Economia
FGC aprova com unanimidade teto de R$ 1 milhão para investidor
Economia
Com a nova regra, se um investidor receber R$ 250 mil por conta da quebra de um banco, terá seu limite, diminuído para R$ 750 mil durante os quatro anos seguintes
Da Redação
O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) aprovou, em assembleia geral extraordinária (AGE) realizada nesta segunda-feira, 18, o teto de R$ 1 milhão para a garantia que investidores têm ao comprarem títulos de bancos no mercado, conforme apurou o Estadão/Broadcast. Além de limitar a cobertura, foi também fixado no estatuto da entidade um prazo de quatro anos para essa garantia. A cobertura segue de R$ 250 mil por CPF e por instituição.
A fixação de um teto para investidores vem a reboque, de acordo com fonte, da postura de investidores que, por terem o “seguro” do FGC acabavam negligenciando o risco na hora de investir.
A nova regra depende, contudo, do aval do Conselho Monetário Nacional (CMN). A expectativa, de acordo com uma fonte, é que o assunto seja votado na reunião desta quinta-feira, 21, e uma resolução seja publicada no dia seguinte, no Diário Oficial da União (DOU).
O estoque atual de papéis emitidos por instituições financeiras está garantido. Assim, o limite valerá, explica uma fonte, para novas emissões ou repactuações de títulos já negociados no mercado a partir da data da resolução.
A limitação para investidores acontece quatro anos depois de o FGC elevar a cobertura para os atuais R$ 250 mil por CPF, que até 2013 estava em R$ 70 mil.
A mudança promoveu uma grande facilidade de funding para os bancos médios especialmente, que oferecem melhor remuneração do que os grandes bancos e encontraram na outra ponta um crescente número de investidores das diversas plataformas de corretoras.
Atenção. No entanto, a ausência de limitação para cobertura por CPF, assim como para o volume emitido pelas instituições, tem chamado a atenção do mercado bancário. De acordo com alguns interlocutores, o FGC acabava protegendo grandes investidores que poderiam obter a garantia para um patrimônio maior ao investir até R$ 250 mil em várias instituições.
Os bancos, por sua vez, têm a possibilidade de emitir montantes ilimitados de títulos garantidos pelo FGC. Por isso, além do teto e prazo para investidores, também há expectativa no mercado de que o CMN estabeleça um tipo de “pedágio” para bancos emissores que façam captações acima de quatro vezes o seu patrimônio líquido. No entanto, caso a medida seja aprovada, afirma uma fonte, pode ser para início apenas em 2019. Procurado, o FGC não comentou.
Fonte: O Estado de S.Paulo
Foto: Divulgação
Economia
Sindicatos realizam ato pelo direito ao descanso e fim da escala 6×1
Trabalhadores, aposentados, estudantes e ativistas foram às ruas em diversas cidades brasileiras nesta sexta-feira, 1º de maio, feriado que celebra o Dia Internacional do Trabalhador. 

Na pauta de reivindicações, as principais bandeiras eram o fim da escala de seis dias de trabalho e um de descanso (escala 6×1), sem redução salarial. Em Brasília, a manifestação foi no Eixão do Lazer, na Asa Sul.
A empregada doméstica Cleide Gomes, de 59 anos, foi ao ato com o neto, de 5 anos, a nora e a mãe, de 80, para cobrarem direitos trabalhistas.
Cleide, que atualmente trabalha com carteira assinada, recorda da época em que foi feirante autônoma e auxiliar de serviços gerais, sem carteira de trabalho. Ela chama a atenção para as ilegalidades cometidas contra suas colegas de profissão.
“Conheço pessoas que, agora, estão no trabalho, pois o patrão fala que hoje não é feriado, mas ponto facultativo. As coitadas não vão receber hora extra porque não sabem de seus direitos.”
O ato unificado 1º de Maio da Classe Trabalhadora foi organizado por setes centrais sindicais do Distrito Federal, com atrações culturais e discursos.
