Economia
Em 2018, economia no ritmo da eleição
Economia
Analistas não têm dúvidas de que o ano que está terminando trouxe avanços no campo econômico, mas lembram que ainda há muitos desafios a serem superados, como a questão da Previdência, que pode ter espaço central no debate eleitoral
Da Redação
O ano que chega ao fim trouxe notícias alentadoras para a economia. Para o economista José Márcio Camargo, que assina um dos 11 artigos desta edição especial, reformas aprovadas durante o ano, como a trabalhista e a troca da TJLP pela nova TLP nas taxas de juros do BNDES, terão efeitos importantes para a atividade econômica já a partir do ano que vem.
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, lembra que o País chega a dezembro com uma taxa de inflação rodando abaixo de 3% e uma taxa de juros de 7% ao ano, nível nunca antes visto. A taxa de desemprego vem em trajetória de queda. “Estamos convictos de que teremos boas surpresas com nossa economia nos próximos anos”, diz.
O rombo nas contas públicas, de R$ 159 bilhões projetados para este ano e também para 2018, deixa claro que há mudanças estruturais importantes que ainda precisam ser encaminhadas.
A reforma da Previdência, talvez a mais importante dessas mudanças, ficou para o ano que vem – e, para muitos, só deve ser votada mesmo quando um novo governo for eleito. Mesmo assim, para o economista José Roberto Mendonça de Barros, já houve uma vitória nessa questão: hoje, já não pairam mais dúvidas sobre a necessidade de uma reforma. “O diagnóstico de que não existem problemas está hoje restrito à extrema esquerda e aos representantes das corporações públicas.”
Para a economista Zeina Latif, há o reconhecimento dos investidores de que a reforma da Previdência está na agenda política brasileira, devendo ser aprovada pelo próximo presidente. O problema, diz, é se a reforma não for ambiciosa o suficiente para sinalizar que o País conseguirá estabilizar sua dívida pública.
Eleição. O tema da Previdência, assim como das outras reformas, deve estar no centro do debate político em 2018, ano de eleições para presidente da República, governadores, senadores e deputados federais e estaduais. Para Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura, essas questões terão “decisiva influência no resultado das urnas” no ano que vem.
O cientista político Murillo de Aragão avalia que a aprovação da reforma previdenciária, seja ela qual for, poderá fortalecer o governo e seus pré-candidatos na disputa eleitoral.
Mas, segundo o também cientista político Carlos Melo, a recuperação econômica pode ter um efeito eleitoral menor que o esperado pelos candidatos do autodenominado “centro democrático”. “Candidatos de oposição enfatizarão problemas econômicos, lacunas e insatisfações, apontando também o agravamento de questões sociais”, diz. Seja como for, José Luis Oreiro, professor da Universidade de Brasília, afirma que os problemas estruturais do País terão de vir à tona e devem ser discutidos seriamente pelos candidatos em 2018.
A recuperação econômica brasileira também pode enfrentar ameaças externas. Barry Eichengreen, professor da Universidade da Califórnia em Berkeley, lembra que paira sobre o mundo o risco Trump – que pode, por exemplo, desencadear uma guerra comercial com a China ou o México, ou uma guerra, mesmo, contra a Coreia do Norte, com resultados desastrosos para todo o planeta.
Fonte: O Estado de S.Paulo
Foto: André Dusek/Estadão
Economia
Sindicatos realizam ato pelo direito ao descanso e fim da escala 6×1
Trabalhadores, aposentados, estudantes e ativistas foram às ruas em diversas cidades brasileiras nesta sexta-feira, 1º de maio, feriado que celebra o Dia Internacional do Trabalhador. 

Na pauta de reivindicações, as principais bandeiras eram o fim da escala de seis dias de trabalho e um de descanso (escala 6×1), sem redução salarial. Em Brasília, a manifestação foi no Eixão do Lazer, na Asa Sul.
A empregada doméstica Cleide Gomes, de 59 anos, foi ao ato com o neto, de 5 anos, a nora e a mãe, de 80, para cobrarem direitos trabalhistas.
Cleide, que atualmente trabalha com carteira assinada, recorda da época em que foi feirante autônoma e auxiliar de serviços gerais, sem carteira de trabalho. Ela chama a atenção para as ilegalidades cometidas contra suas colegas de profissão.
“Conheço pessoas que, agora, estão no trabalho, pois o patrão fala que hoje não é feriado, mas ponto facultativo. As coitadas não vão receber hora extra porque não sabem de seus direitos.”
