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Em CPI, ex-técnico da ginástica nega ter abusado de atletas

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Fernando de Carvalho Lopes afirma que sua postura rígida nos treinos pode ter motivado vingança de alguns ginastas

 

Da Redação

O ex-técnico da seleção brasileira de ginástica, Fernando de Carvalho Lopes, negou nesta quarta-feira, 16, em depoimento no Senado, ter abusado de atletas. Em audiência na CPI dos Maus Tratos, ele atribuiu as denúncias à vingança por sua rígida postura nos treinamentos.

Ao todo, 40 ginastas e ex-ginastas afirmaram que foram vítimas de abusos sexuais praticados por Fernando de Carvalho Lopes entre 1999 e 2016, quando ele era técnico do Mesc. O processo foi aberto em junho de 2016. Até agora, 23 pessoas já foram ouvidas na delegacia, entre vítimas e testemunhas.

“Nunca fui um técnico manso. Sempre fui extremamente rígido e por isso criei muitos inimigos. Cortei bolsas de atletas, demiti pessoas que não seguiam a minha linha de trabalho. Acredito que isso possa ser uma vingança” afirmou. Lopes negou também ter trocado e-mails ou mensagens de cunho pessoal com os atletas. 

Essa foi a primeira vez que o ex-técnico da seleção brasileira de ginástica falou abertamente sobre as acusações. A sessão da CPI foi fechada e comandada pelo presidente da comissão, o senador Magno Malta (PR-ES). Durante o depoimento, o parlamentar também pediu explicações sobre suspeitas de desvio de dinheiro do programa Bolsa Atleta. Fernando chegou a admitir que houve cortes para custear materiais de treinamento, mas que ele não tinha acesso ao dinheiro. 

O senador solicitou também a quebra do sigilo de telemático (e-mail), telefônico e fiscal de Fernando. “Não tenho nada a esconder, se for possível essa averiguação, pode ser feita”, disse o ex-técnico da seleção.

Durante a sessão, os nomes dos atletas não puderam ser citados a pedido do advogado de defesa, Luís Ricardo Davanzo, que estava presente, alegou que o processo segue em segredo de justiça. Malta disse que vai convocar Lopes para um novo depoimento na CPI assim que a quebra de sigilo dos dados for concluída. 

Lopes foi afastado de todas as suas funções no clube de São Bernardo desde que as denúncias vieram à tona. 

No início do mês, foi cumprido mandado de busca e apreensão na casa dos pais do treinador, onde ele também reside atualmente, em São Bernardo. Foram recolhidos CDs, DVDs, pen drives, HD externo e fita cassete. A polícia não divulgou o conteúdo do material.

 

 

 

 

 

 

Fonte: O Estado de S. Paulo

Foto: André Dusek/Estadão

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Quando perder músculo também ameaça o cérebro

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Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.

Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.

Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.

Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.

O que a ciência mostra :

 

Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.

Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.

Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.

Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.

Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?

 

Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.

Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.

O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.

Por que o músculo influencia a saúde cerebral?

A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.

A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.

Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.

Como enfrentar cientificamente esse problema ?

 

O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.

O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.

A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.

Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.

Envelhecer bem ,exige preservar força

A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.

Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.

Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.

 

Saúde não é sorte. É rotina.

Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308
Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.

Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.



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