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Temer recua e vai revogar decreto que extinguiu reserva de cobre na Amazônia

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Decisão sobre a polêmica Renca será publicada no Diário Oficial desta terça-feira

Da Redação

 

 

O presidente Michel Temer decidiu revogar o decreto de extinção da Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca), uma área da floresta entre os estados do Amapá e do Pará. Segundo auxiliares, a decisão levou em conta a polêmica em torno do decreto e, diante de novas pressões, o presidente decidiu deixar que o tema seja mais debatido. Segundo fontes do Planalto, Temer vai assinar a revogação na tarde desta segunda-feira, 25, e ela será publicada no Diário Oficial da União de terça.

No dia 14 deste mês, a Comissão de Meio Ambiente da Câmara pediu a revogação definitiva do decreto. “A maneira agressiva que foi feito (o decreto) não só causou constrangimento da sociedade brasileira, mas do parlamento como um todo, atingiu a Câmara e o Senado”, afirmou o presidente da comissão, Ricardo Trípoli (PSDB-SP), na ocasião. “Estamos aguardando que o governo revogue por definitivo e diga quais são os propósitos de exploração na área.”

O decreto de extinção da reserva foi assinado pelo presidente Michel Temer no dia 23 de agosto. Diante da repercussão negativa, o governo fez outro decreto, o que não aplacou as críticas. O Ministério de Minas e Energia, depois, publicou portaria para congelar por 120 dias a proposta. O decreto também era questionado no Senado. 

O decreto original provocou uma onda de protestos de ambientalistas e artistas, como a modelo Gisele Bündchen, que acusaram o presidente de estar “vendendo” uma parte da Amazônia para interesses de mineradoras estrangeiras. As críticas chegaram até ao Rock in Rio, novamente pela voz de Gisele e da líder indígena Sônia Guajajara, que fez um protesto durante a apresentação de Alicia Keys.

A Renca originalmente não era uma área de proteção ambiental. Ela foi criada para assegurar a exploração mineral ao governo, mas com o passar dos anos acabou ajudando a proteger a região, na Calha Norte do Rio Amazonas, que é hoje uma das mais bem preservadas da Amazônia.

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A reserva mineral, criada em 1984, pelo então governo militar, delimitou um retângulo de 4,7 milhões de hectares na região entre o Pará e o Amapá rico em ouro, nióbio e outros metais, onde somente o próprio governo poderia exercer qualquer atividade mineral. Havia um bloqueio a empresas privadas, que foi levantado pelo decreto de agosto do presidente Michel Temer. 

Ao longo desses 33 anos, no entanto, a região praticamente não teve exploração mineral. Salvo a ação de alguns garimpeiros. Por isso, diante de um cenário quase intocado, ao longo desse período os governos federal e estaduais foram criando nove áreas protegidas na regão – sete unidades de conservação e duas terras indígenas naquela área –, que acabaram se sobrepondo à Renca.

Hoje quem de fato preserva a floresta ali são essas UCs e TIs. Com Renca ou sem Renca, só é possível hoje ter exploração mineral em algo entre 15% e 30% desse quadrilátero de 4,7 milhões de hectares – só é permitido ter algum tipo de exploração mineral, e ainda assim, com limites, em unidades de conservação de uso sustentável, como é o caso das florestas estaduais do Paru e do Amapá. Nas UCs de proteção integral e nas TIs, a mineração é vetada.

O temor de ambientalistas era que, com a extinção da Renca, haveria um novo interesse de empresas de mineração pela região. Até mesmo o Ministério do Meio Ambiente tinha se mostrado contrário a essa medida, e o ministro Sarney Filho disse, em entrevista ao jornal Valor Econômico, que foi pego de surpresa com a decisão de Temer de extinguir a Renca. (Colaborou Giovana Girardi)

Fonte: O Estado de S.Paulo
Foto: Daniel Beltrá/Greenpeace
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Debate no Plenário aponta gargalos para expansão de energias renováveis

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Para os especialistas reunidos em sessão de debate temático no Senado nesta terça-feira (11), o avanço das energias renováveis no Brasil enfrenta entraves operacionais e regulatórios significativos. Embora o país possua uma matriz elétrica majoritariamente de fontes limpas e abundância de recursos, diversos gargalos dificultam a expansão do setor.

Segundo os representantes do governo e do setor produtivo reunidos no Plenário, entre os gargalos estão a necessidade de expansão e modernização da rede de transmissão; a falta de regulamentação de alternativas como a energia eólica offshore e o hidrogênio verde; o desperdício de potencial de produção; e a dificuldade para definir uma tarifa que estimule investimentos sem onerar o consumidor.

Convocada por requerimento da Presidência da Casa e de outros senadores, a audiência sobre o papel do Brasil na transição energética global foi presidida pelo senador Laércio Oliveira (PP-SE). Ele destacou a urgência de alinhar o potencial natural do país às necessidades de infraestrutura, e a importância de assegurar a liderança brasileira no cenário internacional. 

— Esse é um tema com o qual o presidente Davi Alcolumbre tem muito compromisso, num momento importante que o Brasil atravessa em termos de infraestrutura. Que a gente consiga convergir para o que, de fato, o Brasil precisa — afirmou Laércio Oliveira.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) alertou para o impacto tarifário na ponta final para o cidadão e o setor produtivo. Citando dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), segundo os quais 83% do setor industrial relata perda de competitividade devido ao custo da energia elétrica, a parlamentar advertiu contra subsídios distorcidos que elevam as tarifas, em comparação com concorrentes como China e Canadá.

