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Maioria do STF vota pelo envio da 2ª denúncia contra Temer à Câmara

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O plenário do Supremo analisou nesta quarta-feira, 20, pedido da defesa do presidente para interromper seguimento da denúncia; sessão foi suspensa e será retomada na quinta-feira

Da Redação

 

A maioria do Supremo Tribunal Federal (STF) votou na tarde desta quarta-feira, 20, contra a suspensão da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer pelos crimes de organização criminosa e obstrução de Justiça. A sessão foi suspensa e será retomada na quinta-feira, 21.

A defesa do presidente quer a suspensão da tramitação da denúncia, até que sejam esclarecidos os indícios de irregularidade envolvendo as delações do empresário Joesley Batista e do executivo Ricardo Saud, do grupo J&F. 

Na prática, independetemente de como votarem os três ministros restantes, a segunda denúncia contra Temer seguirá para a Câmara dos Deputados. Sete dos 11 ministros apoiaram o seguimento da denúncia contra o presidente. Apenas Gilmar Mendes se posicionou contra, e ainda pediu que a denúncia voltasse para a PGR.

O ministro Dias Toffoli acompanhou os colegas, mas ressaltou que o Supremo pode, sim, rejeitar uma denúncia apresentada contra um presidente da República antes da análise da Câmara se entender que há problemas que possibilitem isso. Isso poderia ser feito, de acordo com a visão de Dias Toffoli, se o relator entender que há algum tipo de irregularidade na denúncia e, assim, enviasse o tema para julgamento no plenário antes de decidir pelo envio à Câmara.

Já o ministro Gilmar Mendes divergiu dos colegas e votou para que o envio da denúncia fosse suspenso até a conclusão das investigações sobre os indícios de irregularidade envolvendo delatores do grupo J&F. Gilmar também votou para que a denúncia fosse devolvida à PGR por mencionar fatos que não dizem respeito ao mandato de Temer.

Ainda faltam votar três ministros: a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia; o decano da Corte, Celso de Mello; e Marco Aurélio Mello.

Aptidão. O entendimento majoritário dos integrantes da Corte foi no sentido de que a denúncia da PGR deve ser encaminhada à Câmara dos Deputados, cabendo ao STF se pronunciar apenas em momento posterior, caso os parlamentares autorizem o prosseguimento da acusação formal contra o presidente.

“Se a Câmara dos Deputados disser, sim, o STF é livre para verificar da aptidão ou não da denúncia. Se ela é apta ou é inepta. Mas o momento é exatamente de aguardar esse juízo político que antecede ao juízo jurídico”, frisou o ministro Luiz Fux.

O ministro Luís Roberto Barroso concordou. “A denúncia se submete a prévio juízo político por parte da Câmara dos Deputados e não há, portanto, razão para se precipitar qualquer pronunciamento do Supremo Tribunal Federal nessa matéria. Não é possível, a meu ver, interferir com a prerrogativa da Câmara e impedir que ela aprecie a admissibilidade da acusação”, disse Barroso.

Para Barroso, neste momento a “palavra está com a Câmara” para saber se há interesse público em saber se fatos narrados na denúncia contra Temer verdadeiramente aconteceram.

“Caberá à Câmara dos Deputados admitir ou não a acusação para que se investigue se é verdade que havia esquemas criminosos na Petrobrás, em Furnas, no Ministério da Integração Nacional, na Caixa Econômica Federal, na Secretaria de Aviação Civil, no Ministério da Agricultura e outros espaços da vida pública”, observou Barroso.

Barroso destacou que a segunda denúncia contra o presidente reúne informações trazidas por outros 15 delatores, entre eles delatores da Odebrecht, o ex-diretor de abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa e a empresária Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana.

“Ainda que caísse por qualquer razão a delação premiada discutida (de Joesley e Saud) há um conjunto vasto de provas que subsistem íntegras”, frisou Barroso.

