Economia
Caixa libera dinheiro de antigo fundo PIS/Pasep; veja como sacar
Economia
Empregados com carteira assinada e servidores públicos que trabalharam de 1971 a 1988 e estão na fila para sacar cotas do antigo fundo Programa de Integração Social (PIS) e Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) podem reaver o valor. A Caixa Econômica Federal começou a pagar nesta quinta-feira (25) um novo lote de valores esquecidos.

Nesta rodada, recebem aqueles que pediram o ressarcimento até 31 de maio. O valor médio pago varia de R$ 2,8 mil a R$ 2,9 mil, dependendo do tempo de trabalho e do salário da época.
Quem tem direito
Podem sacar os valores:
- Trabalhadores com carteira assinada entre 1971 e 1988;
- Servidores públicos do mesmo período;
- Herdeiros ou dependentes legais, em caso de falecimento;
- Quem pediu o dinheiro até 31 de março.
O benefício não tem relação com o abono salarial atual do PIS/Pasep, pago anualmente. Trata-se de cotas de um fundo antigo, extinto em 2020.
Como consultar
A consulta é feita pelo portal Repis Cidadão, com login via conta Gov.br nos níveis prata e ouro.
Passo a passo:
- Acesse o site e faça login com CPF e senha;
- Informe o número do PIS/Pasep ou NIS (se solicitado);
- Clique em “pesquisar”;
- O sistema indicará se há valores e como proceder.
Também é possível consultar pelo aplicativo do FGTS.
Como pedir o pagamento
O pedido pode ser feito de duas formas:
Pelo aplicativo FGTS:
- Acesse “Mais”;
- Clique em “Ressarcimento PIS/Pasep”;
- Envie os documentos e acompanhe o pedido.
Em uma agência da Caixa:
- Leve documento oficial com foto.
O pagamento é feito por crédito em conta. Quem não tiver conta na Caixa receberá automaticamente uma poupança social digital, movimentada pelo app Caixa Tem.
Herdeiros
Herdeiros também podem solicitar o valor, desde que apresentem:
- Documento de identificação;
- Certidão de dependentes ou autorização judicial;
- Documento que comprove vínculo com o titular.
Calendário
O pagamento depende da data em que o pedido foi feito, de acordo com a Caixa. Próximos lotes:
- Até 31/05/2026 → recebe em 25/06/2026 (lote atual);
- Até 30/06/2026 → recebe em 27/07/2026;
- Até 31/07/2026 → recebe em 25/08/2026;
- Até 31/08/2026 → recebe em 25/09/2026;
- Até 30/09/2026 → recebe em 26/10/2026;
- Até 31/10/2026 → recebe em 25/11/2026;
- Até 30/11/2026 → recebe em 28/12/2026;
- Até 31/12/2026 → recebe em janeiro de 2027.
Fundo PIS/Pasep
Criado na década de 1970, o fundo reunia recursos para complementar a renda de trabalhadores e servidores. Em 1988, foi substituído pelo modelo atual de abono salarial.
Os valores não sacados foram transferidos em 2020 para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e, depois, ao Tesouro Nacional. Agora, o governo permite o resgate mediante pedido.
Prazo para sacar
O pedido pode ser feito até setembro de 2028. Após esse prazo, os valores serão incorporados definitivamente ao Tesouro, sem possibilidade de saque.
Canais de dúvidas
A Caixa oferece atendimento pelos seguintes canais:
- Telefone: 0800-726-0207;
- SAC: 0800-726-0101;
- Ouvidoria: 0800-725-7474;
- Site: caixa.gov.br.
A orientação é verificar quanto antes se há valores disponíveis para evitar perder o prazo.
Economia
Petroleiros pedem Petrobras mais estatal e menor repasse a acionistas
A Federação Única dos Petroleiros (FUP) divulgou, nesta terça-feira (11), 50 propostas para o setor de óleo e gás no Brasil e para transição energética. A instituição pede o fortalecimento do papel da Petrobras, o aumento do controle estatal sobre a companhia, assim como a reestatização de refinarias e a redução de dividendos pagos aos acionistas da petroleira. 

Reunidos na FUP, os trabalhadores defendem, entre outras medidas, o retorno à obrigatoriedade da Petrobras como operadora única no regime de partilha em áreas do pré-sal brasileiro, conforme previsto originalmente na Lei nº 12.351 de 2010.
A legislação original previa que a Petrobras teria, no mínimo, 30% de cada campo, sendo a responsável por conduzir os consórcios formados com outras companhias privadas. Com a destituição da presidente Dilma Rousseff em 2016, a Lei 13.365 mudou essa regra e acabou com a obrigação da Petrobras de liderar a exploração no pré-sal.
