Economia
Dólar alto não assusta brasileiras grávidas nos EUA
Economia
Segundo consultoras, casais brasileiros ainda encontram vantagens em viajar para os Estados Unidos para adquirir o enxoval do bebê
Da Redação
A valorização do dólar, que acumula alta de mais de 25% no ano, tem atrapalhado a vida de quem faz planos para viajar. Entretanto, há uma classe de profissionais no segmento do turismo de consumo que afirma que o câmbio alto não é prejudicial. As consultoras de compras, ou ‘personal shoppers’ – brasileiras que vivem nos Estados Unidos e orientam turistas que fazem compras por lá – garantem que a demanda de clientes segue a todo vapor. E não muda nem se o dólar bater em R$ 5.
“A gente percebe que quando o dólar sobe, os clientes param de responder os e-mails. Mas em uma semana eles já estão fechando os pacotes e preparando as malas”, conta Priscila Goldenberg, profissional que atua principalmente no segmento de enxoval para bebês.
Sua empresa atende uma média de 100 casais por mês, a maioria das classes alta e média alta, e possui bases de operação nas cidades de Miami, Orlando, Nova Iorque, Los Angeles e Las Vegas.
É a mesma percepção de Paula Laffront, que também atua no nicho. De acordo com ela, o dólar alto assusta os clientes em um primeiro momento, mas logo os preços dos produtos são reajustados também no Brasil e, no fim das contas, os clientes percebem que vale a pena viajar para os exterior para fazer suas compras. “Mesmo se o dólar chegar a R$ 5, continua compensando vir aos Estados Unidos”, afirma.
Fábio Mariano, especialista em comportamento do consumidor e professor da ESPM, acredita que a variação da moeda tem um impacto pequeno no público que é atendido por esse tipo de profissionais. De acordo com ele, um dos motivos é que o público de renda mais alta tende a possuir reservas em moeda estrangeira.
“E ainda há uma série de produtos que não são encontrados no mercado brasileiro. Quem está indo para lá vai procurar algo que não vai encontrar por aqui. E além disso, o mercado americano oferece muitas vantagens para o cliente. É o rei da promoção”, afirma.
Um levantamento preparado por Priscila, com 30 itens que compõem uma cesta de compras média de seus clientes, aponta que a diferença de preço entre uma compra no Brasil e nos Estados Unidos chega a R$ 10.500, ou 120%. O estudo foi feito com o dólar cotado a R$ 4,30. Segundo ela, em média, seus clientes desembolsam de US$ 3,5 mil a US$ 5,5 mil para comprar os itens para seus bebês.
De acordo com Paula, que além dela possui mais sete consultoras em sua equipe, o enxoval de bebê nos Estados Unidos virou uma lista de desejo, como são os ‘chás de bebê’ e já faz parte da ‘gravidez’ do seu público.
“É toda uma experiência que conta. Além disso, os clientes que buscam qualidade nos produtos nunca deixam de viajar para comprar, pois a qualidade dos produtos estrangeiros é muito superior”, afirma.
Elas também afirmam que em épocas de alta do dólar, é comum que companhias aéreas façam promoções para os traslados. Ainda, como os clientes têm poder aquisitivo mais alto, acabam conseguindo comprar as hospedagens e passagens aéreas por programas de milhas, o que reduz os custos. As duas, que já desempenham as atividades há pelos menos 10 anos, contam que já viveram outros períodos de alta do dólar e que, mesmo nestas épocas, o movimento segue o mesmo.
Em média, o dia de compras orientado pelas consultoras sai por volta de US$ 400. Como possuem parcerias com as lojas, elas afirmam conseguir ainda mais descontos para os clientes.
Fonte: O Estado de S.Paulo (https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,dolar-alto-nao-assusta-brasileiras-gravidas-nos-eua,70002501147)
Economia
Sindicatos realizam ato pelo direito ao descanso e fim da escala 6×1
Trabalhadores, aposentados, estudantes e ativistas foram às ruas em diversas cidades brasileiras nesta sexta-feira, 1º de maio, feriado que celebra o Dia Internacional do Trabalhador. 

Na pauta de reivindicações, as principais bandeiras eram o fim da escala de seis dias de trabalho e um de descanso (escala 6×1), sem redução salarial. Em Brasília, a manifestação foi no Eixão do Lazer, na Asa Sul.
A empregada doméstica Cleide Gomes, de 59 anos, foi ao ato com o neto, de 5 anos, a nora e a mãe, de 80, para cobrarem direitos trabalhistas.
Cleide, que atualmente trabalha com carteira assinada, recorda da época em que foi feirante autônoma e auxiliar de serviços gerais, sem carteira de trabalho. Ela chama a atenção para as ilegalidades cometidas contra suas colegas de profissão.