Memorial. A nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, encaminhou manifestação aos ministros do STF na qual se posiciona contra o pedido da defesa do presidente Michel Temer para tenta barrar o envio da denúncia contra o peemedebista à Câmara dos Deputados. O texto foi entregue aos ministros nesta quarta-feira, por volta de 13h, pouco antes do início da sessão do plenário.

Raquel aponta, no memorial, que “não há lugar para impugnar a viabilidade da denúncia” antes da decisão da Câmara dos Deputados.

A denúncia contra Temer por obstrução de justiça e organização criminosa foi enviada ao STF pelo ex-procurador-geral Rodrigo Janot, no penúltimo dia útil de seu mandato. Esta é a primeira manifestação da procuradora-geral, que sucede Janot, sobre o tema.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: O Estado de S. Paulo

Foto: ANDRE DUSEK/ESTADAO

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Debate no Plenário aponta gargalos para expansão de energias renováveis

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Para os especialistas reunidos em sessão de debate temático no Senado nesta terça-feira (11), o avanço das energias renováveis no Brasil enfrenta entraves operacionais e regulatórios significativos. Embora o país possua uma matriz elétrica majoritariamente de fontes limpas e abundância de recursos, diversos gargalos dificultam a expansão do setor.

Segundo os representantes do governo e do setor produtivo reunidos no Plenário, entre os gargalos estão a necessidade de expansão e modernização da rede de transmissão; a falta de regulamentação de alternativas como a energia eólica offshore e o hidrogênio verde; o desperdício de potencial de produção; e a dificuldade para definir uma tarifa que estimule investimentos sem onerar o consumidor.

Convocada por requerimento da Presidência da Casa e de outros senadores, a audiência sobre o papel do Brasil na transição energética global foi presidida pelo senador Laércio Oliveira (PP-SE). Ele destacou a urgência de alinhar o potencial natural do país às necessidades de infraestrutura, e a importância de assegurar a liderança brasileira no cenário internacional. 

— Esse é um tema com o qual o presidente Davi Alcolumbre tem muito compromisso, num momento importante que o Brasil atravessa em termos de infraestrutura. Que a gente consiga convergir para o que, de fato, o Brasil precisa — afirmou Laércio Oliveira.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) alertou para o impacto tarifário na ponta final para o cidadão e o setor produtivo. Citando dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), segundo os quais 83% do setor industrial relata perda de competitividade devido ao custo da energia elétrica, a parlamentar advertiu contra subsídios distorcidos que elevam as tarifas, em comparação com concorrentes como China e Canadá.

— Nossa missão não é apenas gerar energia limpa, mas garantir energia barata, segura e geradora de riquezas para o povo brasileiro — enfatizou a senadora.

Inclusão social

O secretário nacional de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia (MME), João Daniel de Andrade Cascalho, apresentou instrumentos da estratégia do MME para equilibrar a expansão das energias renováveis, a segurança energética e a proteção tarifária ao consumidor. Entre eles estão os programas Luz do Povo e Luz para Todos; leilões de novas linhas de transmissão, ajudando a reduzir os cortes de geração; o incentivo a pequenas centrais hidrelétricas; e o estabelecimento de um teto para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), encargo cobrado na conta de luz para financiar o setor elétrico.

— O que a gente traz é uma transição energética justa e inclusiva, protegendo os mais pobres, garantindo segurança energética e fortalecendo o equilíbrio entre as fontes que nós temos no país — afirmou Cascalho.

O embaixador do Chile no Brasil, Issa Farid Kort Garriga, apresentou a situação da transição energética em seu país. Citou a comissão permanente conjunta entre Chile e Brasil para hidrogênio de baixas emissões, precificação de carbono e combustível sustentável de aviação, e defendeu a atuação conjunta dos dois países no Sistema de Integração Energética do Sul (Siesur).