A categoria defende ainda ampliar o controle acionário estatal sobre a Petrobras e reformar o sistema de governança da companhia para “reverter” as transformações que orientaram a empresa para “maximização” e distribuição de lucros no curto prazo, o que tende a favorecer os acionistas.
“Recomenda-se a revisão do seu Estatuto Social; adequação da sua política de remuneração aos acionistas a Lei das Sociedades Anônimas, que fixa limite a 25% do lucro líquido, para explicitar a primazia do interesse público”, diz o documento.
A Plataforma de Políticas Públicas do Setor de óleo e Gás 2027-2030: Soberania Energética e Transição Energética Justa foi desenhada em parceria com o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep).
A coordenadora-geral da FUP, Cibele Vieira, destacou que as propostas foram elaboradas a partir do Congresso Nacional da FUP, com cerca de 400 participantes, com objetivo de influenciar o debate público em meio às eleições de 2026.
“A eleição é o momento, dentro da democracia, em que o país se volta para debater a si mesmo. É nesse momento que temos que nos colocar. Nós, trabalhadores e trabalhadoras, temos uma visão, um projeto de país”, afirmou, em cerimônia no Congresso Nacional, em Brasília.
A FUP defende ainda que a transição energética privilegie o desenvolvimento nacional, “não pela abrupta eliminação dos fósseis”, lembrando que o setor responde por 45% da demanda interna de energia, cerca de 13% do Produto Interno Bruto (PIB), lidera a pauta de exportações e soma mais de 600 mil empregos diretos e indiretos.
“Não pode ser uma transição energética de discurso vazio e fácil. Tem de ser uma transição que considere o ser humano, o combate à pobreza energética e o meio ambiente e não trate essas coisas dissociadas”, justificou Cibele.
Distribuição justa da riqueza
O documento é estruturado em quatro eixos, sendo o primeiro Soberania Nacional e Distribuição Justa da Riqueza que defende a criação de um comitê para gestão da renda petrolífera, que seria responsável por definir os objetivos de fundos como o do Pré-sal e do Clima.
A plataforma da FUP pede ainda a criação do Fundo Estabiliza Brasil, para mitigar a volatilidade do mercado global de petróleo, e do Fundo para Transição Energética.
Uma das propostas é a criação de imposto permanente sobre exportação de petróleo cru, para favorecer o refino nacional, e um tributo sobre lucros extraordinários das empresas do setor para financiar a transição energética.
Desenvolvimento Social e Integração Produtiva
O segundo eixo prevê a criação de uma política para incentivar as indústrias nacionais ligadas ao setor de óleo e gás e a promoção da integração produtiva latino-americana.
A diretora técnica do Ineep, Ticiana Alvares, destacou que a segurança energética permite ao Estado se defender frente a ameaças externas à soberania e ao desenvolvimento do país.
“A soberania energética diz respeito também à forma como o Estado consegue se apropriar dos seus recursos energéticos. É, portanto, o conceito mais vinculado à ideia do desenvolvimento nacional”, comentou.
O Eixo 2 da plataforma propõe ainda ampliar a capacidade de refino do país e defende revogar a Lei do Novo Mercado de Gás (14.134/2021). “O modelo atual priorizou a liberalização e a desverticalização do segmento, o que resultou em fragmentação da cadeia, dificuldades na expansão da infraestrutura e aumento das tarifas”, diz o texto.
O documento critica o modelo para definição do preço do gás natural no Brasil, considerado alto na comparação internacional, “mesmo com cerca de 75% do consumo supridos por produção interna. É preciso substituir a indexação das referências internacionais por metodologia ancorada nos custos domésticos de produção”.
Foco na Petrobras
O terceiro eixo, que foca na Petrobras, propõe a ampliação dos investimentos em exploração de óleo e gás no Brasil e no exterior, assim como a reestatização de ativos privatizados nos últimos anos, incluindo as refinarias de Mataripe (BA), Clara Camarão (RN) SIX (PR) e Ream (AM).
O documento da FUP sugere a reestatização da BR Distribuidora e da Liquigás para, entre outros objetivos, “reduzir margens excessivas de lucro no segmento”, e defende fortalecer a presença da Petrobras na produção de fertilizantes.
Transição Energética Justa
O último eixo do documento defende a ampliação da participação social e sindical na formulação e implementação de políticas para transição energética. Propõe também a criação do Programa Nacional de Adaptação às Mudanças do Clima.
A erradicação da pobreza energética, inserção do Brasil nas cadeias globais de minerais críticos, fundamentais para indústria da transição, e o fomento à economia do hidrogênio verde estão entre as propostas da categoria para o tema.
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