Polícia Federal
Conselho de Ética aprova 60 dias de suspensão para três deputados por ocupação do Plenário
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O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (5), após mais de nove horas de reunião, a suspensão dos mandatos dos deputados Marcos Pollon (PL-MS), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC) por 60 dias. Os parlamentares ainda podem recorrer à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). A decisão final será do Plenário por maioria absoluta (257 deputados).
Foi aprovado o parecer do relator, deputado Moses Rodrigues (União-CE). O texto do relator conclui que os três parlamentares adotaram condutas incompatíveis com o decoro parlamentar durante a ocupação da Mesa Diretora da Casa na sessão do Plenário de 5 de agosto de 2025.
Durante a ocupação, os deputados cobravam a inclusão na pauta do projeto de anistia (PL 216/23) aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), só conseguiu reocupar a cadeira da Presidência no dia 6 de agosto.
Rodrigues recomendou punição severa para sinalizar que a Câmara não tolera esse tipo de comportamento, aumentando para 60 dias de suspensão a pena inicialmente sugerida pela Mesa Diretora, que era de 30 dias.
Pollon respondeu por se sentar na cadeira da Presidência da Câmara, impedindo o retorno do presidente Hugo Motta; Van Hattem por ter ocupado outra cadeira da Mesa; e Zé Trovão por ter usado o corpo para barrar fisicamente o acesso do presidente à Mesa.
As condutas foram objeto das representações 24, 25 e 27, todas de 2025, e votadas separadamente. No caso de Pollon, foram 13 votos pela suspensão e 4 contrários, o mesmo placar de Van Hattem. Zé Trovão teve 15 votos pela suspensão e 4 contrários.
Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Deputado Zé Trovão
Defesa de Zé Trovão
Em sua defesa, Zé Trovão fez um desabafo emocionado logo no início da reunião, afirmando que a suspensão afeta diretamente seus assessores, “deixando cerca de 20 famílias sem sustento” por dois meses. “O que mais está me doendo hoje é olhar nos olhos dos meus funcionários e não saber o que falar.”
Em sua defesa, citou passagens bíblicas e fatos históricos, e classificou o momento político como de perseguição e inversão de valores. “Se for preciso tomar a Mesa novamente em algum momento da história para defender quem me elegeu, assim o farei”, disse Zé Trovão.
O advogado Eduardo Moura, na defesa técnica, argumentou que vídeos da sessão não revelam irregularidades do deputado e destacou que testemunhas o descreveram como “alguém que tentava impedir conflitos físicos no Plenário”.
Defesa de Marcel van Hattem
Fazendo coro ao colega, Van Hattem chamou o processo de “perseguição política” e comparou sua situação à dos presos pelos atos de 8 de janeiro. O deputado também afirmou que, havendo necessidade, faria novamente. E acrescentou: “se essa injustiça vier, vamos enquadrar e colocar na parede como medalha de honra”.
Pela defesa do deputado, o advogado Jeffrey Chiquini definiu o julgamento como uma “punição política”.
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Deputado Marcos Pollon
Defesa de Marcos Pollon
Pollon criticou duramente a recusa da Presidência da Câmara em pautar o projeto de anistia aos envolvidos no 8 de janeiro e classificou as prisões como “ilegais” e o cenário jurídico atual do Brasil como um “estado de exceção”. “Não carregaremos a vergonha de termos nos acovardado ou omitido”, disse.
Na defesa técnica, o advogado Mariano lamentou a negativa de ouvir testemunhas sugerias pela defesa e também disse que as questões técnicas foram deixadas de lado em favor de um julgamento político.
Debate
O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) lamentou as ofensas dirigidas ao relator e à Mesa Diretora durante o debate no Conselho de Ética e relacionou a ocupação física do Plenário a um processo histórico de golpismo. Para ele, o relatório do conselho separa “os golpistas dos democratas”.
Em defesa dos acusados, o deputado Sargento Gonçalves (PL-RN) comparou o processo a uma tentativa de criminalizar a direita por atos que a esquerda já teria praticado no passado. Gonçalves questionou a escolha de apenas três deputados como “bode expiatório” em meio à participação de mais de 100 deputados nos atos de ocupação.
Reportagem – Murilo Souza
Edição – Pierre Triboli
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Juca do Guaraná reforça trajetória como pioneiro da causa autista em Cuiabá
A defesa dos direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) faz parte da trajetória política do deputado estadual Juca do Guaraná (PSDB). Ainda como vereador de Cuiabá, Juca foi o primeiro parlamentar a atuar na defesa da causa autista na Capital, contribuindo para ampliar o debate sobre inclusão, acessibilidade e garantia de direitos às pessoas com TEA e suas famílias.
Entre as iniciativas defendidas durante sua atuação na Câmara Municipal está a legislação relacionada à identificação e à reserva de vagas destinadas às pessoas autistas, uma medida voltada a ampliar o reconhecimento e garantir direitos a esse público.
Segundo Juca, o contato com famílias e pessoas envolvidas na causa foi fundamental para que a pauta passasse a fazer parte de sua atuação parlamentar.
“Eu tive a oportunidade de acompanhar essa causa ainda como vereador e, desde aquele período, entendia a importância de levar esse debate para dentro do poder público. Fui um dos pioneiros nessa luta em Cuiabá e, ao longo dos anos, pude conhecer de perto os desafios enfrentados pelas pessoas autistas e por suas famílias”, afirmou.
A experiência construída no Legislativo municipal acompanhou Juca até a Assembleia Legislativa. Atualmente deputado estadual, ele afirma que manteve a causa autista entre as frentes de sua atuação, buscando ampliar o debate e acompanhar demandas relacionadas à inclusão e à garantia de direitos.
“Essa não é uma causa que pode ser lembrada apenas em momentos específicos. Precisamos falar de inclusão todos os dias e buscar políticas públicas que atendam não apenas as pessoas com TEA, mas também suas famílias. Foi uma luta que abracei em Cuiabá e que faço questão de continuar defendendo agora em todo Mato Grosso”, destacou.
Para o deputado, o fortalecimento das políticas de inclusão passa pela escuta das famílias e pela construção de medidas que contribuam para melhorar o acesso a direitos, serviços e oportunidades.
“Quando a gente ouve quem vive essa realidade todos os dias, entende que ainda há muito a ser feito. É por isso que sigo acompanhando essa pauta e defendendo que as pessoas autistas e suas famílias tenham cada vez mais espaço, respeito e acesso aos seus direitos”, concluiu.
Candidato à reeleição para a Assembleia Legislativa, Juca afirma que pretende seguir acompanhando de perto as demandas das pessoas com TEA e de suas famílias, fortalecendo o debate sobre inclusão e contribuindo para a construção de políticas públicas que garantam mais respeito, acessibilidade e qualidade de vida em Mato Grosso. A pauta, que começou a ser defendida ainda durante sua atuação como vereador em Cuiabá, segue entre as frentes de sua atuação política.
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