Economia
Acordo Mercosul- UE entra em vigor nesta sexta após 26 anos
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Após 26 anos de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entra em vigor nesta sexta-feira (1º), criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo e reduzindo significativamente tarifas sobre produtos brasileiros exportados ao continente europeu.

A nova etapa marca um avanço histórico na integração comercial entre os dois blocos, com impacto direto na competitividade das empresas brasileiras no exterior. Os termos do acordo foram assinados no fim de janeiro, em Assunção, no Paraguai, entre representantes dos dois blocos.
A aplicação do tratado, no entanto, ocorre de forma provisória por decisão da Comissão Europeia. Em janeiro, o Parlamento Europeu encaminhou o texto para análise do Tribunal de Justiça da União Europeia, que ainda avaliará sua compatibilidade jurídica com as normas do bloco. O processo pode demorar até dois anos.
Mais exportações com menos custos
Logo no início da implementação, mais de 80% das exportações brasileiras para a Europa passam a ter tarifa de importação zerada, segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A maior parte dos produtos vendidos pelo Brasil ao continente poderá entrar no mercado europeu sem pagar impostos de entrada.
Na prática, a redução de tarifas diminui o preço final dos produtos e aumenta a competitividade frente a concorrentes internacionais. Ao todo, mais de 5 mil produtos brasileiros já terão tarifa zero nesta fase inicial, incluindo bens industriais, alimentos e matérias-primas.
Indústria lidera ganhos imediatos
Entre os quase 3 mil produtos com tarifa zerada já no início, cerca de 93% são bens industriais. Isso indica que a indústria brasileira tende a ser a principal beneficiada no curto prazo.
Os setores com maior impacto imediato incluem:
• Máquinas e equipamentos;
• Alimentos;
• Metalurgia;
• Materiais elétricos;
• Produtos químicos.
No caso de máquinas e equipamentos, quase todas as exportações brasileiras para a Europa passam a entrar sem tarifas, abrangendo itens como compressores, bombas industriais e peças mecânicas.
Mercado ampliado e mais competitivo
O acordo conecta mercados que somam mais de 700 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) conjunto trilionário. Com isso, o Brasil amplia significativamente seu alcance comercial.
Atualmente, países com os quais o Brasil possui acordos representam cerca de 9% das importações globais. Com a entrada da União Europeia, esse percentual pode ultrapassar 37%.
Além da redução de tarifas, o tratado estabelece regras comuns para comércio, padrões técnicos e compras governamentais, trazendo mais previsibilidade para empresas.
Implementação gradual
Apesar dos efeitos imediatos, nem todos os produtos terão tarifas eliminadas de uma vez. Para setores considerados mais sensíveis, a redução será feita de forma progressiva:
• Até 10 anos na União Europeia.
• Até 15 anos no Mercosul;
• Em alguns casos, até 30 anos.
Esse cronograma busca permitir adaptação das economias e proteger setores mais vulneráveis à concorrência internacional.
Próximos passos
A entrada em vigor marca o início da aplicação prática do acordo. Ainda serão definidos detalhes operacionais, como a distribuição de cotas de exportação entre os países do Mercosul.
Durante cerimônia de assinatura do decreto de promulgação do acordo, na última terça-feira (28), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o caráter estratégico do tratado. Segundo ele, o acordo reforça o compromisso com o multilateralismo e a cooperação internacional.
Entidades empresariais dos dois blocos também devem acompanhar a implementação para orientar empresas e garantir o aproveitamento das novas oportunidades comerciais.
Economia
Fim da escala 6×1: mais tempo para descanso e família é prioridade
Mais tempo com a família, para cumprir as obrigações em casa, passear e até mesmo ter a possiblidade de fazer pequenas viagens. Esses são alguns dos sonhos de trabalhadores que cumprem jornadas semanais de seis dias de trabalho e apenas um dia de folga, caso passem a ter direito a mais um dia de descanso.

O fim da escala 6×1 é a principal bandeira a ser ostentada pelas manifestações de trabalhadores neste feriado de 1º de Maio. Diversas matérias sobre o tema tramitam no Congresso Nacional neste momento.
A balconista de medicamentos Darlen da Silva, 38 anos, trabalha em uma farmácia no Rio de Janeiro e tem apenas um dia de folga na semana.
