Economia
Festival Hola Rio leva arte fluminense à capital espanhola nesta sexta
Economia
A Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (Secec) do Rio de Janeiro realiza, a partir de sexta-feira (8), a ocupação cultural da Casa de América, em Madri. É o festival Hola Rio!, que vai até 7 de outubro na capital espanhola.

“Nós vamos levar cerca de 120 artistas e também gestores culturais do estado do Rio de Janeiro, porque a ideia da ocupação não é somente a fruição artística, no sentido de mostrar o potencial daquilo que temos de cultura no território”, disse à Agência Brasil a secretária de Cultura, Danielle Barros. A ocupação tem também o objetivo de gerar intercâmbio de negócios no campo da cultura.
A ação inédita, com foco na internacionalização das artes produzidas no estado do Rio de Janeiro, será aberta pela Focus Cia de Dança e pelo Corpo de Baile do Theatro Municipal, que prepararam um número específico para o evento. Também vão se apresentar artistas renomados, como a cantora Teresa Cristina, e muitos outros que foram selecionados por meio de edital público lançado pelo governo do estado. A programação pode ser acessada aqui.
Danielle destacou que o grande parceiro nessa ação internacional é o Serviço Social do Comércio do Rio (Sesc RJ). A Federação do Comércio do Estado (Fecomércio) está levando mostra audiovisual e uma exposição de artes plásticas, que ficará aberta à visitação do público durante toda a temporada da ocupação.
A iniciativa recebeu mais de R$ 4 milhões do governo fluminense, incluindo a própria chamada pública e o deslocamento de servidores que vão acompanhar a ação. Segundo a secretária, já surgiram convites de países vizinhos da Espanha para sediar ações semelhantes. “A ocupação está alcançando os holofotes europeus, e a gente vai avaliar qual será o próximo país que vamos ocupar.”
Internacionalização
Danielle Barros informou que existe hoje no Rio o Comitê de Internacionalização das Artes. Por isso, ela considera ser importante olhar para o estado com esse potencial. “Certamente, esta vai ser a primeira de outras missões oficiais do estado do Rio de Janeiro, no sentido de garantir oportunidades para os próprios artistas mas, também, visibilidade para a nossa cultura.”
O Festival Hola Rio! apresentará iniciativas de teatro, dança, música, cinema e exposições de artes visuais. O evento é uma iniciativa do governo do Estado, em parceria com a Casa de América, Sesc RJ, em correalização com a prefeitura de Madri.
Na avaliação do diretor artístico do programa madrilenho, Adrian Sepiurca, o caráter inovador da parceria internacional resultou no Festival Hola Rio!. “Esse encontro expande fronteiras artísticas e de comunicação. Além de fortalecer laços culturais e afetivos entre artistas do Rio e de Madri, a programação vai possibilitar que a população da capital espanhola acesse um relevante panorama das artes produzidas no Brasil”, afirmou.
Os agentes culturais fluminenses selecionados para participar da programação na Espanha estão recebendo formação específica em internacionalização das artes na Biblioteca Parque Estadual, no centro do Rio. Os módulos envolvem planejamento para o mercado internacional de artes, logística para circulação internacional, relações de cooperação entre o artista e o programador na circulação internacional, entre outros temas, além de uma orientação individual para elaboração de portfólio específico para circulação internacional.
Casa de América
A chamada pública foi lançada pela secretaria em junho, com premiação total de R$ 3.780.500, com o objetivo de promover o intercâmbio dos artistas e a internacionalização da cultura fluminense na Europa, por meio da ocupação de um dos mais importantes centros de arte da Espanha.
As apresentações serão feitas não só na Casa de América, mas também em praças e ruas de Madri, com o intuito de democratizar o acesso do público local.
Quatro jovens do projeto Trio da Cultura do Rio de Janeiro vão viajar para a Espanha para apresentar o espetáculo de dança inédito Alma Brasileira: Um Tributo Musical. O grupo inclui ainda o professor e bailarino Nildo Muniz e a produtora Rachel Mandarom e foi contemplado no edital Casa de América. No festival Hola Rio!, as bailarinas se apresentarão nos dias 16 e 17 deste mês, no Centro Cultural Casa de Vacas, em Madri.
“Estou muito feliz e grata com essa grande oportunidade, até por ser um grande sonho poder viajar para outros países através da minha arte e poder viver da dança com as minhas companheiras”, disse Maria Helena Mendes, de 20 anos, integrante do grupo. Com nove anos de prática, a dança contemporânea é o foco de Maria Helena, que viajará com a bailarinas Luana Aguiar, Larissa dos Santos e Giovanna Duarte.
O projeto social Trio da Cultura, idealizado por Nildo Muniz, atende mais de 400 jovens gratuitamente em Campo Grande, zona oeste do Rio, gerando oportunidades de emprego e renda por meio da arte. O projeto é aberto para pessoas de todas as idades e atende gratuitamente em dois endereços diferentes: Vila Olímpica Dr. Sócrates, em Guaratiba; e no Campo Grande Atlético Clube, em Campo Grande. Contatos podem ser feitos pelo instagram @triodacultura ou @rachelmandaron_producoes, ou pelo telefone 21 98359-3945.
Notícias do Brasil
A exposição Notícias do Brasil, composta por peças de Carybé, Cícero Dias e Glauco Rodrigues, pertencentes ao acervo do Sesc RJ, é uma das atrações do festival Hola Rio! As obras foram recuperadas e recolocadas no circuito expositivo. A exibição será na Casa de América, um dos mais importantes centros de arte da Espanha.
A mostra, que estreou em janeiro de 2022 no Espaço Cultural Arte Sesc, em comemoração ao centenário da Semana de Arte Moderna, marcou a reabertura do ambiente, após a instituição restaurar a Mansão Figner, casarão centenário que foi residência do empresário considerado o pioneiro da indústria fonográfica no Brasil, Frederico Figner.
