SERVIÇO DIGITAL
Canais de atendimento da Sefaz são apresentados para empresários mato-grossenses
Secretaria participou da 13º Feira do Empreendedor de Mato Grosso, que reúne empresas e especialistas da área de negócios
Economia
Atualmente, a Sefaz conta com canais de atendimento virtual, telefônico e presencial. De acordo com o superintendente de Atendimento ao Contribuinte, Rafael Vieira, as mudanças promovidas pela secretaria são voltadas, principalmente, para o atendimento virtual.
“Estamos digitalizando os serviços fazendários, dando mais autonomia ao cidadão e empresas, desburocratizando processos e aumentando o nível de eficiência nos serviços prestados. É importante destacar que a gente conseguiu dosar esses dois movimentos: da digitalização mantendo a qualidade no atendimento”.
Para Vieira, o novo modelo de atendimento da Sefaz é baseado em três pilares. “Digital, sem deixar de ser humanizado, resolutivo e proativo, promovendo e facilitando a regularidade dos contribuintes”, disse o superintendente durante a apresentação na Feira.
Dentre as inovações está o fórum online criado no início deste ano para levar, de forma ágil e eficiente, conhecimento aos contribuintes sobre tributação, legislação e procedimentos fiscais. O serviço é acessado em ambiente virtual, por qualquer cidadão, empresário ou profissional da área contábil, que pode interagir e conversar sobre assuntos tributários.
“O fórum utiliza métodos modernos de desenvolvimento ágil e replica a maneira como as pessoas estão acostumadas a dirimir dúvidas e construir o conhecimento em meios digitais. A ferramenta tem funcionado muito bem e auxiliado na resolução de eventuais dúvidas que são comuns aos contribuintes, evitando que a pessoa tenha que entrar em contato com a Sefaz ou ir presencialmente a uma unidade de atendimento”, afirma Rafael.

Foto – Flávio Costa
No atendimento presencial, a Secretaria de Fazenda também tem promovido mudanças como a abertura de novos postos de atendimento, em parceria com os municípios. As chamadas Unidades de Serviço Conveniadas (USCs) oferecem os serviços fazendários de forma descentralizada, facilitando a vida do contribuinte. Atualmente, a Sefaz mantém convênio com mais de 120 prefeituras para que o atendimento seja prestado de forma eficaz e célere.
Marcelo Valadares, da sala do empreendedor de Água Boa, participou do painel da Sefaz e afirmou que a palestra vai contribuir para o atendimento que é prestado ao micro e pequeno empreendedor. “A gente tem [na sala do empreendedor] um atendimento exclusivo ao Microempreendedores Individuais (MEI) e muitos produtores têm dúvidas, por exemplo, sobre a emissão de nota fiscal. É muito importante esse tipo de informação sobre os canais de atendimento. Essa informação tem que chegar na ponta. Então, essa contribuição vai ser muito válida para a gente poder ajudar o MEI e ele ter um acesso às informações de uma forma mais célebre”.
A 13ª Feira do Empreendedor de Mato Grosso é realizada no Centro de Eventos do Pantanal (CEP), com entrada gratuita, e teve início na quinta-feira (05). A programação segue até domingo, dia 08 de outubro, com palestras, oficinas, consultoria, além de exposição, das 14h às 22h. Ao todo, serão mais de 36 horas, com mais de 200 palestras e mais de 80 expositores, e uma expectativa de impactar mais de 100 mil empreendedores e futuros empreendedores, conforme o Sebrae MT.
Economia
Projeto mapeia caminhos para economia verde no Nordeste
Um projeto começou a percorrer os nove estados do Nordeste para mapear oportunidades econômicas, setores produtivos, capacidades e competências capazes de contribuir para a transição da região para uma economia de baixo carbono. A iniciativa, chamada Futuros Verdes no Nordeste, reúne o Instituto Clima e Sociedade (iCS) e o Centro de Estudos e Sistemas Avançados de Recife (CESAR).

A proposta é ouvir especialistas e representantes do setor produtivo para transformar o conhecimento sobre sustentabilidade em orientações estratégicas que considerem a diversidade dos territórios nordestinos. O mapeamento também pretende identificar as necessidades de formação e capacitação de profissionais diante das novas exigências impostas pelas mudanças climáticas e pela transformação dos modelos produtivos.
