NA JUSTIÇA

CRIMES COMETIDOS POR MILITARES: COMANDANTE QUER IMPEDIR QUE A POLÍCIA CIVIL INVESTIGUE

Ainda não houve manifestação do Procurador-geral sobre o pedido.

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Polícia

PM-MT

Segue em tramitação no Tribunal de Justiça de Mato Grosso ação para que assassinatos cometidos por policias militares sejam investigados internamente, sem intervenção da Polícia Civil. O processo é movido pelo comandante da PM, coronel Alexandre Mendes, e ainda não teve decisão judicial. Hoje, em caso de morte por agente do estado é estabelecido Inquérito Policial Militar (IPM) e a investigação conduzida pela Polícia Civil.

Perante o elevado número de mortes em “confrontos” policiais e outras classificadas como crime de ódio, o procurador José Antônio Borges, da  Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laicom, apelou ao chefe do Ministério Público (MPMT), procurador-geral Deosdete Cruz, que intervenha para a celeridade da decisão e negativa do pedido.

“Enquanto, paralelamente à tal fato, crimes praticados por policiais militares contra civis vêm assombrando toda a sociedade, em especial aqueles dolosos contra a vida, como os recentes homicídios ocorridos em Rondonópolis”, diz trecho do pedido encaminhado ao procurador-geral em 29 de dezembro, dois dias após a morte de 2 moradores de rua, assassinados por policiais militares.

Consta no ofício encaminhado ao MP que o pedido feito ao Tribunal de Justiça, entre outros pontos, é que “Seja solicitado à SESP/MT que determine à PC/MT se abster de instaurar inquérito policial no caso de crimes militares, sejam eles quais forem, sob pena de responsabilização por eventual usurpação de função pública ou abuso de autoridade”.

Também requer que ações que aportarem na Justiça comum sobre homicídios praticados por militares sejam imediatamente trancadas. Sugere, ainda, a redefinição da competência da 11° Vara Criminal e Justiça Militar para que “nos crimes em que ocorra a intervenção policial militar com resultado lesão corporal ou morte de civil na condição do artigo 9° do CPM, a investigação será realizada pela Polícia Judiciária Militar através do Inquérito Policial Militar, sob a fiscalização do Juiz de Direito do Juízo Militar”.

Ainda não houve manifestação do procurador-geral sobre o pedido.

Chacina
Na madrugada da quarta-feira (27), um grupo de sem-teto estava reunido em frente do Centro de Referência Especializado para Pessoas em Situação de Rua (Centro POP), quando dois suspeitos passaram atirando contra os mesmos.

Thiago Rodrigues Lopes, 37, e Odinilson Landvoight de Oliveira, 41, morreram no local. Outras duas pessoas ficaram feridas e foram encaminhadas ao hospital regional.

Os policiais militares Cássio Teixeira Brito e Elder José da Silva foram presos no dia 29 acusados pelo crime ao qual o delegado do caso, Thiago Damasceno, classificou como “crime de ódio”, visto que as vítimas não tinham conduta criminosa e não esboçaram qualquer reação diante dos acusados.

Homicídio cometidos por PMs sobe 121%
O ano de 2023 foi marcado por diversos confrontos da Polícia Militar com suspeitos que ostentavam extensas fichas criminais. Dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública (SESP) mostram que houve um aumento de 121% nas mortes por intervenção do Estado, em 2023. De janeiro a outubro, 192 criminosos morreram.

 

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Polícia

Chico Guarnieri é o 5º candidato mais multado do país por desmatamento

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O deputado estadual Chico Guarnieri (PSDB), que busca a reeleição este ano, aparece como o quinto candidato mais multado do Brasil por infrações ambientais desde 2023, segundo levantamento realizado pela Agência Tatu em parceria com o Intercept Brasil. A pesquisa identificou 49 candidatos de 15 partidos que, juntos, acumulam R$ 15,5 milhões em multas aplicadas pelo Ibama.

De acordo com o levantamento, Guarnieri recebeu uma autuação de R$ 970 mil por suposto desmatamento de 194 hectares sem autorização em uma propriedade localizada em Barra do Bugres, na região Médio-Norte de Mato Grosso. A área está inserida no bioma Amazônia.

Com o valor, o parlamentar tucano ocupa a quinta posição no ranking nacional de candidatos com maiores autuações ambientais. O levantamento também aponta que o PL concentra o maior número de nomes na lista: 13 candidatos do partido somam aproximadamente R$ 6 milhões em multas ambientais nos últimos três anos.

Defesa contesta autuação

A defesa de Chico Guarnieri, no entanto, questiona administrativamente a autuação do Ibama e contesta a dimensão da área apontada pelo órgão ambiental.

Segundo os advogados, durante a fiscalização teriam sido identificados apenas cerca de nove hectares dentro de área de preservação, número significativamente inferior aos 194 hectares considerados na autuação.

A defesa também sustenta que, posteriormente, a propriedade teve o Cadastro Ambiental Rural (CAR) validado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), sem registro de passivo ambiental.

O episódio ganha peso político em meio à campanha eleitoral de 2026. Guarnieri tenta renovar o mandato na Assembleia Legislativa e, no início desta semana, ganhou um importante aceno político ao receber o apoio público do senador Flávio Bolsonaro, durante visita do presidenciável a Campo Novo do Parecis.

A situação, portanto, coloca o candidato tucano em uma posição de atenção justamente em um momento de disputa eleitoral, ao mesmo tempo em que sua defesa busca reverter administrativamente a penalidade aplicada pelo órgão ambiental.

Até o momento, trata-se de uma autuação administrativa contestada pela defesa, e não de uma condenação definitiva por crime ambiental.



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