Política
Lúdio Cabral faz projeção de leitos necessários para tratar Covid-19 em Mato Grosso
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Da Redação
O deputado estadual e médico sanitarista Lúdio Cabral (PT) calculou diferentes cenários da epidemia da Covid-19 em Mato Grosso para projetar o número de leitos que serão necessários para tratar os pacientes. Lúdio alerta que o isolamento social é a medida mais eficaz para conter o avanço do coronavírus ainda no início da epidemia. Quanto mais rápida for a propagação do vírus, maior será a necessidade de vagas nos hospitais.
“Depois do pronunciamento no mínimo desastroso do presidente, é muito importante reforçar as recomendações das autoridades sanitárias: diminuir a circulação de pessoas para reduzir a velocidade de disseminação do vírus. Quanto mais espaçada for a duração da epidemia, quanto mais achatada for a curva da epidemia, menor será a sobrecarga no sistema de saúde. O melhor mecanismo que temos para isso hoje é o isolamento social”, explicou.
Lúdio Cabral, que atua há mais de 20 anos na saúde coletiva e no tratamento de doenças nas populações, fez as projeções com base na população de Mato Grosso e no avanço do coronavírus em outros países. Ele considerou que cerca de 15% dos infectados precisariam de internação em leitos gerais e 5% em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), com um tempo médio de permanência de 7 dias nos leitos gerais e 12 dias na UTI.
“Deputado estadual e médico sanitarista reforça necessidade de isolamento social”.
Pelos cálculos, se 1% da população mato-grossense for infectada pelo coronavírus, ou seja, 34.845 pessoas, 5.227 devem ser internadas e 1.742 devem precisar de leitos de UTI. Se isso acontecer num período de três meses, Mato Grosso precisará de 407 leitos gerais e 232 leitos de UTI. Se a epidemia avançar mais lentamente, ao longo de seis meses, por exemplo, a quantidade de leitos necessários será reduzida pela metade, com necessidade de 203 leitos gerais e 116 leitos de UTI.
Num cenário extremo, em que 5% da população do estado, ou seja, 174.223 pessoas sejam infectadas, 26.133 precisarão ser internadas, sendo 8.711 na UTI. Se essa disseminação acontecer num intervalo de três meses, serão necessários 2.033 leitos gerais e 1.161 leitos de UTI. Se o intervalo for de seis meses, a necessidade será de 1.016 leitos gerais e 581 leitos de UTI.
Nesta quarta-feira (25), Lúdio enviou ofício ao governador pedindo informações sobre as projeções do governo para a quantia necessária de leitos hospitalares gerais, de leitos de UTI e de respiradores mecânicos. O deputado questionou ainda quantos leitos já estão disponíveis no estado e quantos serão abertos para o tratamento da Covid-19, bem como a distribuição desses leitos pelas unidades de saúde dos 141 municípios e qual o cronograma de entrega dos novos leitos.
Lúdio Cabral alertou ainda para a falta de proteção aos profissionais da saúde, que lidam diretamente com pessoas infectadas pelo coronavírus. “O vírus já está circulando entre nós. Os equipamentos de proteção individual (EPI) ainda não chegaram e os trabalhadores da saúde estão expostos ao risco de serem infectados”, observou.
Simulações de cenários da epidemia da Covid-19 em Mato Grosso – Ludio Cabral
Foto: ALMT
Política
CRE monitora com atenção relações entre Brasil e EUA, diz Nelsinho Trad em nota
O presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), senador Nelsinho Trad (PSD-MS), divulgou nota oficial nesta sexta-feira (14) na qual afirma receber com atenção a decisão do Poder Executivo de abrir processo previsto na Lei da Reciprocidade Econômica em resposta às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
Na avaliação de Nelsinho, o Brasil precisa estar preparado para agir quando necessário, sem esquecer que as relações bilaterais ocorrem há mais de 200 anos e que todas as possibilidades de entendimento devem ser buscadas antes de uma escalada comercial.
“Sempre defendi que o primeiro caminho deve ser o diálogo. Ao mesmo tempo, não podemos abrir mão dos instrumentos legítimos que o próprio Congresso Nacional criou para proteger os interesses do Brasil quando necessário”, diz ele.
