Contempladas com editais da Sece
Empreendedoras criativas tiram projetos do papel
Com a ajuda do Governo do Estado, elas têm a oportunidade de investir no próprio negócio
Economia
Mulheres beneficiadas com os editais desenvolvidos pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) conseguiram tirar os projetos do papel com o apoio financeiro do Governo de Mato Grosso, e estão investindo no empreendedorismo, deslanchando como protagonistas da própria história.
Para algumas delas, entre os muitos desafios está o equilíbrio da maternidade e vida profissional, como é o caso da empreendedora criativa Juliana de Souza Silva, 20 anos. Ela começou a empreender aos 15 anos, em Cuiabá, após descobrir que estava grávida.
“No começo (o trabalho) era apenas para sustentar meu filho, comprar leite e o básico, mas com a pandemia meu trabalho que já era online foi se consolidando, fui nichando cada vez mais e construindo uma comunidade bem engajada nas bandeiras que eu levanto, além de inspirar pessoas com a minha história com a moda sustentável e inclusiva”, contou.
Ela foi selecionada no edital MoveMT, desenvolvido pela Secel-MT em parceria com o Oi Futuro, voltado para a aceleração de projetos e negócios criativos. Juliana tem um brechó online, o Encontrei Brechó no Instagram, e só conseguiu se perceber como empreendedora após quase três anos de atividade.


Divulgação SECEL-MT
Em um país com tantas desigualdades, muitas mulheres fazem da arte um meio de diminuir essas diferenças, de conscientizar, educar, como a exemplo da artista Patrícia Itaibele Gomes Pereira, 29 anos, com o projeto Boneca Abayomi: Memória e Identidade Negra, contemplado no edital Movimentar, realizado pela Secel-MT.


Divulgação SECEL-MT
Realizado em Juína (745 km de Cuiabá), o projeto busca resgatar por meio de um brinquedo típico as narrativas da mulher preta. Não apenas como uma persona, mas como protagonista na construção da sociedade. “É uma forma de enfatizar as belezas da negritude e sua contribuição, e resgatar histórias apagadas por meio das narrativas orais”, pontua Patrícia.
Ela comenta ainda sobre a oportunidade de ampliar o alcance da mensagem do projeto. “O edital permitiu que eu tirasse do papel um projeto que encanta. Democratizou e permitiu chegar mais distante com as narrativas, além de fomentar e valorizar outras mulheres pretas que são protagonistas desse processo”.
Entre as muitas bandeiras levantadas pelas mulheres está o compromisso com a conservação do meio ambiente.
Em Terra Nova do Norte (650 km de Cuiabá), Gisele Maria Ribeiro Bido, 25 anos, desenvolve um trabalho pensando na sustentabilidade e na valorização da Floresta em Pé. A artesã foi selecionada na categoria Mundo das Artes do edital MT Criativo, lançado em 2021.


Divulgação SECEL-MT
A ArtGi Empreendimento Sustentável produz e vende artesanatos de madeira e produtos ecológicos, criando uma nova forma de trabalhar e de viver de forma harmônica com a natureza, e, ainda, ajudando a conservar a arte, a culinária e a biodiversidade local.
“O incentivo impactou e continua impactando, e muito, tanto nosso projeto, como minha vida. O apoio tem nos permitido aumentar a área de floresta protegida com aceiros usados para o Ecoturismo, e com a possibilidade de fazer melhorias em nossas instalações e equipamentos”.
Economia
CMN aprova crédito de R$ 10 bilhões para inovação no agronegócio
Produtores rurais interessados em investir em inovação terão à disposição R$ 10 bilhões em financiamentos para a adoção de tecnologias nacionais no agronegócio. Em reunião extraordinária nesta quinta-feira (23), o Conselho Monetário Nacional (CMN) regulamentou uma linha de crédito a produtores e cooperativas rurais interessados em investir em equipamentos inovadores que aumentem a produtividade, reduzam custos e tornem a produção mais sustentável.

A medida foi aprovada por meio da Resolução nº 5.331, em sessão extraordinária realizada nesta quinta-feira (23), e utiliza recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). A linha de crédito foi criada pela Medida Provisória nº 1.374, publicada em 30 de junho, e agora passa a ser regulamentada pelo Conselho Monetário Nacional, permitindo o início das operações.
Quem poderá contratar
A nova linha de crédito poderá ser acessada por:
- produtores rurais pessoas físicas;
- produtores rurais pessoas jurídicas;
- cooperativas de produção agropecuária.
Um dos principais diferenciais da medida é justamente a inclusão de produtores rurais pessoas físicas, que tradicionalmente têm menos acesso a financiamentos voltados à inovação tecnológica. Cada beneficiário poderá contratar até R$ 30 milhões.
Como funcionará
O dinheiro não será emprestado diretamente pelo governo federal. Segundo a medida provisória que criou a linha de crédito, os R$ 10 bilhões virão do superávit financeiro do governo, que inclui excedentes de fundos públicos, sem impacto no Orçamento federal.
A operação será feita por bancos públicos, bancos de desenvolvimento e outras instituições financeiras oficiais credenciadas pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública responsável por fomentar a inovação no país.
Na prática, o produtor interessado deverá procurar uma dessas instituições para solicitar o financiamento.
Os equipamentos e projetos que poderão receber os recursos serão definidos pela Finep, em uma lista que será publicada no site da instituição.
O que poderá ser financiado
O objetivo da linha é acelerar a modernização das propriedades rurais por meio da adoção de tecnologias desenvolvidas no Brasil.
Entre os investimentos previstos estão:
- agricultura de precisão;
- máquinas e equipamentos automatizados;
- conectividade no campo;
- digitalização da produção;
- tecnologias para uso mais eficiente de fertilizantes, defensivos e água;
- sistemas de rastreabilidade da produção agropecuária.
Segundo o governo, esses investimentos devem aumentar a produtividade das lavouras, reduzir desperdícios e fortalecer a sustentabilidade da atividade agrícola.
Juros e prazo
O financiamento terá prazo de até cinco anos para pagamento, sem período de carência. As parcelas serão anuais.
Os juros serão compostos pela Taxa Referencial (TR), acrescida da remuneração da Finep, de 3% ao ano, e da instituição financeira responsável pela operação, limitada a 4% ao ano.
Na prática, os encargos poderão chegar a 7,12% ao ano, dependendo da instituição financeira.
O risco de inadimplência ficará integralmente com o banco que conceder o crédito, e não com o governo.
De onde vem o dinheiro
Os R$ 10 bilhões serão financiados com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), principal instrumento do governo federal para apoiar projetos de ciência, tecnologia e inovação.
O que é o CMN
O Conselho Monetário Nacional é o órgão responsável por definir as principais diretrizes das políticas monetária, cambial e de crédito do país.
Atualmente, o colegiado é composto pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que preside o conselho, pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.
Com a publicação da resolução, a nova linha de crédito entra em vigor imediatamente e poderá começar a ser operada pelas instituições financeiras credenciadas pela Finep.
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