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Para ser efetivo, ECA Digital depende de mudança de cultura, aponta debate
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Marco normativo na proteção on-line de crianças e adolescentes, o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente — ECA Digital, sancionado há menos de um mês, promove avanços para a segurança nos ambientes virtuais. Mas a legislação é apenas o início do enfrentamento aos desafios impostos pela própria norma e da necessidade de mudança cultural. Esse foi um dos pontos debatidos pelo Conselho de Comunicação Social (CCS) do Congresso em audiência nessa segunda-feira (6).
O ECA Digital reúne responsabilidades a serem compartilhadas pelo tripé empresas de tecnologia, famílias e Estado. A Lei 15.211, de 2025, foi recém-regulamentada por três decretos, entre eles o Decreto 12.880, de 2026, que prevê a implementação progressiva de diversas disposições.
A coordenadora do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), Renata Mielli, abriu o debate destacando que a legislação procura criar um ambiente de regras, com obrigações para o setor privado, mas concretiza uma visão de que o cuidado com crianças e adolescentes não pode ser apenas da família, mas compartilhado entre Estado e sociedade. A debatedora disse ainda que o debate regulatório é complexo e enfrenta forte lobby.
— Nós estamos apenas começando a enfrentar os desafios do próprio ECA Digital, porque ele não é apenas uma legislação; ele é uma mudança cultural de como nós vamos passar a interagir com esse ambiente. Então, diferentemente de outras leis, para as quais basta o cumpra-se, você vai lá e sanciona e se resolve o problema, essa é uma lei que precisa de um tempo, porque ela precisa da participação de um conjunto da sociedade para que a sua implementação seja de fato efetiva, mas ela não é o ponto final do debate legislativo em torno das questões da criança e adolescente.
Para Paulo Rená, da Coalizão Direitos na Rede, a pauta de regulamentação de plataformas precisa de avanços. Ele destacou a importância do devido processo na moderação do conteúdo.
— O devido processo aqui é um instrumento de garantia da liberdade de expressão, incluindo o acesso à informação e a nossa possibilidade de manifestar o nosso pensamento. Se houver abuso, se houver arbitrariedade, se houver um exagero na remoção de conteúdo, no bloqueio, na suspensão de contas, a gente tem uma ferramenta para incidir e solicitar uma correção.
Rená também ressaltou ser importante a distinção entre aferição e a verificação de idade:
— Aferir idade, ver se a pessoa pode ou não acessar aquele conteúdo necessariamente tem que estar separado de verificação de identidade. O site não pode saber quem eu sou; só deve saber que eu tenho mais de 18, mais de 14, mais de 12 ou menos de 12, só. (…) Na aferição de idade prevista no ECA Digital tem que funcionar assim, com minimização de dados — expôs.
Riscos
Diretora de Políticas Públicas do Conselho Digital, Roberta Jacarandá disse que a regulação pode fortalecer práticas existentes, vem para preencher lacunas e para trazer uma coordenação institucional.
— A ideia é evitar justamente que essas soluções que a legislação e a regulação trazem desconsiderem o real funcionamento do ecossistema digital. Falando de ECA Digital, uma das características que essa legislação tem e que é superimportante é que ela traz uma abordagem baseada no risco, e isso implica obrigações proporcionais a esse risco também. O risco não decorre da existência de uma ferramenta tecnológica em si, mas de como essa ferramenta é usada, quais são as salvaguardas que ela apresenta e que tipo de proteção ela oferece. Por essa razão, a gente vê a regulamentação, na sua melhor forma, priorizando resultados de proteção e o Estado coibindo riscos concretos.
Maria Mello, do Instituto Alana, ponderou que “as maiores vulnerabilidades existentes na vida de crianças e adolescentes no ambiente offline estão mais diretamente relacionadas às vulnerabilidades do contexto online”.
— As vulnerabilidades off-line, às quais as crianças e adolescentes estão expostas, vão tornar esses perigos, esses riscos maiores quando elas estão no ambiente on-line. Soma-se a isso o fato de que o Brasil é hoje um dos países em que se passa mais tempo utilizando os nossos smartphones, as nossas telas e uma série de outros dispositivos eletrônicos.
Os conselheiros Carlos Magno e Camila Leite Contri questionaram sobre a proteção de crianças e adolescentes quando há o compartilhamento de dispositivos, principalmente por jovens de famílias de menor poder aquisitivo.
Em resposta, o presidente da SaferNet Brasil, Thiago Tavares, disse que um em cada cinco celulares no Brasil é compartilhado. Ele lembrou que o Eca Digital tornou obrigatória a vinculação da conta de uma criança a de um adulto.
Assim como outros debatedores, Tavares lamentou ainda que o PL 3.066/2025, em tramitação na Câmara, proíba o uso da rede privada virtual (VPN), que “é uma ferramenta absolutamente essencial para a garantia da segurança e também da privacidade e da proteção de dados”.
A reunião foi coordenada pela vice-presidente do CCS, Angela Cignachi.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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Ponte do Boa Esperança e acessos à Estrada do Moinho recebem novo asfalto
A Prefeitura de Cuiabá realiza nesta quinta-feira (5) os últimos trabalhos de aplicação da capa asfáltica na ponte do Boa Esperança e nos trechos de acesso, englobando também o recapeamento até a Estrada do Moinho, próximo à casa de shows Lua Morena. Devido aos serviços na passagem sobre o Córrego Fundo, o trânsito permanece temporariamente interditado, com previsão de liberação da estrutura para o tráfego de veículos no período da tarde.
Com a base dos acessos concluída, as equipes da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras (SMINFRA) aplicam o asfalto novo sobre a ponte e nos trechos reconstruídos. O serviço inclui a renovação da camada asfáltica no segmento já pavimentado que liga a travessia à Avenida Archimedes Pereira Lima.
A ponte foi reaberta em 16 de outubro para o tráfego de veículos leves e pesados. A Prefeitura liberou o trânsito assim que o aterro e a base dos acessos ficaram prontos, restabelecendo a ligação direta entre o Boa Esperança e a Estrada do Moinho enquanto aguardava condições de tempo seco para a aplicação do asfalto.
A reconstrução foi iniciada após parte da ponte ceder. A avaliação técnica apontou que a força da água removeu a camada de solo sob a fundação antiga. A equipe preservou o trecho da estrutura que não foi atingido e reconstruiu a área danificada com estacas metálicas cravadas a 12 metros de profundidade, interligadas por uma base de concreto.
Com a conclusão da pavimentação, as equipes passam a focar na passagem de pedestres e nas etapas de acabamento. “Amanhã vamos estar concretando a passarela de pedestres sobre a ponte”, afirmou o engenheiro civil Marco Farias, da SMINFRA. A concretagem está programada para sexta-feira (6), medida adotada após a equipe identificar, durante a execução da obra, a necessidade de alargar a passagem.
A construção das calçadas e meios-fios está prevista para a próxima semana. O projeto também inclui a instalação de guarda-corpos. Segundo Farias, a meta é concluir a totalidade dos serviços de obra civil até o fim da próxima semana, sem a necessidade de novas interdições da travessia.
Durante a fase final de acabamento, os trabalhos vão se concentrar nas laterais da ponte, mantendo a pista aberta ao tráfego. A orientação é para que os motoristas dobrem a atenção à sinalização e aos cones que delimitam as áreas de trabalho.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
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