Economia
Apesar de alta pequena, PIB do 3º trimestre amplia otimismo do mercado sobre recuperação
Economia
Resultado divulgado nesta sexta-feira, 1, pelo IBGE aponta que o PIB do País subiu 0,1% no 3º trimestre deste ano; ministro da Fazenda destacou o desempenho da indústria entre julho e setembro, com uma alta de 0,8% na produção
Da Redação
Com alta de apenas 0,1% sobre os três meses anteriores, o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestreconfirmou, segundo economistas, o quadro de recuperação lenta da economia.
O resultado reforça a percepção de que a retomada não será fácil, nem automática, como avaliou o professor da PUC-SP, Antonio Correa de Lacerda. A boa notícia, por outro lado, é que a recuperação segue em curso e o fim da recessão parece estar “consolidado”, segundo os analistas.
E, como as revisões do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelaram que o PIB dos dois primeiros trimestres foi melhor do que o divulgado anteriormente, instituições como os bancos Santander e Bradesco, bem como a gestora de ativos ARX, passaram a trabalhar com viés de alta em suas previsões de crescimento da economia em 2017.
De um avanço estimado, por enquanto, entre 0,8% e 0,9%, a economia poderá terminar o ano com crescimento superior a 1%.
No banco Pine, a estimativa já foi revista de 0,8% para 1%. A possibilidade de a reforma da Previdência não ser aprovada e as incertezas decorrentes das eleições de 2018 colocam-se, no entanto, como as grandes ameaças ao movimento de recuperação.
A exemplo do segundo trimestre, o consumo das famílias foi a principal força propulsora do crescimento do resultado anunciado hoje pelo IBGE. Os saques de contas inativas do FGTS, o recuo da inflação e a queda do desemprego permitiram um avanço de 1,2% nessa rubrica.
Aos gastos das famílias, somou-se a volta dos investimentos, que subiram 1,6% nos três meses encerrados em setembro, depois de 15 trimestres praticamente ininterruptos em baixa.
Em comentário publicado em sua conta no Twitter poucas horas após a divulgação das contas nacionais, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, valorizou a alta dos investimentos, um sinal de “otimismo em relação ao futuro”, e o desempenho da indústria, cujo crescimento foi de 0,8%.
“O crescimento do PIB entre julho e setembro, de 0,1% contra o trimestre anterior, pode parecer baixo, mas é forte se analisado por setores. Sem a agricultura, que caiu por razões sazonais, o crescimento foi de 1,1%”, observou o titular da Fazenda.
Para o economista e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Paulo Picchetti, embora o PIB do terceiro trimestre reforce o quadro de reação da economia, o padrão da retomada está muito mais demorado se comparado a outros períodos de recuperação.
Numa leitura parecida, Lacerda, da PUC, acredita que o terceiro trimestre – que coloca o Brasil à frente apenas da Dinamarca e Suíça num levantamento da Austing Rating sobre o desempenho de 47 economias no período -, trouxe uma espécie de banho de água fria no discurso de retomada repetido exaustivamente pela equipe econômica do governo.
“O hiato está muito grande porque tivemos dois anos de quedas muito pronunciadas e este ano uma estabilização em uma base muito baixa”, explicou.
Otimismo cresce. Em teleconferência feita após a divulgação do PIB, o economista do Santander Rodolfo Margato adiantou que o banco atribuiu um viés de alta à sua estimativa de crescimento de 0,8% da economia neste ano.
A projeção poderá subir para a faixa de 1% a 1,1%, mas os economistas do Santander vão esmiuçar os novos dados para decidir sobre a revisão ou não.
Em relatório, o Bradesco comentou que as contas nacionais reforçam a percepção de recuperação consistente, mas gradual, e informou que a projeção de crescimento de 0,9% do PIB no ano ganhou viés de alta.
A economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour Chachamovitz, afirma que a retomada está “bem consolidada”. Sua expectativa para 2017 segue em crescimento de 0,8% do PIB, mas a economista disse não descartar um número maior, na faixa de 0,9%.
Fonte: O Estado de S.Paulo / EDUARDO LAGUNA, MARIA REGINA SILVA, FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, KARLA SPOTORNO E EDUARDO RODRIGUES
Foto: Dida Sampaio/Estadão
Economia
Cai diferença entre homens e mulheres no acesso ao emprego formal
Do total de 62,8 milhões de empregos formais ativos no Brasil, incluindo trabalhadores com carteira assinada e agentes públicos, as mulheres ainda não representam a maioria, mas a diferença em relação aos homens caiu nos últimos anos. É o que mostram dados da Rais Mensal de junho, divulgados nesta quinta-feira (13) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). 

A Relação Anual de Informações Sociais (Rais) reúne estatísticas sobre o mercado de trabalho a partir de informações coletadas de empresas e órgãos públicos.
Ao todo, as mulheres ocupam 46,4% dos postos de trabalho, somando 29.182.235 de vínculos trabalhistas. Os homens estão registrados em 33.708.974 vagas, 53,6% dos postos de trabalho.
Essa distância era maior em janeiro de 2023, quando 55,7% das vagas eram ocupadas por pessoas do sexo masculino, contra 44,2% do sexo feminino.
O mercado de trabalho brasileiro acumulou saldo positivo de 10,1 milhões de vínculos de emprego formal, entre janeiro de 2023 e junho de 2026, segundo o balanço apresentado pelo MTE. Desse montante, 5,8 milhões das vagas formais foram ocupadas por mulheres, enquanto 4,3 milhões foram ocupadas por homens.
A Rais Mensal também trouxe informações atualizadas sobre a diversidade racial no mercado de trabalho brasileiro.
Dos 62,8 milhões de vínculos formais, tanto no setor público quanto privado, 27,3 milhões são de pessoas autodeclaradas pardas, enquanto outras 26,8 milhões são pessoas autodeclaradas brancas. Os trabalhadores que se autodeclaram pretos correspondem a 4,6 milhões. Amarelos, 600 mil, e indígenas, 239 mil.
Outros 3,1 milhões de vínculos trabalhistas não tiveram a informação racial registrada, um número que era de mais de 17,2 milhões há pouco mais de três anos e meio.
“Nós temos hoje mais gente preta ou parda em relação à população branca, mas essa é uma informação não demandada, tanto que o não informado diminuiu de 17 milhões para 3 milhões, porque a gente fez uma campanha forte com as empresas para que elas voltassem a informar”, explicou a subsecretária de Estatística do MTE, Paula Montagner, durante apresentação dos dados.
A escolaridade dos trabalhadores também evoluiu no mercado de trabalho nos últimos anos. Mais da metade dos trabalhadores (54%), o que representa 33,7 milhões de pessoas com vínculos formais, têm ensino médio, e 15,2 milhões ensino superior ou pós-graduação.
A expansão dos empregos também foi maior entre os trabalhadores mais experientes, sendo que 74% têm pelo menos 30 anos de idade.
O rendimento médio dos trabalhadores em emprego formal no Brasil ficou em R$ 4.389,49.
O setor de serviços segue como o maior gerador de empregos formais no país, respondendo atualmente por 38,2 milhões de vagas, seguido pelo comércio (10,5 milhões), indústria (9,1 milhões), construção (3 milhões) e agropecuária (1,8 milhões).
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