Para Diogo Araújo, biólogo, analista do CESAR e um dos coordenadores do projeto, a transição para uma economia de baixo carbono não acontece de forma automática.
“As oportunidades não se distribuem automaticamente e também não vai ter uma transformação de forma tão natural e tão automática […]. Então é por isso que o Futuros Verdes no Nordeste nasce. Para compreender essa complexidade.”
A região reúne, ao mesmo tempo, alguns dos principais desafios provocados pelas mudanças climáticas e um conjunto de potencialidades para o desenvolvimento de alternativas produtivas mais sustentáveis.
Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a caatinga é um dos biomas mais ameaçados pela desertificação em todo o mundo. Em 2025, segundo o Mapbiomas, três dos cinco estados que mais desmataram estavam no Nordeste: Maranhão, Piauí e Bahia. Quatro das sete cidades brasileiras mais ameaçadas pela elevação do nível do mar também estão na região, segundo a Climate Central: Recife, São Luís, Fortaleza e Salvador.
Por outro lado, 92% de toda a energia eólica produzida no país vem do Nordeste. A região também abriga cinco das 10 maiores usinas solares e tem no turismo uma importante fonte de geração de recursos.
Para o gerente de Recursos Naturais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Mário Cardoso, as oportunidades podem ser ainda mais amplas.
“Você tem potencialidade na bioeconomia, na biodiversidade da caatinga, na questão de biomassa e energia renovável, tanto com etanol quanto energia solar, as energias renováveis, solar e eólica, tudo isso você tem potencialidade”, lista Mario Cardoso, Gerente de Recursos Naturais da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Mas ele emenda uma questão: “Agora, como transformar essa potencialidade em desenvolvimento?
Para o especialista, a resposta é complexa e envolve, entre outros fatores, cadeia de produção, demanda do setor produtivo, potencial de mercado, viabilidade técnica e capacidade de implementação.
“Tem locais que têm vocação para a produção de energia eólica? Tem. Mas ele também depende da linha de transmissão. Potencial, por si só, não gera desenvolvimento. Tem toda uma estratégia por trás, uma condição, uma infraestrutura, uma regulação, tudo o que suporte esse potencial. Não tem resposta simples, não tem solução de prateleira.”
A capacidade de implementação passa também pela formação de profissionais habilitados às novas demandas. Nicolis Amaral, do Instituto Clima e Sociedade (iCS), acredita que é preciso fazer ajustes na formação dos profissionais que vão encarar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.
“As profissões começam a se transformar por demanda” explica a ativista que se formou como engenheira química, mas que apresenta sua própria transição de carreira como um exemplo das mudanças que precisam ser feitas:
“A gente começa a olhar essa grade curricular mais engessada. Eu, por exemplo, sou engenheira química. A minha engenharia química foi focada no petróleo, não foi focada na economia verde. Então, ao longo do tempo, fui me especializando […] hoje eu me vejo como especialista em descarbonização por cursos adicionais, não pela minha graduação.”
Nicolis participa do projeto que percorre os nove estados do Nordeste para mapear oportunidades e pensar na capacitação de profissionais que possam responder às novas exigências.
“Tudo que é demandado é a transformação e o emprego verde vai exigir uma transformação contínua. Tem demanda, tem mercado, tem projeto, tem investimento, junto vem empregabilidade.” defende a engenheira de descarbonização.
Para Cardoso, transformar as potencialidades da região em desenvolvimento exige planejamento e rapidez. Ele lembra que empresas que não adotam processos mais sustentáveis podem perder espaço no mercado e cita as exigências ambientais que vêm sendo estabelecidas por países e blocos econômicos, como a União Europeia.
O desafio, segundo ele, é impedir que a degradação ambiental elimine oportunidades antes mesmo que elas possam se transformar em cadeias produtivas.
“Quando a gente trata da bioeconomia, muitas vezes o desmatamento vem antes e acaba com tudo. A gente tem que correr. Tem que começar a pensar de uma maneira mais pragmática, porque o mundo está andando muito depressa. Hoje, [se] a gente não consegue fazer, o outro lá fora faz e daqui a gente compra dele. Se a gente não transforma nossa bioeconomia, nosso açaí por exemplo, num produto realmente de peso no Brasil, daqui a pouco a gente vai estar comprando ele de outra pessoa, de outro país.
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