Com curadoria de Marcelo Campos e Pollyana Quintella, Notícias do Brasil é composta por 48 gravuras nas quais é possível perceber um Brasil de forte tradição popular, nas festas, relações interétnicas, vendedoras de tabuleiro, janelas e sacadas dos sobrados coloniais, informou a secretariaa.
Além da exposição, o Sesc RJ levará ao evento a Mostra de Cinema – Território Fluminense, composta por oito filmes que traduzem a cultura e a arte fluminense.
Fonte: EBC Economia
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Projeto mapeia caminhos para economia verde no Nordeste
Um projeto começou a percorrer os nove estados do Nordeste para mapear oportunidades econômicas, setores produtivos, capacidades e competências capazes de contribuir para a transição da região para uma economia de baixo carbono. A iniciativa, chamada Futuros Verdes no Nordeste, reúne o Instituto Clima e Sociedade (iCS) e o Centro de Estudos e Sistemas Avançados de Recife (CESAR).

A proposta é ouvir especialistas e representantes do setor produtivo para transformar o conhecimento sobre sustentabilidade em orientações estratégicas que considerem a diversidade dos territórios nordestinos. O mapeamento também pretende identificar as necessidades de formação e capacitação de profissionais diante das novas exigências impostas pelas mudanças climáticas e pela transformação dos modelos produtivos.
Para Diogo Araújo, biólogo, analista do CESAR e um dos coordenadores do projeto, a transição para uma economia de baixo carbono não acontece de forma automática.
“As oportunidades não se distribuem automaticamente e também não vai ter uma transformação de forma tão natural e tão automática […]. Então é por isso que o Futuros Verdes no Nordeste nasce. Para compreender essa complexidade.”
A região reúne, ao mesmo tempo, alguns dos principais desafios provocados pelas mudanças climáticas e um conjunto de potencialidades para o desenvolvimento de alternativas produtivas mais sustentáveis.
Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a caatinga é um dos biomas mais ameaçados pela desertificação em todo o mundo. Em 2025, segundo o Mapbiomas, três dos cinco estados que mais desmataram estavam no Nordeste: Maranhão, Piauí e Bahia. Quatro das sete cidades brasileiras mais ameaçadas pela elevação do nível do mar também estão na região, segundo a Climate Central: Recife, São Luís, Fortaleza e Salvador.
Por outro lado, 92% de toda a energia eólica produzida no país vem do Nordeste. A região também abriga cinco das 10 maiores usinas solares e tem no turismo uma importante fonte de geração de recursos.
Para o gerente de Recursos Naturais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Mário Cardoso, as oportunidades podem ser ainda mais amplas.
“Você tem potencialidade na bioeconomia, na biodiversidade da caatinga, na questão de biomassa e energia renovável, tanto com etanol quanto energia solar, as energias renováveis, solar e eólica, tudo isso você tem potencialidade”, lista Mario Cardoso, Gerente de Recursos Naturais da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Mas ele emenda uma questão: “Agora, como transformar essa potencialidade em desenvolvimento?
Para o especialista, a resposta é complexa e envolve, entre outros fatores, cadeia de produção, demanda do setor produtivo, potencial de mercado, viabilidade técnica e capacidade de implementação.
“Tem locais que têm vocação para a produção de energia eólica? Tem. Mas ele também depende da linha de transmissão. Potencial, por si só, não gera desenvolvimento. Tem toda uma estratégia por trás, uma condição, uma infraestrutura, uma regulação, tudo o que suporte esse potencial. Não tem resposta simples, não tem solução de prateleira.”
A capacidade de implementação passa também pela formação de profissionais habilitados às novas demandas. Nicolis Amaral, do Instituto Clima e Sociedade (iCS), acredita que é preciso fazer ajustes na formação dos profissionais que vão encarar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.
“As profissões começam a se transformar por demanda” explica a ativista que se formou como engenheira química, mas que apresenta sua própria transição de carreira como um exemplo das mudanças que precisam ser feitas:
“A gente começa a olhar essa grade curricular mais engessada. Eu, por exemplo, sou engenheira química. A minha engenharia química foi focada no petróleo, não foi focada na economia verde. Então, ao longo do tempo, fui me especializando […] hoje eu me vejo como especialista em descarbonização por cursos adicionais, não pela minha graduação.”
Nicolis participa do projeto que percorre os nove estados do Nordeste para mapear oportunidades e pensar na capacitação de profissionais que possam responder às novas exigências.
“Tudo que é demandado é a transformação e o emprego verde vai exigir uma transformação contínua. Tem demanda, tem mercado, tem projeto, tem investimento, junto vem empregabilidade.” defende a engenheira de descarbonização.
Para Cardoso, transformar as potencialidades da região em desenvolvimento exige planejamento e rapidez. Ele lembra que empresas que não adotam processos mais sustentáveis podem perder espaço no mercado e cita as exigências ambientais que vêm sendo estabelecidas por países e blocos econômicos, como a União Europeia.
O desafio, segundo ele, é impedir que a degradação ambiental elimine oportunidades antes mesmo que elas possam se transformar em cadeias produtivas.
“Quando a gente trata da bioeconomia, muitas vezes o desmatamento vem antes e acaba com tudo. A gente tem que correr. Tem que começar a pensar de uma maneira mais pragmática, porque o mundo está andando muito depressa. Hoje, [se] a gente não consegue fazer, o outro lá fora faz e daqui a gente compra dele. Se a gente não transforma nossa bioeconomia, nosso açaí por exemplo, num produto realmente de peso no Brasil, daqui a pouco a gente vai estar comprando ele de outra pessoa, de outro país.
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