Agricultura
Brasil deve produzir 33,38 milhões de toneladas de carnes em 2026
Agricultura
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou nesta segunda-feira (13.04) nova estimativa para o setor de proteínas e projeta que o Brasil deve produzir 33,38 milhões de toneladas de carnes em 2026, volume próximo ao recorde histórico registrado no ano passado.
O dado confirma uma mudança na composição da produção. O crescimento segue puxado por frango e suínos, que juntos devem superar 22 milhões de toneladas, enquanto a carne bovina entra em fase de ajuste, acompanhando a virada do ciclo pecuário.
A avicultura lidera o movimento. A produção de carne de frango deve ultrapassar 16 milhões de toneladas, com crescimento também nas exportações, estimadas em 5,34 milhões de toneladas. No mercado interno, a disponibilidade deve atingir cerca de 10,85 milhões de toneladas, mantendo o produto como base do consumo no país.
Na suinocultura, o avanço é mais acelerado. A produção deve chegar a 5,88 milhões de toneladas, com crescimento próximo de 4%. O rebanho atinge 44,8 milhões de cabeças, o maior da série histórica, refletindo ganhos de produtividade e expansão da atividade.
As exportações de carne suína devem alcançar 1,58 milhão de toneladas, alta de 6,1%, enquanto a oferta interna também cresce, com cerca de 4,33 milhões de toneladas disponíveis no mercado doméstico. Na bovinocultura, o movimento é de acomodação após o pico recente. A produção deve recuar cerca de 5,3%, para 11,3 milhões de toneladas, ainda assim o segundo maior volume já registrado.As exportações de carne bovina devem se manter elevadas, próximas de 4,35 milhões de toneladas, mas com maior influência de fatores externos, como as restrições comerciais impostas por grandes compradores.
Outro destaque é a produção de ovos, estimada em 51,2 bilhões de unidades, crescimento de 4,6%, reforçando o avanço contínuo da avicultura. No conjunto, a oferta de carnes no mercado interno deve crescer cerca de 3,4%, ampliando a disponibilidade e sustentando o consumo. A projeção indica que, mesmo com ajustes pontuais, o setor segue em patamar elevado, com expansão apoiada em produtividade, abertura de mercados e demanda global consistente.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Reino Unido mantém portas abertas à carne brasileira em meio a tempestade comercial
O ponto central da divergência com a União Europeia não é a existência de contaminação, mas a capacidade do Brasil de comprovar fiscalização, rastreabilidade e conformidade sanitária. Em abril deste ano, o Ministério da Agricultura (Mapa) publicou portarias proibindo parte dos medicamentos questionados, mas abriu uma janela de 180 dias para que empresas esgotem estoques, extrapolando a data-limite de setembro imposta pela UE.
Um parecer técnico do próprio Mapa, datado de março, afirmou que os controles brasileiros eram “insuficientes” para atender à legislação europeia, uma vez que o sistema depende de autodeclaração dos produtores. Para voltar à lista de países autorizados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados, o que exige rastreabilidade detalhada da cadeia produtiva e custos adicionais para produtores e frigoríficos.
Isan Rezende, presidente do IA
O alívio britânico, porém, não pode mascarar a dimensão da crise que se abate sobre as exportações de carne bovina brasileira, lembrou o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende. Ele considerou a decisão britânica positiva, mas advertiu que ela não pode ser lida como uma solução estrutural.
“O Reino Unido deixou claro que vai fazer o dever de casa dele, avaliar nossos controles e só então decidir. Isso é bom, porque mostra que o diálogo técnico ainda funciona, mas não podemos confundir uma trégua com uma vitória. O Brasil está há meses sabendo que a UE questionava o uso de antimicrobianos, e o que a gente viu foi um governo publicando portarias em cima da hora, com prazos de transição que não respeitam o calendário comercial do bloco. O produtor rural não pode ficar refém de decisões externas e pontuais, de um governo britânico que hoje decide uma coisa e amanhã pode mudar de ideia, ou de uma União Europeia que já bateu o martelo. Precisamos de regras claras, estáveis e que sejam cumpridas de verdade, não apenas no papel”, comentou Isan.
Rezende ressaltou que o agronegócio brasileiro tem condições de atender às exigências dos mercados mais exigentes, mas falta coordenação entre os órgãos públicos e o setor produtivo. “Ninguém aqui está pedindo para abrir a porteira e deixar o produtor fazer o que quiser. O que a gente cobra é pragmatismo. O Mapa tem bons técnicos, o setor privado investe em rastreabilidade, mas falta uma política sanitária que olhe para o mercado e não apenas para o curto prazo. A gente não pode depender de uma avaliação favorável do Reino Unido para manter as exportações. O Brasil precisa ter um sistema tão robusto que, seja lá quem for que sentar para negociar, a resposta seja a mesma: o produto está dentro da norma, comprovação em mãos, sem autodeclaração, sem gambiarra”, disse.
O dirigente do IA concluiu cobrando do governo federal uma postura mais proativa e menos reativa. “O que a gente viu nos últimos meses foi o governo correndo atrás do prejuízo. Tarifa dos americanos, bloqueio da europeia, agora uma avaliação britânica. A cada crise, uma portaria de emergência, uma reunião, um acordo de última hora. Isso não é gestão. O produtor rural precisa de previsibilidade para investir, para fazer o manejo correto, para escolher os insumos que o mercado aceita. O governo precisa sentar com o setor, definir um cronograma realista de adequação sanitária e colocar recursos onde a conta chega: na fiscalização, na rastreabilidade, na capacitação do produtor. Não adianta exportar para 170 países se a gente está sempre a um passo de perder os que pagam melhor”, completou.
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