— Nossa missão não é apenas gerar energia limpa, mas garantir energia barata, segura e geradora de riquezas para o povo brasileiro — enfatizou a senadora.

Inclusão social

O secretário nacional de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia (MME), João Daniel de Andrade Cascalho, apresentou instrumentos da estratégia do MME para equilibrar a expansão das energias renováveis, a segurança energética e a proteção tarifária ao consumidor. Entre eles estão os programas Luz do Povo e Luz para Todos; leilões de novas linhas de transmissão, ajudando a reduzir os cortes de geração; o incentivo a pequenas centrais hidrelétricas; e o estabelecimento de um teto para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), encargo cobrado na conta de luz para financiar o setor elétrico.

— O que a gente traz é uma transição energética justa e inclusiva, protegendo os mais pobres, garantindo segurança energética e fortalecendo o equilíbrio entre as fontes que nós temos no país — afirmou Cascalho.

O embaixador do Chile no Brasil, Issa Farid Kort Garriga, apresentou a situação da transição energética em seu país. Citou a comissão permanente conjunta entre Chile e Brasil para hidrogênio de baixas emissões, precificação de carbono e combustível sustentável de aviação, e defendeu a atuação conjunta dos dois países no Sistema de Integração Energética do Sul (Siesur).

— A transição energética não é apenas uma política ambiental. É uma política de desenvolvimento em termos de investimento, competitividade, integração e autonomia regional — concluiu o embaixador.

Thiago Ivanoski Teixeira, diretor de Estudos Econômico-Energéticos e Ambientais da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), instituição pública ligada diretamente ao Ministério de Minas e Energia e responsável por estudos de planejamento energético do país, apresentou dados históricos e projeções da matriz energética brasileira, com um aumento das fontes renováveis. Citou investimentos previstos de cerca de R$ 600 bilhões em transmissão e os desafios do planejamento diante de novas cargas previstas, como a criação de data centers.

— Se a gente estava falando em 90% de renovabilidade da matriz elétrica, o que a gente vê no planejamento oficial do governo para daqui a 30 anos é algo ainda maior, chegando muito próximo aos 99% — previu.

A líder regional para a América Latina da Global Renewables Alliance, Natalia Oliveira, destacou a meta global da aliança de triplicar a capacidade de geração de energia por meio de fontes renováveis, lembrando que 67% da energia gerada na América Latina advém de fontes renováveis. A Global Renewables Alliance reúne entidades internacionais do setor de energias renováveis.

— Nós temos um grande potencial de geração de eólica offshore a destravar. Temos um potencial imenso para produzir hidrogênio verde e adensar a nossa cadeia de valor para a indústria. Tudo isso depende apenas de regulamentação para se tornar realidade — argumentou.

Representantes dos produtores elogiaram a atuação do Congresso Nacional e cobraram avanços legislativos. A presidente-executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica) e vice-presidente do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC), Elbia da Silva Aparecida Gannoum, enfatizou o papel decisivo do Congresso Nacional na aprovação de legislações estruturantes, como o marco das eólicas offshore, sancionado em janeiro de 2025 (Lei 15.097, de 2025). Roberta Cox, diretora de políticas do GWEC para o Brasil cobrou a regulamentação da Lei 15.097. Camilla Fernandes, diretora da Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage), citou a Lei 15.269, de 2025, que modernizou o marco regulatório do setor elétrico, como um divisor de águas.

Desperdício

O chamado curtailment, quando uma usina de energia eólica ou solar é forçada a reduzir sua produção mesmo tendo capacidade para gerar energia, foi abordado por diversos debatedores. Heber Galarce, presidente do Instituto Nacional de Energia Limpa (Inel), citou perdas de até 40% da energia eólica/solar antes mesmo de ela ser transportada. O deputado federal Danilo Forte (PP-CE) relacionou os cortes recentes à falência de empresas no Nordeste. Rosana Santos, diretora-executiva do Instituto E+ Transição Energética, argumentou que o curtailment não é causado só pela falta de transmissão, mas por falhas de planejamento.

Glauco de Paula Freitas, presidente no Brasil da Hitachi, fabricante de equipamentos, manifestou preocupação com o dilema entre a intenção de proteger o consumidor com tarifas acessíveis e a necessidade de modernização das linhas de transmissão, bancada por essas mesmas tarifas; e com a qualidade de certos fornecedores de equipamentos, escolhidos, segundo ele, muitas vezes apenas por oferecerem prazo e custo mais baixos, sem histórico comprovado.

A vulnerabilidade do país foi um dos temas dominantes da sessão. Lieven Cooreman, CEO da Atlas Agro Brasil, alertou para a dependência brasileira de fertilizantes importados, evidenciada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, durante a guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel. Angela Livino, líder regional para o Brasil da Associação Internacional de Hidroeletricidade, defendeu o armazenamento hidráulico reversível como solução de segurança elétrica, citando os exemplos de China, Índia, Reino Unido e Portugal. A diretora-executiva da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV), Fernanda Delgado de Jesus, sustentou que o país combina condições geopolíticas e energéticas privilegiadas para liderar a produção de hidrogênio verde, amônia, metanol e fertilizantes sustentáveis, sem dependência de rotas de navegação instáveis.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado



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