Agricultura
Cuidado com o leão: IR 2026 exige controle mais rigoroso do produtor rural
Agricultura
A declaração do Imposto de Renda 2026, que vai até o fim de maio, marca uma mudança prática para o produtor rural: o avanço do controle digital da Receita Federal do Brasil reduz drasticamente a margem para erro e improviso na prestação de contas da atividade.
Na prática, o Fisco passou a cruzar automaticamente informações de diferentes fontes, como notas fiscais eletrônicas, movimentação bancária, registros de comercialização e dados declarados pelo próprio produtor. O resultado é um sistema mais preciso, que identifica inconsistências com rapidez.
Para quem está no campo, isso muda a lógica. Antes, era comum organizar documentos apenas na época da declaração. Agora, a Receita já “sabe” boa parte das operações antes mesmo do envio do imposto.
O impacto aparece principalmente em três pontos sensíveis da atividade rural.
O primeiro é a receita. Toda venda de produção, seja para tradings, cooperativas ou terceiros, precisa bater exatamente com o que foi informado por quem comprou. Diferenças de valor, atraso no registro ou omissão tendem a ser detectados.
O segundo é a despesa. O produtor continua podendo abater custos como insumos, combustível, manutenção e arrendamento. Mas, sem comprovação formal, esses valores perdem validade. Na prática, custo sem nota ou mal registrado vira lucro tributável.
O terceiro ponto é o fluxo financeiro. Movimentações bancárias incompatíveis com a renda declarada entram no radar automaticamente. Isso inclui transferências, entradas e saídas que não estejam claramente vinculadas à atividade.
Nesse cenário, o Livro Caixa Digital do Produtor Rural (LCDPR) deixa de ser apenas obrigação acessória e passa a funcionar como base de defesa do produtor. É nele que a Receita espera encontrar coerência entre receita, custo e resultado.
A escolha do modelo de tributação também ganha peso. O simplificado, que presume lucro de 20%, pode parecer mais fácil, mas nem sempre é o mais vantajoso em anos de custo elevado. Já o modelo completo exige mais controle, porém permite reduzir a base de cálculo.
O que muda, no fundo, é o nível de profissionalização exigido. O produtor que trata a gestão financeira como parte da operação tende a se adaptar melhor. Já quem mantém controles informais corre mais risco de inconsistência.
Em um ambiente de margens pressionadas e custos voláteis, o imposto deixa de ser apenas obrigação anual e passa a influenciar diretamente o resultado da atividade. E, com o “leão digital” mais ativo, errar deixou de ser detalhe e passou a ter consequência imediata.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Sertão Vivo destina R$ 150 milhões para ampliar a agricultura no semiárido
A Paraíba será contemplada com R$ 150 milhões em investimentos voltados ao fortalecimento da agricultura familiar e à adaptação da produção rural aos efeitos das mudanças climáticas. Os recursos fazem parte do programa Sertão Vivo, lançado nesta segunda-feira, em João Pessoa, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em parceria com organismos internacionais.
A iniciativa atenderá 37,6 mil famílias rurais distribuídas em 157 municípios paraibanos, alcançando aproximadamente 150 mil pessoas. O objetivo é ampliar o acesso à água, fortalecer a produção agropecuária em regiões vulneráveis à seca e incentivar sistemas produtivos mais adaptados às condições climáticas do semiárido.
Do total previsto para o Estado, cerca de R$ 126,4 milhões serão destinados a linhas de crédito para investimentos produtivos e infraestrutura hídrica. Outros R$ 23,6 milhões serão aplicados em ações não reembolsáveis, voltadas principalmente à assistência técnica, capacitação de agricultores e fortalecimento das comunidades rurais.
Entre as ações previstas estão a implantação de tecnologias de captação e armazenamento de água, recuperação de áreas produtivas, instalação de sistemas agroflorestais e incentivo aos chamados quintais produtivos, modelo que integra produção de alimentos, geração de renda e segurança alimentar para as famílias.
A ampliação da infraestrutura hídrica é apontada como uma das prioridades do programa. A proposta busca reduzir os impactos das estiagens prolongadas, fenômeno que afeta regularmente a produção agrícola e pecuária em grande parte do território paraibano.
A proposta busca enfrentar um dos principais desafios históricos da produção agrícola no semiárido: a irregularidade das chuvas e os impactos das secas prolongadas. Além de apoiar a adoção de tecnologias de convivência com o clima da região, o programa pretende criar condições para que as famílias mantenham a produção mesmo em períodos de maior escassez hídrica.
O modelo adotado combina financiamento e apoio técnico permanente, considerado um dos diferenciais da iniciativa. A avaliação é que o acesso ao crédito, quando acompanhado de orientação técnica e capacitação, aumenta as chances de sucesso dos projetos e favorece a adoção de práticas mais sustentáveis e eficientes.
A iniciativa integra uma estratégia mais ampla voltada ao fortalecimento da resiliência climática no Nordeste brasileiro. A combinação de recursos para infraestrutura, assistência técnica e inclusão produtiva busca preparar as propriedades rurais para enfrentar eventos climáticos extremos, reduzindo a vulnerabilidade das famílias e aumentando a capacidade de adaptação das atividades agropecuárias.
Após a conclusão da fase de preparação, o programa entra agora na etapa de implementação. Os próximos passos incluem a contratação das equipes técnicas, a organização das ações nos territórios prioritários e o início do atendimento direto às famílias beneficiadas.
A expectativa é que os investimentos contribuam para transformar o acesso à água em um fator de estabilidade produtiva no semiárido, reduzindo perdas causadas pelas estiagens e criando condições para que a agricultura familiar amplie sua capacidade de produção e geração de renda nos próximos anos.
Fonte: Pensar Agro
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