Polícia Federal
Defesa do fim da escala 6×1 marca sessão da Câmara em comemoração do Dia do Trabalho
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A sessão solene da Câmara dos Deputados em comemoração ao Dia do Trabalho (1º de maio) foi marcada pela reivindicação do fim da escala 6 por 1, que é tema de duas propostas de emenda à Constituição em análise na Casa (PEC 221/19 e PEC 8/25).
A secretária-executiva adjunta do Ministério do Trabalho, Luciana Nakamura, disse que existem fortes evidências de melhoria da saúde mental e de aumento da produtividade com a redução.
“A redução da escala 6×1 insere-se nesse debate como um próximo passo na política de promoção do trabalho decente no Brasil.”
A deputada Erika Kokay (PT-DF) apresentou o recorte de gênero como fator central para redução da jornada. Ela argumentou que, para as mulheres, a escala 6×1 na verdade se torna um regime de trabalho de 7 dias por semana sem descanso real.
“O único dia de repouso remunerado garantido por lei acaba sendo inteiramente confiscado pelo trabalho doméstico acumulado, cuidados com os filhos e faxinas pesadas”, ressaltou.
A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), uma das solicitantes da sessão, disse que o pensamento de que o trabalhador precisa ser exaurido para produzir mais é herança da mentalidade escravocrata brasileira.
Ela citou dados internacionais que demonstram que países que adotaram escalas menores (como 5×2 ou 4×3) não sofreram com desabastecimento ou queda econômica; ao contrário, registraram aumento real nos índices de produção por conta do bem-estar dos funcionários.
“É preciso fazer negociações, é preciso trabalhar regulamentações, mas é preciso aprovar o fim da jornada extenuante 6×1”, defendeu.
Para o deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), as novas tecnologias deveriam servir para aliviar a carga de trabalho. Ele citou dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que associam a mortalidade no ambiente de trabalho a jornadas exaustivas, defendendo que jornadas menores aumentam a produtividade ao invés de prejudicar a economia.
O deputado Bohn Gass (PT-RS) defendeu que o fim da escala 6×1 deve estabelecer obrigatoriamente um modelo de 5 dias trabalhados com 2 dias consecutivos de descanso, sem qualquer redução na remuneração do trabalhador.
Ele também posicionou-se contra propostas alternativas que circulam no Congresso (as quais apelidou de “Bolsa Patrão”), que sugerem reduzir a jornada semanal para 40 horas, mas exigem que o governo federal subsidie e pague a diferença financeira aos empresários. Para ele, isso retiraria recursos que deveriam ir para a saúde e educação públicas.
Salário mínimo
A sessão também lembrou os 90 anos da instituição do salário mínimo no país. A secretária Luciana Nakamura disse que o mínimo é um importante instrumento de redução da pobreza porque impacta a vida dos trabalhadores, mas também é referência para aposentadorias e pensões.
Ela afirmou, porém, que é um desafio lidar com quase 40 milhões de trabalhadores informais, que não têm os mesmos direitos dos demais, inclusive o salário mínimo.
A presidente da Contag, Vânia Marques, afirmou que o salário mínimo atual, de R$ 1.621, ainda está longe do calculado pelo Dieese para o cumprimento de suas funções constitucionais, que seria de mais de R$ 7 mil.
Bruno Spada / Câmara dos Deputados
Alice Portugal: redução da jornada representa aumento real nos índices de produção por conta do bem-estar dos funcionários
Equidade salarial
A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), , citou outras pautas que estão em discussão na Câmara como a da aposentadoria especial de agentes comunitários de saúde (PLP 185/24).
Ela também pediu aos presentes que façam pressão junto ao Supremo Tribunal Federal que deve julgar nesta quarta-feira (6) a constitucionalidade da lei que trata da isonomia salarial entre homens e mulheres (Lei 14.611/23).
“Pela manutenção da nossa lei da equidade salarial entre homens e mulheres, que ainda é uma lei branda, não é impositiva, ela é educativa, ela é indicativa e está sendo questionada assim mesmo pelos patrões do setor privado”
Reforma trabalhista
Alguns deputados condenaram a reforma trabalhista de 2017 que, segundo eles, restringiu direitos e atacou os sindicatos. A presidente da Contag, Vânia Marques, acredita que alguns pontos podem ser revertidos.
“É dia de reafirmar a nossa valorização, mas também de reafirmar a necessidade de termos melhoras significativas para as nossas vidas. Nós jamais esqueceremos da reforma trabalhista, que enfraqueceu os nossos sindicatos e, consequentemente, um instrumento fundamental de luta para alcançarmos os nossos direitos”.
Reportagem – Silvia Mugnatto
Edição – Geórgia Moraes
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Júlio chama União Brasil de “partido de papel” e prevê bancada reduzida em Mato Grosso
O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) fez duras críticas à estrutura do próprio partido em Mato Grosso e afirmou que a legenda chega às eleições de 2026 enfraquecida e sem organização na maior parte dos municípios. Na avaliação do parlamentar, a responsabilidade pela situação recai sobre o ex-governador Mauro Mendes e o deputado federal Fábio Garcia, apontados por ele como responsáveis pela condução da sigla no Estado.
“Hoje o União Brasil não existe, é apenas um partido de papel”, disparou Júlio.
O deputado comparou o atual cenário com o período em que a legenda ainda era o Democratas. Segundo ele, em 2018, quando Mauro Mendes, Fábio Garcia, Eduardo Botelho e outros políticos migraram para o partido após deixarem o PSB, a sigla possuía estrutura organizada em cerca de 140 municípios. Atualmente, conforme Júlio, o União teria diretórios organizados em apenas 22 dos 142 municípios de Mato Grosso.
Para Júlio, a falta de organização partidária terá reflexos diretos durante a campanha eleitoral. Ele afirmou que o partido precisará recorrer à contratação de advogados particulares para atuar na fiscalização do processo eleitoral, além de buscar pessoas para exercer funções que, segundo ele, poderiam ser desempenhadas por uma estrutura partidária já consolidada nos municípios.
A avaliação pessimista também se estende à projeção eleitoral. Na disputa pela Assembleia Legislativa, Júlio acredita que o União Brasil deverá eleger apenas dois deputados estaduais.
“Aqui na Assembleia Legislativa, nós vamos fazer só dois deputados. Não tem como mentir, a nossa chapa é muito fraca”, afirmou.
Para a Câmara Federal, a previsão é de apenas uma cadeira. Júlio apontou Fábio Garcia e Nilson Leitão como os dois nomes mais competitivos da chapa, mas avaliou que apenas um deles deverá conseguir se eleger.
“Aquela chapa global só vai eleger talvez o Fábio Garcia ou o Nilson Leitão, que são os dois mais potenciais candidatos”, declarou.
Júlio também criticou a quantidade de candidatos lançados pela legenda. Enquanto outros partidos teriam formado chapas com cerca de 20 nomes ou mais, o União Brasil, segundo ele, fechou a composição com apenas dez candidatos, o que, em sua avaliação, reduz a competitividade do grupo.
O parlamentar ainda lamentou que o partido não tenha lançado candidatura própria ao Governo de Mato Grosso e defendeu que o senador Jayme Campos, seu irmão, poderia ter sido o nome escolhido pela legenda. Para Júlio, uma candidatura de Jayme teria ampliado as chances eleitorais do União Brasil.
“Se o União Brasil tivesse lançado o Jayme Campos a governador, nós estaríamos no segundo turno, com chance de vitória e também eleger uma maior bancada”, afirmou.
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