“Tenho duas filhas, então para mim é muito corrida a minha folga. Tenho que fazer tudo dentro de casa, lavar roupa, fazer mercado. Não tenho descanso. Venho trabalhar mais cansada ainda no outro dia.”
Ela tem carteira assinada há 15 anos e, durante todo esse tempo, trabalha nesse regime. “Uma folga só é puxado para qualquer trabalhador. Ainda mais para gente que é mãe, mulher. Fica mais complicado ainda, entendeu? Tem muito mais coisa a fazer.”
Darlen diz que entre os colegas de trabalho o assunto da possível redução da jornada é constante: “Todo mundo tá esperando sair essa regra nova aí”.
Caso seja aprovada, ela já planeja como será: “Eu ia tirar um dia para mim, para poder resolver tudo, né? O que tem que fazer de casa. E o outro eu ia tentar descansar, fazer alguma coisa, um passeio, porque a gente não tem tempo. Você tem que optar, ou você larga tudo de lado e vai tentar viver a vida ou você cuida.”
Ela espera, no entanto, que a lei, caso aprovada, seja de fato cumprida, e seja respeitado o limite de 40 horas semanais de trabalho. Ela conta que tem amigos cujos locais de trabalho já aderiram aos dois dias de descanso por semana, mas que, em troca, aumentaram a jornada diária dos trabalhadores.
“Meus colegas estão trabalhando 11 horas por dia para poder entrar nesse esquema de cinco por dois. Entendeu? Então, acaba que não compensa. Para mim, não compensa. Se você trabalhar 11 horas cinco dias na semana, você vai ficar mais cansado ainda”.
Tempo com a família
Também no Rio de Janeiro, o garçom Alisson dos Santos, 33 anos, trabalha na escala 6×1 por um há dez anos. Ele conta que geralmente usa as folgas para resolver pendências dele ou dos filhos.
“A gente sempre tem que resolver alguma coisa da criança na escola, tem médico, sempre tem alguma coisinha para você fazer. Então, acaba não rendendo o seu dia de descanso. Sempre tem que fazer as coisas de casa.”
Segundo ele, esse dia a mais de folga poderia até mesmo ser usado para uma viagem.
“Num dia você organiza as coisas de casa e, no outro dia, consegue passear com a família. Ou, se você vai direto do trabalho, consegue organizar até uma viagem. Com um dia só não, você não consegue fazer nada.”
Em São Luís, no Maranhão, a cabeleireira Izabelle Nunes, 26 anos, diz que não tem acompanhado o debate que está sendo feito entre no Congresso e que o assunto também é pouco discutido no seu ambiente de trabalho. Mesmo assim, disse ser favorável à iniciativa.
“Acho que todos nós trabalhadores temos o direito de ter no mínimo dois dias de folga. Cuidar dos nossos estudos, saúde, lazer, cultura e trabalhando nessa escala a gente só se acaba.”
Trabalhando seis dias por semana, Izabelle disse ainda que o dia a mais de folga ajudaria muito na dinâmica doméstica e familiar. “Faria tudo que desse. Ficaria mais com minha família.”
A professora Karine Fernandes, 36 anos, diz que vem acompanhando o debate por meio das redes sociais. Apesar de não trabalhar na escala 6×1, ela disse ser favorável à redução da jornada.
“Acredito ser uma discussão importante, que afeta significativamente a qualidade de vida de muitos trabalhadores.”
Karine disse ainda que a pauta é relevante e que afeta diretamente a qualidade de vida das famílias.
“Como mãe, penso em como isso influencia a vivência de crianças que podem ter mais tempo de qualidade com suas mães e pais e como isso tem resultado direto no fortalecimento dos adultos que irão se tornar.”
Fim da jornada 6×1
O fim da jornada 6×1 tem sido uma das principais apostas do governo na agenda trabalhista e já está em tramitação no Congresso Nacional, com expectativa de avanço nas próximas semanas.
Estão em tramitação no Congresso Nacional algumas propostas para acabar com essa escala. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 36 horas semanais. A transição se daria ao longo de dez anos.
A outra proposta apensada (PEC 8/25), da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), prevê uma escala de quatro dias de trabalho por semana, com limite de 36 horas no período.
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva também enviou ao Congresso um projeto de lei (PL) com urgência constitucional para acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais. O PL com urgência precisa ser votado em até 45 dias ou tranca a pauta do plenário da Câmara.
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