Economia
GM vai investir R$ 3,1 bi em fábricas de São Caetano e Joinville
Economia
Por enquanto, não há previsão de novos empregos, mas executivo do grupo não descarta contratações ao longo dos próximos anos
Da Redação
Em encontro com o presidente Michel Temer na tarde desta sexta-feira, 25, em São Paulo, o presidente da General Motors Mercosul, Carlos Zarlenga, informou que o grupo vai investir R$ 3,1 bilhões nas fábricas de São Caetano do Sul (SP) e de Joinville (SC). Por enquanto, não há previsão de novos empregos, mas o executivo não descarta contratações ao logo dos próximos anos. O grupo emprega atualmente no Brasil 16 mil trabalhadores nas fábricas do País.
Há três semanas, o grupo já havia anunciado R$ 1,4 bilhão para a fábrica de Gravataí (RS). Ao todo, serão aplicados R$ 4,5 bilhões nas três unidades até 2020. A fábrica de São Caetano, onde são produzidos os modelos Cobalt, Montana, Spin e Ônix Joy, ficará com R$ 1,2 bilhão do novo montante. A de Joinville, que produz motores e cabeçotes, receberá R$ 1,9 bilhão.
Os dois anúncios estão inseridos no plano geral da empresa, de aplicar R$ 13 bilhões nas operações brasileiras entre 2014 e 2020. O dinheiro será gasto na modernização das fábricas, novas tecnologias e no desenvolvimento de novos produtos, alguns deles em substituição a modelo atuais e outros em segmentos em que a empresa ainda não tem produção local, como o de utilitários esportivos de pequeno porte, um dos que mais cresce no mercado atualmente.
Não há, por enquanto, novo projeto previsto para a fábrica de São José dos Campos (SP), voltada à produção da picape S10 e do utilitário Trailblazer, além de componentes. “Estamos realizando o maior plano de investimentos da indústria no País, o que reforça nossa confiança no potencial de crescimento do mercado”, diz Zarlenga.
“O novo aporte em São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul vai permitir ampliar a linha de produtos da Chevrolet, oferecendo o que há de mais avançado no mercado em tecnologia, com foco em conectividade total, segurança e eficiência energética”.
Segundo o executivo, o grupo pretende transformar as operações brasileiras em uma plataforma de exportação principalmente para os países da região. “Com mais eficiência em custos poderemos exportar também para outras regiões”, afirma Zarlenga.
O presidente da GM elogiou a aprovação da reforma trabalhista e defendeu a continuidade de reformas necessárias para melhorar a competitividade brasileira, em especial a tributária.
Fonte: O Estado de S.Paulo
Economia
Entidades do setor produtivo cobram cortes maiores da Selic
A redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), foi considerada insuficiente por entidades do setor produtivo e por representantes sindicais, que apontam efeitos negativos sobre investimentos, consumo e renda.

A Selic foi reduzida de 14,75% para 14,50% ao ano, mas, na avaliação dessas instituições, o nível ainda elevado dos juros continua pressionando a economia.
Indústria
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que o corte foi tímido e mantém o custo do crédito em patamar elevado. Para a entidade, isso compromete investimentos e a competitividade do setor produtivo.
“O custo do capital continuará em um nível proibitivo, inviabilizando projetos e investimentos que poderiam ampliar a competitividade industrial”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
A entidade também aponta deterioração financeira de empresas e famílias. “O endividamento das empresas e das famílias bate recorde mês a mês, fragilizando a saúde financeira de toda a economia”, completou.
Comércio
A Associação Paulista de Supermercados (APAS) também considera que o Banco Central poderia ter adotado uma redução mais significativa da taxa de juros.
“O Banco Central, desde a última reunião, já poderia ter ampliado o afrouxamento monetário”, afirmou o economista-chefe da entidade, Felipe Queiroz.
Segundo Queiroz, o atual patamar da Selic penaliza a atividade econômica. “Estamos vendo muitas empresas entrando em recuperação judicial, endividamento das famílias aumentando e o custo com o serviço da dívida também”, disse.
A entidade também destaca o efeito dos juros sobre os investimentos. “Há um estímulo muito grande ao capital especulativo, em detrimento do setor produtivo”, avaliou.
Centrais sindicais
A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Central Única dos Trabalhadores (Contraf-CUT) critica o ritmo de queda da Selic e afirma que a política monetária tem impacto direto sobre a renda da população.
“A redução de 0,25% é muito pouco. O nível de endividamento das famílias está enorme”, afirmou a presidenta da entidade, Juvandia Moreira.
Ela ressalta que a taxa básica influencia todo o sistema financeiro. “Quando a Selic sobe, os bancos cobram mais caro no crédito. Quando cai, o crédito fica mais barato, mas essa redução ainda é insuficiente”, disse.
A Força Sindical também classificou a decisão como insuficiente e destacou impactos negativos sobre a economia.
“A redução foi tímida e mantém os juros em patamar elevado”, afirmou a entidade em nota.
Segundo a central, a política de juros altos afeta diretamente o crescimento do país. “Os juros restringem investimentos, freiam a produção e comprometem a geração de empregos e renda”, destacou.
A entidade também relaciona o cenário ao endividamento das famílias. “O alto nível de endividamento está diretamente ligado ao custo elevado do crédito”, concluiu.
Pressão por novos cortes
Apesar de representarem setores diferentes, as entidades convergem na avaliação de que há espaço para uma redução mais acelerada da taxa básica de juros.
O ponto em comum entre indústria, comércio e representantes dos trabalhadores é o diagnóstico de que o atual nível da Selic ainda impõe restrições relevantes ao crescimento econômico, ao crédito e ao consumo no país.
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