“Conheço pessoas que, agora, estão no trabalho, pois o patrão fala que hoje não é feriado, mas ponto facultativo. As coitadas não vão receber hora extra porque não sabem de seus direitos.”
O ato unificado 1º de Maio da Classe Trabalhadora foi organizado por setes centrais sindicais do Distrito Federal, com atrações culturais e discursos.
O movimento argumenta que a redução da jornada, ao contrário do que dizem empresas, não prejudica a economia e aumenta a produtividade, sendo uma questão de justiça social e um direito dos trabalhadores.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores no Distrito Federal (CUT-DF), Rodrigo Rodrigues, cita exemplos de sucesso na redução da jornada e critica o que classificou como “terrorismo” feito por algumas empresas.
“O descanso é uma necessidade humana e apenas um dia de descanso coloca os trabalhadores em uma situação de desprezo e de desgaste muito grandes. Portanto, reduzir a jornada é uma [questão de] justiça social, é um direito do trabalhador ao seu tempo e é também uma medida inteligente das empresas que fazem porque elas aumentam a produtividade, ao contrário do que diz o terrorismo que está sendo pregado.”
Lutas
A trabalhadora informal Idelfonsa Dantas participou da manifestação em busca de melhores condições para a população e, especificamente, pela redução da escala de trabalho. A vendedora considera que a luta deve ser diária.
“A gente sempre busca o melhor para a população trabalhadora.”
As bibliotecárias Kelly Lemos e Ellen Rocha passaram no concurso público da Secretaria de Educação do Distrito Federal em 2022 e estão desempregadas.
Enquanto, aguardam a nomeação para as vagas, elas lutam pela valorização das carreiras dos profissionais de educação e por melhores oportunidades.
“As crianças precisam de professores mais valorizados nas escolas”, defendeu Elen Rocha.
Tempo livre
Os cartazes com frases pelo fim da escala de trabalho 6×1 contribuíram para que três mulheres se unissem durante o protesto para defender mais tempo livre e, assim, garantir autocuidado, lazer e convivência em família.
A estagiária de psicopedagogia Ana Beatriz Oliveira, de 21 anos, trabalha com desenvolvimento de crianças neuro divergentes e tem duas folgas semanais.
Ela conta que por um ano trabalhou em grandes centros logísticos, com jornadas exaustivas que invadiam a madrugada e incluíam turnos dobrados. Como consequência, percebeu prejuízos em sua formação educacional e na saúde.
Ao mudar para escala de cinco dias de trabalho e dois de descanso (5×2), Ana Beatriz percebeu melhorias na qualidade do sono, da alimentação, além de mais disposição no dia a dia.
“Sou extremamente contra a escala 6×1. Essa tem que acabar para ontem. Vejo que a redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40, é muito possível. Se fizer tudo direito, com o planejamento das escalas, a gente vai trabalhar mais descansado, com mais qualidade e produzir mais.”
A aposentada Ana Campania chama a escala 6×1 de “escala da escravidão” e foi ao ato exigir o fim da precarização da mão de obra.
“Hoje é o nosso dia de luta por melhores condições. Principalmente, nesse momento que querem acabar com conquistas de muitas décadas. Por exemplo, a estabilidade dos servidores, garantias da CLT [Consolidação das Leis do Trabalho].”
Jornada feminina
Sindicalista com atuação de longa data na defesa dos direitos de operadores de telemarketing, Geraldo Estevão Coan veio ao ato desta sexta-feira e aproveitou para protestar por outra pauta: o fim da jornada dupla e até mesmo tripla que as mulheres trabalhadoras enfrentam no país. Para ele, os homens precisam compartilhar as tarefas de cuidado da casa e filhos
“O fim da escala 6×1 tem que beneficiar muito mais as mulheres. Nós, os maridos, também temos que nos conscientizar de que não é só a mulher que precisa cuidar da casa.”
Confronto
O ato em Brasília registrou um confronto entre manifestantes e apoiadores de Jair Bolsonaro. Tudo aconteceu depois que os simpatizantes levaram um boneco do ex-presidente em tamanha real vestido com uma capa da bandeira da Brasil.
O gesto durante o ato público foi encarado como provocação pelos manifestantes no Eixão Sul. Houver troca de insultos e socos, mas o princípio de tumulto foi contido pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).
“Pessoas com posicionamentos ideológicos divergentes iniciaram provocações e embates verbais entre si. As equipes policiais atuaram de forma rápida restabelecendo a ordem pública sem registro de ocorrências graves”, diz a publicação da PMDF.
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