Agricultura

Novas regras: avanço do greening ameaça 30% da produção do Paraná

Publicado em

Agricultura


Diante do avanço do greening e do risco direto sobre a renda no campo, o Paraná decidiu apertar o cerco sanitário sobre a citricultura. A nova portaria da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) eleva o nível de exigência sobre produtores em um Estado que produz, por ano, cerca de 750 mil toneladas de laranja e aproximadamente 100 mil toneladas de tangerina, posicionando-se entre os três maiores produtores de citros do Brasil, atrás de São Paulo — líder absoluto — e de polos do Sudeste.

Os dados dimensionam o impacto potencial da doença. O greening (HLB) já está presente em mais de 160 municípios paranaenses, atingindo áreas relevantes do cinturão produtivo. Sem controle adequado, a doença pode provocar perdas superiores a 30% na produtividade dos pomares nos primeiros anos e chegar a comprometer praticamente 100% da produção ao longo do ciclo, com morte precoce das plantas.

Na prática, isso significa aumento direto de custo e redução de receita. Em regiões onde o HLB avança, produtores são obrigados a erradicar plantas, replantar áreas e intensificar o controle do inseto vetor, elevando o custo operacional por hectare. Em casos mais críticos, o ciclo produtivo do pomar pode cair de 20 anos para menos da metade.

É nesse cenário que a nova regra entra. A portaria torna obrigatório o cadastro de propriedades com 50 plantas ou mais, impõe monitoramento contínuo do psilídeo (Diaphorina citri) e estabelece a eliminação de plantas contaminadas em até quatro anos. Também restringe a presença de hospedeiros alternativos, como a murta, em áreas próximas a pomares comerciais — medida considerada essencial para conter a disseminação.

O endurecimento das regras ocorre em um momento sensível para o setor. O Paraná concentra sua citricultura principalmente nas regiões Noroeste e Norte, com forte presença de pequenos e médios produtores. Nesses casos, o impacto do greening não é apenas técnico — é financeiro: a perda de produtividade e o aumento de custos comprimem margens e colocam em risco a continuidade da atividade.

Ao reforçar o controle, o Estado tenta evitar um cenário já observado em outras regiões produtoras do País, onde o avanço descontrolado da doença levou à erradicação de grandes áreas e à necessidade de reestruturação completa dos pomares. Para o produtor, a conta é direta: sem controle efetivo, o greening deixa de ser um problema fitossanitário e passa a ser um problema de sobrevivência econômica.

Fonte: Pensar Agro



COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Agricultura

Embargo da UE mostra que comprovar a origem virou condição para vender

Publicados

em


O Brasil precisa avançar na identificação individual do gado para demonstrar aos compradores como os animais foram criados, por quais propriedades passaram e quais tratamentos receberam. A restrição imposta pela União Europeia em setembro ao ingresso de produtos de origem animal expôs o peso dessa comprovação: produzir dentro das regras precisa vir acompanhado de registros que permitam verificar o cumprimento das exigências.

O desafio alcança uma pecuária com 234,3 milhões de bovinos, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal de 2025, divulgada em setembro deste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É nessa escala que o país terá de ampliar a conexão entre informações das fazendas, dos serviços de defesa sanitária e dos frigoríficos.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reconhece as limitações do modelo baseado em lotes. Esse controle permite acompanhar grupos de animais, mas tem alcance diferente de um histórico individual, que acompanha cada bovino ao longo da vida. Para ampliar essa capacidade, o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB) prevê integrar bases estaduais e federais e registrar a trajetória dos animais do nascimento ao abate.

Na prática, o brinco funciona como uma chave de acesso ao histórico. O número identifica o animal; os registros precisam informar o restante. Se um bezerro nasce em uma fazenda, passa pela recria em outra e termina a engorda em uma terceira, a informação deve acompanhar essas mudanças. Identificá-lo apenas no fim do percurso não recupera automaticamente o que deixou de ser registrado antes.

O país já dispõe do Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (Sisbov), utilizado na certificação para mercados que exigem esse acompanhamento. Segundo o Mapa, a adesão dos produtores é voluntária, ressalvadas obrigações estabelecidas em normas ou programas sanitários específicos. Portanto, a existência do sistema não significa que todo o rebanho nacional esteja identificado individualmente.

A expansão será gradual. O planejamento nacional tem horizonte até o fim de 2032, com integração dos sistemas, identificação progressiva e ampliação das exigências de controle da movimentação. O documento também reconhece a necessidade de financiamento público e privado para evitar que a implantação onere excessivamente o pecuarista.

A pressão comercial, entretanto, já chegou. As restrições europeias iniciadas em 3 de setembro estão relacionadas às garantias sobre o uso de antimicrobianos. O regulamento do bloco exige que os produtos importados atendam às proibições de determinados medicamentos, incluindo o uso de antimicrobianos para promover crescimento e de substâncias reservadas ao tratamento de certas infecções humanas.

A justificativa europeia foi a insuficiência das garantias apresentadas pelo Brasil para as categorias atingidas. Isso não equivale a uma constatação de contaminação de toda a carne brasileira. O governo brasileiro informou ter encaminhado documentação e implementado medidas para atender aos requisitos. A rastreabilidade ajuda a demonstrar os controles, mas não substitui o cumprimento das regras nem a certificação sanitária.

Outra exigência, de natureza ambiental, corre em paralelo. O Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR, na sigla em inglês) abrange gado e outras commodities e exige comprovação de origem e conformidade com seus critérios. A aplicação está prevista, em regra, para 30 de dezembro de 2026, com prazo adicional para micro e pequenos operadores. Trata-se de uma obrigação distinta daquela que motivou as restrições sanitárias de setembro.

Para o produtor, a preparação começa pela organização dos registros de nascimento, compra, venda, movimentação e tratamentos do rebanho. Antes de investir em equipamentos ou certificação, é necessário consultar o serviço estadual de defesa agropecuária e o comprador sobre o protocolo exigido, os custos e as condições comerciais. A identificação só cumpre sua função quando o histórico permanece confiável nas mudanças de propriedade e chega à indústria ligado ao animal correto.

Fonte: Pensar Agro



COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTE

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA