Economia
Bolsa tem nova queda e já acumula 8% de desvalorização em 5 pregões
Economia
Mesmo com ação do BC, dólar encerrou o pregão em leve alta de 0,09%, cotado a R$ 3,7082; Bolsa caiu 0,87% aos 72.307,77 pontos
Da Redação
As incertezas em relação ao cenário eleitoral e econômico voltaram a dar o tom no mercado doméstico nesta segunda-feira. Após ter iniciado o pregão em alta, o Ibovespa inverteu o sinal ainda pela manhã e renovou mínimas à tarde, para terminar em queda pela quinta vez consecutiva, aos 72.307,77 pontos. Em cinco sessões, o índice que reúne as ações mais negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo já perdeu 8%. O dólar teve um dia volátil e acabou encerrando os negócios em leve alta de 0,09%, cotado em R$ 3,7082.
A cautela voltou a dar tom dos negócios no pregão desta segunda-feira, influenciado principalmente pelas ações do setor financeiro, que recuaram em bloco. Apesar da queda, o volume de negócios – de R$ 9,6 bilhões – ficou abaixo da média dos últimos dias, evidenciando um pregão mais tranquilo, sem os sobressaltos das últimas semanas.
“Foi uma continuidade do movimento vendedor dos últimos dias, em um cenário de poucas novidades. O mercado precisa de um ‘driver’ novo para dar sustentação à força compradora”, disse Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos.
A queda da Bolsa brasileira foi na contramão dos índices acionários de Nova York, que operaram em alta na maior parte do tempo, em meio a expectativas diversas. Entre elas estão a decisão de política monetária do Federal Reserve, na quarta-feira, e o encontro do presidente americano, Donald Trump, e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, na noite de hoje. Na quinta-feira será a vez da decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE).
“A ausência de notícias faz com que o mercado não tenha onde se apoiar. É um momento no qual se espera respostas; em que não se sabe o que fazer”, disse Ariovaldo Ferreira, gerente de renda variável da H.Commcor. Ele afirma que os desdobramentos da greve dos caminhoneiros seguem como dúvida para os investidores, que acompanham com receio outros movimentos grevistas, como o dos funcionários da Eletrobras.
As ações com maior influência no resultado final do Ibovespa foram as do segmento financeiro, que fecharam com quedas que chegaram a superar os 3%. Responsáveis por mais de 25% da composição do Ibovespa, esses papéis já vinham mostrando desempenho mais fraco desde a abertura positiva da bolsa. Banco do Brasil ON terminou o dia em queda de 3,30%, Itaú Unibanco PN perdeu 2,89% e as units do Santander recuaram 3,13%.
Dólar.Após registrar a maior queda em quase 10 anos na sexta-feira, o dólar teve um dia volátil hoje e acabou encerrando os negócios em leve alta de 0,09%, cotado em R$ 3,7082. A elevação da moeda dos Estados Unidos no exterior ante as principais divisas de países desenvolvidos e emergentes ajudou a manter as cotações pressionadas aqui, sobretudo na parte da tarde, mesmo com a injeção de US$ 3,25 bilhões no mercado pelo Banco Central nesta segunda-feira.
Os investidores aguardam eventos importantes pela frente, incluindo o histórico encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, e a reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), que começa nesta terça-feira, 12, e deve ter nova alta de juros.
Seguindo a promessa de injetar US$ 20 bilhões no mercado até a sexta-feira, 15, o BC fez novo leilão extra de swap cambial hoje e injetou mais US$ 2,5 bilhões em dinheiro novo no mercado, além dos US$ 750 milhões que vem despejando diariamente. O leilão foi pela manhã e fez as cotações do dólar caírem em seguida, batendo a mínima em duas semanas (R$ 3,67) por volta do meio-dia. A moeda começou o dia em alta e chegou a bater em R$ 3,73 no início dos negócios.
Em entrevista nesta segunda-feira, 11, ao Broadcast, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, evitou adiantar a estratégia para o câmbio na próxima semana, quando terminar esse lote adicional. “Nosso objetivo tem sido o de estabilizar o mercado de câmbio. Não temos qualquer problema em usar as reservas internacionais”, disse ele. “O BC e o Tesouro continuarão atuando junto ao mercado enquanto necessário”, disse Ilan ao Broadcast ao Vivo Interativo. No final da tarde de hoje, em evento do Goldman Sachs, Ilan reforçou que a política monetária não será usada para estabilizar o câmbio.
Para o diretor de câmbio da FB Capital, Fernando Bergallo, após despencar 5% na sexta-feira, era natural esperar um dia de ajustes hoje no mercado cambial. Ele ressalta as declarações de Ilan ao Broadcast, de que pode usar se necessário, além dos swaps cambiais, instrumentos como os leilões de linhas e as reservas internacionais. Com isso, Ilan mostra que segue atento ao mercado para evitar um estresse como o da semana passada, ressalta o executivo.
Fonte: O Estado de S.Paulo
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Economia
Sindicatos realizam ato pelo direito ao descanso e fim da escala 6×1
Trabalhadores, aposentados, estudantes e ativistas foram às ruas em diversas cidades brasileiras nesta sexta-feira, 1º de maio, feriado que celebra o Dia Internacional do Trabalhador. 

Na pauta de reivindicações, as principais bandeiras eram o fim da escala de seis dias de trabalho e um de descanso (escala 6×1), sem redução salarial. Em Brasília, a manifestação foi no Eixão do Lazer, na Asa Sul.
A empregada doméstica Cleide Gomes, de 59 anos, foi ao ato com o neto, de 5 anos, a nora e a mãe, de 80, para cobrarem direitos trabalhistas.
Cleide, que atualmente trabalha com carteira assinada, recorda da época em que foi feirante autônoma e auxiliar de serviços gerais, sem carteira de trabalho. Ela chama a atenção para as ilegalidades cometidas contra suas colegas de profissão.
“Conheço pessoas que, agora, estão no trabalho, pois o patrão fala que hoje não é feriado, mas ponto facultativo. As coitadas não vão receber hora extra porque não sabem de seus direitos.”
O ato unificado 1º de Maio da Classe Trabalhadora foi organizado por setes centrais sindicais do Distrito Federal, com atrações culturais e discursos.
O movimento argumenta que a redução da jornada, ao contrário do que dizem empresas, não prejudica a economia e aumenta a produtividade, sendo uma questão de justiça social e um direito dos trabalhadores.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores no Distrito Federal (CUT-DF), Rodrigo Rodrigues, cita exemplos de sucesso na redução da jornada e critica o que classificou como “terrorismo” feito por algumas empresas.
“O descanso é uma necessidade humana e apenas um dia de descanso coloca os trabalhadores em uma situação de desprezo e de desgaste muito grandes. Portanto, reduzir a jornada é uma [questão de] justiça social, é um direito do trabalhador ao seu tempo e é também uma medida inteligente das empresas que fazem porque elas aumentam a produtividade, ao contrário do que diz o terrorismo que está sendo pregado.”
Lutas
A trabalhadora informal Idelfonsa Dantas participou da manifestação em busca de melhores condições para a população e, especificamente, pela redução da escala de trabalho. A vendedora considera que a luta deve ser diária.
“A gente sempre busca o melhor para a população trabalhadora.”
As bibliotecárias Kelly Lemos e Ellen Rocha passaram no concurso público da Secretaria de Educação do Distrito Federal em 2022 e estão desempregadas.
Enquanto, aguardam a nomeação para as vagas, elas lutam pela valorização das carreiras dos profissionais de educação e por melhores oportunidades.
“As crianças precisam de professores mais valorizados nas escolas”, defendeu Elen Rocha.
Tempo livre
Os cartazes com frases pelo fim da escala de trabalho 6×1 contribuíram para que três mulheres se unissem durante o protesto para defender mais tempo livre e, assim, garantir autocuidado, lazer e convivência em família.
A estagiária de psicopedagogia Ana Beatriz Oliveira, de 21 anos, trabalha com desenvolvimento de crianças neuro divergentes e tem duas folgas semanais.
Ela conta que por um ano trabalhou em grandes centros logísticos, com jornadas exaustivas que invadiam a madrugada e incluíam turnos dobrados. Como consequência, percebeu prejuízos em sua formação educacional e na saúde.
Ao mudar para escala de cinco dias de trabalho e dois de descanso (5×2), Ana Beatriz percebeu melhorias na qualidade do sono, da alimentação, além de mais disposição no dia a dia.
“Sou extremamente contra a escala 6×1. Essa tem que acabar para ontem. Vejo que a redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40, é muito possível. Se fizer tudo direito, com o planejamento das escalas, a gente vai trabalhar mais descansado, com mais qualidade e produzir mais.”
A aposentada Ana Campania chama a escala 6×1 de “escala da escravidão” e foi ao ato exigir o fim da precarização da mão de obra.
“Hoje é o nosso dia de luta por melhores condições. Principalmente, nesse momento que querem acabar com conquistas de muitas décadas. Por exemplo, a estabilidade dos servidores, garantias da CLT [Consolidação das Leis do Trabalho].”
Jornada feminina
Sindicalista com atuação de longa data na defesa dos direitos de operadores de telemarketing, Geraldo Estevão Coan veio ao ato desta sexta-feira e aproveitou para protestar por outra pauta: o fim da jornada dupla e até mesmo tripla que as mulheres trabalhadoras enfrentam no país. Para ele, os homens precisam compartilhar as tarefas de cuidado da casa e filhos
“O fim da escala 6×1 tem que beneficiar muito mais as mulheres. Nós, os maridos, também temos que nos conscientizar de que não é só a mulher que precisa cuidar da casa.”
Confronto
O ato em Brasília registrou um confronto entre manifestantes e apoiadores de Jair Bolsonaro. Tudo aconteceu depois que os simpatizantes levaram um boneco do ex-presidente em tamanha real vestido com uma capa da bandeira da Brasil.
O gesto durante o ato público foi encarado como provocação pelos manifestantes no Eixão Sul. Houver troca de insultos e socos, mas o princípio de tumulto foi contido pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).
“Pessoas com posicionamentos ideológicos divergentes iniciaram provocações e embates verbais entre si. As equipes policiais atuaram de forma rápida restabelecendo a ordem pública sem registro de ocorrências graves”, diz a publicação da PMDF.
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