Economia
Após bater recorde, dólar recua para R$ R$ 4,16 e Bolsa avança 1%
Economia
Na véspera, moeda americana havia fechado a R$ 4,1998, maior valor nominal desde a criação do Plano Real
Da Redação
O dólar teve um dia de trégua nesta sexta-feira, 14, após encostar em R$ 4,20 ontem e chegar à maior cotação nominal do Plano Real. Depois de uma manhã volátil, a moeda engatou queda na parte da tarde e terminou o dia em R$ 4,1649, baixa de 0,83%. Mesmo assim, a moeda teve a segunda semana consecutiva de alta, acumulando valorização de 1,96% nos últimos cinco dias, e de 2,47% no mês.
Nas mesas de câmbio de bancos, gestoras e corretoras, o cenário para as eleições seguiu dominando as atenções e o dia foi de expectativa pela pesquisa eleitoral do Datafolha, que será divulgada às 19h.
Mesmo após a alta de ontem, no começo do dia o dólar encontrou fôlego para subir um pouco mais e chegar a R$ 4,21 na abertura. Mas o movimento perdeu força e o real acabou se descolando de outras moedas de emergentes, que hoje perderam valor ante a moeda dos EUA. À tarde, chegou a cair para a casa dos R$ 4,15.
Apesar da queda, especialistas alertam que a volatilidade vai continuar alta no mercado, que deve oscilar com o noticiário sobre as eleições e novas pesquisas eleitorais. “A temática eleitoral tem predominado de forma contundente no mercado”, afirma o economista-Chefe da DMI Group, Daniel Xavier. O tema eleitoral tem preocupado também lá fora.
A gestora inglesa Ashmore Investment ressalta em relatório que há preocupações sobre como vai ficar a campanha de Jair Bolsonaro (PSL) após a facada de que foi vítima. Já o banco de investimento norte-americano Brown Brothers Harriman & Co. (BBH) destaca hoje que Luiz Inácio Lula da Silva tenta transferir votos para Fernando Haddad, que assumiu a cabeça de chapa do PT no lugar do ex-presidente.
Além da pesquisa do Datafolha que sai hoje, o Ibope deve divulgar novo levantamento na próxima terça-feira (18). Operadores ressaltam que o mercado quer ver, principalmente, como será o desempenho de Haddad e se Bolsonaro deve crescer ainda mais e/ou reduzir seus níveis de rejeição. O diretor da corretora Correparti, Jefferson Rugik, acredita que, até que as eleições estejam definidas, o câmbio deve continuar volátil. “Sobe num dia, cai no outro. É assim que a gente vai ver o mercado até o fim das eleições”, disse.
Rugik explica que a queda do dólar hoje tem relação com um movimento de desmonte de posições. “O investidor consegue ficar comprado até um certo nível. Quando chega no teto, desmonta posições”, aponta. Mesmo com a forte pressão compradora nos últimos dias, o Banco Central tem ficado de fora do mercado, fazendo apenas leilões diários de rolagem de contratos de swap.
Bolsa de Valores
Uma recuperação mais robusta de ações de primeira linha conduziu a Bolsa a uma alta de 0,99% nesta sexta-feira, 14, aos 75.429,09 pontos. A valorização ocorreu em meio ao noticiário eleitoral mais ameno, apesar da expectativa por novas pesquisas de intenção de voto. No acumulado da semana, no entanto, o índice contabilizou perda de 1,29%, reflexo principalmente das incertezas quanto à formação do segundo turno da eleição presidencial.
Operadores afirmaram que a proximidade do vencimento do mercado de opções sobre ações, na segunda-feira (17), exerceu importante influência para o resultado do Ibovespa no final do dia. Petrobras PN (+0,43%), Vale ON (+2,64%) e Itaú Unibanco PN (+1,76%), principais papéis negociados no exercício, foram também os mais negociados hoje e os que mais contribuíram para impulsionar o índice.
Até o início da tarde, o Ibovespa já havia percorrido o terreno positivo e o negativo, ao sabor de influências externas. As bolsas de Nova York tiveram um pregão de instabilidade, influenciadas, entre outros fatores, pelos relatos de que o presidente Donald Trump irá prosseguir com as tarifas sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses. Foi nesse ambiente que o Ibovespa registrou mínimas, após as 13h, até os 74.444,78 pontos (-0,32%). O rompimento do suporte dos 75 mil pontos gerou uma recuperação gradativa, iniciada pelos papéis da Vale, e houve um posterior descolamento de Nova York.
A recuperação das ações, no entanto, não escondeu a cautela do investidor ante o cenário eleitoral indefinido. É esperada para perto das 19h a divulgação da pesquisa de intenções de voto do Datafolha. Será o primeiro levantamento de um grande instituto de pesquisas após o PT ter formalizado Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, como candidato à Presidência, no lugar de Luiz Inácio Lula da Silva. Para a próxima semana, já estão marcadas as divulgações das pesquisas CNT/MDA, na segunda-feira, e Ibope/Estadão/Rede Globo, na terça.
“O cenário eleitoral está cada vez mais complexo, com Jair Bolsonaro em uma zona de indefinição muito grande, sem capacidade de gerir sua campanha, e em meio a diversos ruídos em relação ao futuro de sua campanha”, disse Shin Lai, estrategista da Upside Investor.