O movimento argumenta que a redução da jornada, ao contrário do que dizem empresas, não prejudica a economia e aumenta a produtividade, sendo uma questão de justiça social e um direito dos trabalhadores.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores no Distrito Federal (CUT-DF), Rodrigo Rodrigues, cita exemplos de sucesso na redução da jornada e critica o que classificou como “terrorismo” feito por algumas empresas.
“O descanso é uma necessidade humana e apenas um dia de descanso coloca os trabalhadores em uma situação de desprezo e de desgaste muito grandes. Portanto, reduzir a jornada é uma [questão de] justiça social, é um direito do trabalhador ao seu tempo e é também uma medida inteligente das empresas que fazem porque elas aumentam a produtividade, ao contrário do que diz o terrorismo que está sendo pregado.”
Lutas
A trabalhadora informal Idelfonsa Dantas participou da manifestação em busca de melhores condições para a população e, especificamente, pela redução da escala de trabalho. A vendedora considera que a luta deve ser diária.
“A gente sempre busca o melhor para a população trabalhadora.”
As bibliotecárias Kelly Lemos e Ellen Rocha passaram no concurso público da Secretaria de Educação do Distrito Federal em 2022 e estão desempregadas.
Enquanto, aguardam a nomeação para as vagas, elas lutam pela valorização das carreiras dos profissionais de educação e por melhores oportunidades.
“As crianças precisam de professores mais valorizados nas escolas”, defendeu Elen Rocha.
Tempo livre
Os cartazes com frases pelo fim da escala de trabalho 6×1 contribuíram para que três mulheres se unissem durante o protesto para defender mais tempo livre e, assim, garantir autocuidado, lazer e convivência em família.
A estagiária de psicopedagogia Ana Beatriz Oliveira, de 21 anos, trabalha com desenvolvimento de crianças neuro divergentes e tem duas folgas semanais.
Ela conta que por um ano trabalhou em grandes centros logísticos, com jornadas exaustivas que invadiam a madrugada e incluíam turnos dobrados. Como consequência, percebeu prejuízos em sua formação educacional e na saúde.
Ao mudar para escala de cinco dias de trabalho e dois de descanso (5×2), Ana Beatriz percebeu melhorias na qualidade do sono, da alimentação, além de mais disposição no dia a dia.
“Sou extremamente contra a escala 6×1. Essa tem que acabar para ontem. Vejo que a redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40, é muito possível. Se fizer tudo direito, com o planejamento das escalas, a gente vai trabalhar mais descansado, com mais qualidade e produzir mais.”
A aposentada Ana Campania chama a escala 6×1 de “escala da escravidão” e foi ao ato exigir o fim da precarização da mão de obra.
“Hoje é o nosso dia de luta por melhores condições. Principalmente, nesse momento que querem acabar com conquistas de muitas décadas. Por exemplo, a estabilidade dos servidores, garantias da CLT [Consolidação das Leis do Trabalho].”
Jornada feminina
Sindicalista com atuação de longa data na defesa dos direitos de operadores de telemarketing, Geraldo Estevão Coan veio ao ato desta sexta-feira e aproveitou para protestar por outra pauta: o fim da jornada dupla e até mesmo tripla que as mulheres trabalhadoras enfrentam no país. Para ele, os homens precisam compartilhar as tarefas de cuidado da casa e filhos
“O fim da escala 6×1 tem que beneficiar muito mais as mulheres. Nós, os maridos, também temos que nos conscientizar de que não é só a mulher que precisa cuidar da casa.”
Confronto
O ato em Brasília registrou um confronto entre manifestantes e apoiadores de Jair Bolsonaro. Tudo aconteceu depois que os simpatizantes levaram um boneco do ex-presidente em tamanha real vestido com uma capa da bandeira da Brasil.
O gesto durante o ato público foi encarado como provocação pelos manifestantes no Eixão Sul. Houver troca de insultos e socos, mas o princípio de tumulto foi contido pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).
“Pessoas com posicionamentos ideológicos divergentes iniciaram provocações e embates verbais entre si. As equipes policiais atuaram de forma rápida restabelecendo a ordem pública sem registro de ocorrências graves”, diz a publicação da PMDF.
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