— A transição energética não é apenas uma política ambiental. É uma política de desenvolvimento em termos de investimento, competitividade, integração e autonomia regional — concluiu o embaixador.

Thiago Ivanoski Teixeira, diretor de Estudos Econômico-Energéticos e Ambientais da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), instituição pública ligada diretamente ao Ministério de Minas e Energia e responsável por estudos de planejamento energético do país, apresentou dados históricos e projeções da matriz energética brasileira, com um aumento das fontes renováveis. Citou investimentos previstos de cerca de R$ 600 bilhões em transmissão e os desafios do planejamento diante de novas cargas previstas, como a criação de data centers.

— Se a gente estava falando em 90% de renovabilidade da matriz elétrica, o que a gente vê no planejamento oficial do governo para daqui a 30 anos é algo ainda maior, chegando muito próximo aos 99% — previu.

A líder regional para a América Latina da Global Renewables Alliance, Natalia Oliveira, destacou a meta global da aliança de triplicar a capacidade de geração de energia por meio de fontes renováveis, lembrando que 67% da energia gerada na América Latina advém de fontes renováveis. A Global Renewables Alliance reúne entidades internacionais do setor de energias renováveis.

— Nós temos um grande potencial de geração de eólica offshore a destravar. Temos um potencial imenso para produzir hidrogênio verde e adensar a nossa cadeia de valor para a indústria. Tudo isso depende apenas de regulamentação para se tornar realidade — argumentou.

Representantes dos produtores elogiaram a atuação do Congresso Nacional e cobraram avanços legislativos. A presidente-executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica) e vice-presidente do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC), Elbia da Silva Aparecida Gannoum, enfatizou o papel decisivo do Congresso Nacional na aprovação de legislações estruturantes, como o marco das eólicas offshore, sancionado em janeiro de 2025 (Lei 15.097, de 2025). Roberta Cox, diretora de políticas do GWEC para o Brasil cobrou a regulamentação da Lei 15.097. Camilla Fernandes, diretora da Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage), citou a Lei 15.269, de 2025, que modernizou o marco regulatório do setor elétrico, como um divisor de águas.

Desperdício

O chamado curtailment, quando uma usina de energia eólica ou solar é forçada a reduzir sua produção mesmo tendo capacidade para gerar energia, foi abordado por diversos debatedores. Heber Galarce, presidente do Instituto Nacional de Energia Limpa (Inel), citou perdas de até 40% da energia eólica/solar antes mesmo de ela ser transportada. O deputado federal Danilo Forte (PP-CE) relacionou os cortes recentes à falência de empresas no Nordeste. Rosana Santos, diretora-executiva do Instituto E+ Transição Energética, argumentou que o curtailment não é causado só pela falta de transmissão, mas por falhas de planejamento.

Glauco de Paula Freitas, presidente no Brasil da Hitachi, fabricante de equipamentos, manifestou preocupação com o dilema entre a intenção de proteger o consumidor com tarifas acessíveis e a necessidade de modernização das linhas de transmissão, bancada por essas mesmas tarifas; e com a qualidade de certos fornecedores de equipamentos, escolhidos, segundo ele, muitas vezes apenas por oferecerem prazo e custo mais baixos, sem histórico comprovado.

A vulnerabilidade do país foi um dos temas dominantes da sessão. Lieven Cooreman, CEO da Atlas Agro Brasil, alertou para a dependência brasileira de fertilizantes importados, evidenciada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, durante a guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel. Angela Livino, líder regional para o Brasil da Associação Internacional de Hidroeletricidade, defendeu o armazenamento hidráulico reversível como solução de segurança elétrica, citando os exemplos de China, Índia, Reino Unido e Portugal. A diretora-executiva da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV), Fernanda Delgado de Jesus, sustentou que o país combina condições geopolíticas e energéticas privilegiadas para liderar a produção de hidrogênio verde, amônia, metanol e fertilizantes sustentáveis, sem dependência de rotas de navegação instáveis.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado



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