana passada, entre as medidas que constarão na PEC, há uma para aumentar o porcentual de receitas que o governo pode desvincular do orçamento. Uma das ideias era elevar dos atuais 30% para 50%.
Fonte: O Estado de S.Paulo
Foto: Dida Sampaio|Estadão
Economia
Galípolo critica empresas que pressionam para usar FGC
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, criticou nesta quinta-feira (13) a pressão de instituições não bancárias para usar o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) na captação de varejo.

Galípolo explicou que muitas empresas, de pequeno ou médio porte, buscam autorização para atuarem semelhante aos bancos, usando as garantias do FGC, porém não apresentam ativos suficientes para tal operação.
“Esse é um tipo de comportamento que não é desejável, que deve ser coibido e inibido pelos reguladores e pela gente, por isso que a gente vem trabalhando muito com o FGC, numa sucessão de medidas”, completou.
O principal problema, conforme o presidente do BC, é que as empresas de intermediação, quando procuram desempenhar papel análogo ao dos bancos, competem entre si e com as grandes instituições, porém com regras mais brandas para captação, prazos maiores e menor necessidade de garantias.
“Banco está em um negócio que é tomar dinheiro emprestado mais barato do que empresta e ter de pagar o que tomou emprestado depois do que pretende receber. Mesmo que ele consiga fazer esse casamento bem-feito entre passivo e ativo, bancos são falíveis, porque o nível de inadimplência pode crescer para quem você emprestou dinheiro, o negócio pode não ir bem ou você pode ter que transformar os seus ativos em liquidez numa velocidade que não é possível. Nessas condições, para você tentar conter esse tipo de corrida, o fundo garantidor exerce um papel essencial”, disse Galípolo, ao destacar a importância do fundo como elemento de estabilização do sistema financeiro.
O presidente do BC participou da comemoração aos 30 anos do FGC, criado em 16 de novembro de 1995 para proteger pequenos investidores e dar estabilidade ao sistema financeiro com a chegada do Plano Real. O fundo é mantido com contribuições das instituições financeiras associadas.
O fundo teve papel importante de prevenção a crises durante o Plano Collor, Plano Real e a crise mundial de 2008.
Recentemente, o fundo tem reembolsado investidores e correntistas de instituições prejudicadas pelas fraudes do Banco Master, em um montante de aproximadamente R$ 40,6 bilhões para cobrir as garantias de cerca de 1,6 milhão de credores. Após o impacto causado pelo Master, o FGC aprovou um plano de emergência para recompor o caixa, com aumento de até 60% das contribuições adicionais das instituições associadas.
Quando um banco quebra, o FGC reembolsa depósitos e determinados investimentos até o limite de R$ 250 mil por Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), por instituição ou conglomerado financeiro. Existe ainda um teto global de R$ 1 milhão em indenizações por CPF ou CNPJ em um período de quatro anos. O objetivo é aumentar a segurança dos investidores e preservar a confiança no sistema financeiro.
O evento também inaugurou a exposição “O FGC e a Rede de Proteção do Sistema Financeiro Nacional”, que ficará até o dia 30 de setembro no Prédio das Moedas, sede da B3, no centro da capital paulista. A mostra explica as origens e mudanças pelas quais o fundo passou ao longo de 30 anos, assim como seu funcionamento e impactos na economia nacional.
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