O ato unificado 1º de Maio da Classe Trabalhadora foi organizado por setes centrais sindicais do Distrito Federal, com atrações culturais e discursos.
O movimento argumenta que a redução da jornada, ao contrário do que dizem empresas, não prejudica a economia e aumenta a produtividade, sendo uma questão de justiça social e um direito dos trabalhadores.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores no Distrito Federal (CUT-DF), Rodrigo Rodrigues, cita exemplos de sucesso na redução da jornada e critica o que classificou como “terrorismo” feito por algumas empresas.
“O descanso é uma necessidade humana e apenas um dia de descanso coloca os trabalhadores em uma situação de desprezo e de desgaste muito grandes. Portanto, reduzir a jornada é uma [questão de] justiça social, é um direito do trabalhador ao seu tempo e é também uma medida inteligente das empresas que fazem porque elas aumentam a produtividade, ao contrário do que diz o terrorismo que está sendo pregado.”
Lutas
A trabalhadora informal Idelfonsa Dantas participou da manifestação em busca de melhores condições para a população e, especificamente, pela redução da escala de trabalho. A vendedora considera que a luta deve ser diária.
“A gente sempre busca o melhor para a população trabalhadora.”
As bibliotecárias Kelly Lemos e Ellen Rocha passaram no concurso público da Secretaria de Educação do Distrito Federal em 2022 e estão desempregadas.
Enquanto, aguardam a nomeação para as vagas, elas lutam pela valorização das carreiras dos profissionais de educação e por melhores oportunidades.
“As crianças precisam de professores mais valorizados nas escolas”, defendeu Elen Rocha.
Tempo livre
Os cartazes com frases pelo fim da escala de trabalho 6×1 contribuíram para que três mulheres se unissem durante o protesto para defender mais tempo livre e, assim, garantir autocuidado, lazer e convivência em família.
A estagiária de psicopedagogia Ana Beatriz Oliveira, de 21 anos, trabalha com desenvolvimento de crianças neuro divergentes e tem duas folgas semanais.
Ela conta que por um ano trabalhou em grandes centros logísticos, com jornadas exaustivas que invadiam a madrugada e incluíam turnos dobrados. Como consequência, percebeu prejuízos em sua formação educacional e na saúde.
Ao mudar para escala de cinco dias de trabalho e dois de descanso (5×2), Ana Beatriz percebeu melhorias na qualidade do sono, da alimentação, além de mais disposição no dia a dia.
“Sou extremamente contra a escala 6×1. Essa tem que acabar para ontem. Vejo que a redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40, é muito possível. Se fizer tudo direito, com o planejamento das escalas, a gente vai trabalhar mais descansado, com mais qualidade e produzir mais.”
A aposentada Ana Campania chama a escala 6×1 de “escala da escravidão” e foi ao ato exigir o fim da precarização da mão de obra.
“Hoje é o nosso dia de luta por melhores condições. Principalmente, nesse momento que querem acabar com conquistas de muitas décadas. Por exemplo, a estabilidade dos servidores, garantias da CLT [Consolidação das Leis do Trabalho].”
Jornada feminina
Sindicalista com atuação de longa data na defesa dos direitos de operadores de telemarketing, Geraldo Estevão Coan veio ao ato desta sexta-feira e aproveitou para protestar por outra pauta: o fim da jornada dupla e até mesmo tripla que as mulheres trabalhadoras enfrentam no país. Para ele, os homens precisam compartilhar as tarefas de cuidado da casa e filhos
“O fim da escala 6×1 tem que beneficiar muito mais as mulheres. Nós, os maridos, também temos que nos conscientizar de que não é só a mulher que precisa cuidar da casa.”
Confronto
O ato em Brasília registrou um confronto entre manifestantes e apoiadores de Jair Bolsonaro. Tudo aconteceu depois que os simpatizantes levaram um boneco do ex-presidente em tamanha real vestido com uma capa da bandeira da Brasil.
O gesto durante o ato público foi encarado como provocação pelos manifestantes no Eixão Sul. Houver troca de insultos e socos, mas o princípio de tumulto foi contido pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).
“Pessoas com posicionamentos ideológicos divergentes iniciaram provocações e embates verbais entre si. As equipes policiais atuaram de forma rápida restabelecendo a ordem pública sem registro de ocorrências graves”, diz a publicação da PMDF.
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