Agricultura
Previsão da safra sobe para 348,7 milhões de toneladas e soja deve bater novo recorde
Agricultura
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quinta-feira (14,05) uma nova revisão da safra brasileira de grãos para 2026. Segundo o levantamento, o país deverá colher 348,7 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas, consolidando uma das maiores produções já registradas pela agricultura nacional.
O volume representa crescimento de 0,7% em relação à safra do ano passado, com acréscimo de 2,6 milhões de toneladas, além de leve alta frente à estimativa divulgada em março. A expansão ocorre em meio ao avanço da área cultivada, ao ganho de produtividade em culturas estratégicas e à recuperação de importantes regiões produtoras após problemas climáticos enfrentados nos últimos anos.
A soja deve ter novo recorde da série histórica com a estimativa de alcançar 174,1 milhões de toneladas. O crescimento é de 4,8% frente à safra anterior e reforça o protagonismo do Brasil no mercado global da commodity, especialmente diante da demanda crescente da China.
O Mato Grosso segue isolado na liderança nacional, com previsão de produzir 50,5 milhões de toneladas de soja. Paraná e Rio Grande do Sul aparecem na sequência, com recuperação importante das lavouras gaúchas após perdas climáticas recentes.
Já a produção de milho foi estimada em 138,2 milhões de toneladas, retração de 2,5% em relação ao ciclo anterior. Apesar da queda, o volume segue entre os maiores da história do país.
Segundo o IBGE, a primeira safra teve desempenho positivo principalmente no Sul e Sudeste. A segunda safra, responsável pela maior parte da produção nacional, sofreu impacto de ajustes climáticos e produtividade menor em alguns estados do Centro-Oeste.
Outro destaque do levantamento foi o café. A produção brasileira de arábica e canephora deverá atingir 66,1 milhões de sacas de 60 quilos, maior volume da série histórica iniciada em 2002.
O crescimento estimado chega a 14,9%, impulsionado pela recuperação das lavouras, melhoria climática e avanço tecnológico no campo.
O levantamento mostra ainda o fortalecimento do Centro-Oeste como principal polo agrícola do país. A região deverá responder por metade de toda a produção nacional de grãos em 2026, com 174,5 milhões de toneladas.
Na sequência aparecem:
- Sul: 92,1 milhões de toneladas;
- Sudeste: 30,6 milhões;
- Nordeste: 29,9 milhões;
- Norte: 21,5 milhões.
Entre os estados, Mato Grosso lidera com folga e sozinho deverá responder por quase um terço de toda a produção brasileira de grãos. Apesar do cenário amplamente positivo, algumas culturas seguem pressionadas. O trigo deverá recuar para 7,3 milhões de toneladas em meio à baixa rentabilidade e aos problemas climáticos no Sul do país.
O feijão também apresentou queda na estimativa de produção, elevando a preocupação do mercado com o equilíbrio entre oferta e consumo interno.
Mesmo diante das oscilações climáticas, dos custos elevados e das tensões comerciais internacionais, o novo levantamento reforça o peso crescente do agronegócio brasileiro na economia mundial e consolida o país como um dos principais fornecedores globais de alimentos.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%
A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.
Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.
Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.
A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.
Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.
A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.
O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.
A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.
Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.
A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.
A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.
O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.
O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.
Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.
A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.
Fonte: Pensar Agro
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