Fonte: O Estado de S.Paulo
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Economia
Sindicatos realizam ato pelo direito ao descanso e fim da escala 6×1
Trabalhadores, aposentados, estudantes e ativistas foram às ruas em diversas cidades brasileiras nesta sexta-feira, 1º de maio, feriado que celebra o Dia Internacional do Trabalhador. 

Na pauta de reivindicações, as principais bandeiras eram o fim da escala de seis dias de trabalho e um de descanso (escala 6×1), sem redução salarial. Em Brasília, a manifestação foi no Eixão do Lazer, na Asa Sul.
A empregada doméstica Cleide Gomes, de 59 anos, foi ao ato com o neto, de 5 anos, a nora e a mãe, de 80, para cobrarem direitos trabalhistas.
Cleide, que atualmente trabalha com carteira assinada, recorda da época em que foi feirante autônoma e auxiliar de serviços gerais, sem carteira de trabalho. Ela chama a atenção para as ilegalidades cometidas contra suas colegas de profissão.
“Conheço pessoas que, agora, estão no trabalho, pois o patrão fala que hoje não é feriado, mas ponto facultativo. As coitadas não vão receber hora extra porque não sabem de seus direitos.”
O ato unificado 1º de Maio da Classe Trabalhadora foi organizado por setes centrais sindicais do Distrito Federal, com atrações culturais e discursos.
O movimento argumenta que a redução da jornada, ao contrário do que dizem empresas, não prejudica a economia e aumenta a produtividade, sendo uma questão de justiça social e um direito dos trabalhadores.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores no Distrito Federal (CUT-DF), Rodrigo Rodrigues, cita exemplos de sucesso na redução da jornada e critica o que classificou como “terrorismo” feito por algumas empresas.
“O descanso é uma necessidade humana e apenas um dia de descanso coloca os trabalhadores em uma situação de desprezo e de desgaste muito grandes. Portanto, reduzir a jornada é uma [questão de] justiça social, é um direito do trabalhador ao seu tempo e é também uma medida inteligente das empresas que fazem porque elas aumentam a produtividade, ao contrário do que diz o terrorismo que está sendo pregado.”
Lutas
A trabalhadora informal Idelfonsa Dantas participou da manifestação em busca de melhores condições para a população e, especificamente, pela redução da escala de trabalho. A vendedora considera que a luta deve ser diária.
“A gente sempre busca o melhor para a população trabalhadora.”
As bibliotecárias Kelly Lemos e Ellen Rocha passaram no concurso público da Secretaria de Educação do Distrito Federal em 2022 e estão desempregadas.
Enquanto, aguardam a nomeação para as vagas, elas lutam pela valorização das carreiras dos profissionais de educação e por melhores oportunidades.
“As crianças precisam de professores mais valorizados nas escolas”, defendeu Elen Rocha.
Tempo livre
Os cartazes com frases pelo fim da escala de trabalho 6×1 contribuíram para que três mulheres se unissem durante o protesto para defender mais tempo livre e, assim, garantir autocuidado, lazer e convivência em família.
A estagiária de psicopedagogia Ana Beatriz Oliveira, de 21 anos, trabalha com desenvolvimento de crianças neuro divergentes e tem duas folgas semanais.
Ela conta que por um ano trabalhou em grandes centros logísticos, com jornadas exaustivas que invadiam a madrugada e incluíam turnos dobrados. Como consequência, percebeu prejuízos em sua formação educacional e na saúde.
Ao mudar para escala de cinco dias de trabalho e dois de descanso (5×2), Ana Beatriz percebeu melhorias na qualidade do sono, da alimentação, além de mais disposição no dia a dia.
“Sou extremamente contra a escala 6×1. Essa tem que acabar para ontem. Vejo que a redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40, é muito possível. Se fizer tudo direito, com o planejamento das escalas, a gente vai trabalhar mais descansado, com mais qualidade e produzir mais.”
A aposentada Ana Campania chama a escala 6×1 de “escala da escravidão” e foi ao ato exigir o fim da precarização da mão de obra.
“Hoje é o nosso dia de luta por melhores condições. Principalmente, nesse momento que querem acabar com conquistas de muitas décadas. Por exemplo, a estabilidade dos servidores, garantias da CLT [Consolidação das Leis do Trabalho].”
Jornada feminina
Sindicalista com atuação de longa data na defesa dos direitos de operadores de telemarketing, Geraldo Estevão Coan veio ao ato desta sexta-feira e aproveitou para protestar por outra pauta: o fim da jornada dupla e até mesmo tripla que as mulheres trabalhadoras enfrentam no país. Para ele, os homens precisam compartilhar as tarefas de cuidado da casa e filhos
“O fim da escala 6×1 tem que beneficiar muito mais as mulheres. Nós, os maridos, também temos que nos conscientizar de que não é só a mulher que precisa cuidar da casa.”
Confronto
O ato em Brasília registrou um confronto entre manifestantes e apoiadores de Jair Bolsonaro. Tudo aconteceu depois que os simpatizantes levaram um boneco do ex-presidente em tamanha real vestido com uma capa da bandeira da Brasil.
O gesto durante o ato público foi encarado como provocação pelos manifestantes no Eixão Sul. Houver troca de insultos e socos, mas o princípio de tumulto foi contido pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).
“Pessoas com posicionamentos ideológicos divergentes iniciaram provocações e embates verbais entre si. As equipes policiais atuaram de forma rápida restabelecendo a ordem pública sem registro de ocorrências graves”, diz a publicação da PMDF.
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