O senador explica que esse tipo de processo dura meses, não significando a adoção automática de contramedidas pelo Brasil, mas abre a etapa de avaliação e de consultas diplomáticas entre as nações.
“Considero importante que esse espaço seja utilizado para buscar uma solução negociada, ao mesmo tempo em que o Brasil avalia, com responsabilidade e critérios técnicos, os instrumentos que tem à disposição”, afirma na npta.
Nelsinho defende que o Brasil promova o “diálogo até o limite”, mas com responsabilidade nas decisões em defesa dos interesses brasileiros.
Tarifas
As novas tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras inauguraram uma nova etapa nas relações comerciais entre os dois países. A sobretaxa alcança cerca de 3 mil itens e será cobrada dos importadores americanos no momento em que os produtos brasileiros entrarem nos EUA.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) prevê que o novo tarifaço atingirá 18% das exportações brasileiras para os EUA. Comparados aos dados de 2024 — ano anterior aos primeiros tarifaços anunciados pelo presidente dos EUA, Donald Trump —, o percentual corresponde a R$ 37,6 bilhões. Já com base nos números de 2025, a participação dos setores afetados equivale a R$ 29,4 bilhões (15%).
No mês passado, o presidente da CRE solicitou informações ao MDIC sobre como o governo pretende operacionalizar a Lei da Reciprocidade Econômica (sancionada em 025 após os primeiros tarifaços), quais estudos estão sendo conduzidos pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) e se haverá necessidade de aperfeiçoamentos legislativos. O objetivo, segundo ele, é oferecer à CRE informações técnicas que subsidiem eventuais iniciativas legislativas.
Além disso, no dia 4 de agosto, o grupo de trabalho criado por iniciativa da presidência da CRE discutiu questões de acesso a mercados das exportações brasileiras com diversos representantes do governo e do setor privado, com foco nas proteínas de origem animal.
No dia da entrada em vigor do atual tarifaço dos Estados Unidos, em julho, o governo federal assinou uma medida provisória (MP 1.379/2026) com um novo pacote de apoio às empresas brasileiras. Batizada de Plano Brasil Soberano 3, a iniciativa prevê R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados para exportadores e setores considerados estratégicos para a economia nacional.
A Presidência da República também sancionou o projeto derivado da MP 1.345/2026, que instituiu as linhas de financiamento do Plano Brasil Soberano. Em relação a esse texto, o Congresso decidiu ampliar o escopo para contemplar, além dos exportadores de bens industriais e seus fornecedores, setores considerados estratégicos para o comércio exterior brasileiro.
Veja a nota do presidente da CRE na íntegra:
Nota à Imprensa
Recebo com atenção a decisão do governo brasileiro de iniciar o processo previsto na Lei da Reciprocidade Econômica diante das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Sempre defendi que o primeiro caminho deve ser o diálogo. Ao mesmo tempo, não podemos abrir mão dos instrumentos legítimos que o próprio Congresso Nacional criou para proteger os interesses do Brasil quando necessário.
Foi justamente por isso que, ainda em julho, encaminhei ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços um pedido de informações sobre a operacionalização da Lei da Reciprocidade, os estudos conduzidos pela Camex e até mesmo sobre a eventual necessidade de aperfeiçoamentos na legislação.
O processo iniciado agora não significa a adoção automática de contramedidas. Abre uma etapa de avaliação e de consultas diplomáticas com os Estados Unidos. Considero importante que esse espaço seja utilizado para buscar uma solução negociada, ao mesmo tempo em que o Brasil avalia, com responsabilidade e critérios técnicos, os instrumentos que tem à disposição.
Como presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, continuarei acompanhando esse processo e defendendo aquilo que temos sustentado desde o início: diálogo até o limite, responsabilidade nas decisões e defesa dos interesses brasileiros.
O Brasil precisa estar preparado para agir quando necessário, mas uma relação construída ao longo de mais de 200 anos entre Brasil e Estados Unidos exige que todas as possibilidades de entendimento sejam buscadas antes de uma escalada comercial.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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