Economia
Governo anuncia reajuste de 5,67% no Bolsa Família
Economia
Em pronunciamento, Temer pediu que os desempregados não percam a esperança, porque as oportunidades de recolocação no mercado estão aumentando
Da Redação
Depois de o presidente Michel Temer gravar o pronunciamento que foi ao ar nesta segunda-feira sem anunciar o porcentual de reajuste do programa Bolsa Família, o governo informou que o aumento será de 5,67%, a partir de julho. O reajuste é maior do que a inflação registrada em 2017, de 2,95%. Com isso, o pagamento passa de 177,71 reais para uma quantia estimada de 187,79 reais.
O anúncio acontece em meio à busca do presidente de agendas positivas — o discurso em cadeia de rádio e TV foi feito em comemoração ao Dia do Trabalho.
A decisão política de reajustar o Bolsa Família acima da inflação já havia sida tomada. No entanto, o valor ainda estava sendo calculado para que se incluísse um aumento real, sem impedir o governo de sustentar o discurso de que zerou a fila do programa. O ajuste fino, portanto, visa a um reajuste que preserve uma folga financeira capaz de manter essa fila zerada.
O programa atende hoje 14 milhões de famílias. Em agosto, depois de fazer mais uma limpeza nos beneficiados pelo programa, retirando pessoas com renda acima do permitido, o governo incluiu mais 828.000 famílias e anunciou que teria mais uma vez zerado a fila do Bolsa Família.
Discurso
O pronunciamento de hoje à noite também foi um recado do presidente para as pessoas no Dia do Trabalho. Ele pediu que os desempregados não percam a esperança, porque as oportunidades de recolocação no mercado estão aumentando.
“Você, trabalhador que procura trabalho, não perca a esperança. O Brasil está crescendo e, a cada dia, estamos criando mais postos e mais oportunidades”, disse Temer em um pronunciamento de pouco mais de quatro minutos, divulgado também nas redes sociais nesta segunda-feira.
A demora na melhora do mercado de trabalho tem sido apontada como um dos fatores que ajudam na baixíssima popularidade do governo Temer.
Na sexta-feira, o IBGE informou que o país encerrou o primeiro trimestre com uma taxa de desemprego de 13,1%, a mais alta desde maio do ano passado. Segundo os dados divulgados, o contingente de desempregados era de 13,689 milhões de trabalhadores.
Temer também disse que renovou o programa Luz para Todos. E voltou a reclamar dos críticos de seu governo. “Enquanto alguns passam o dia criticando, a gente passa o dia trabalhando”, afirmou.
O último pronunciamento de Temer em cadeia de rádio e tevê foi feito no dia 21 de abril. Na sua fala, o presidente defendeu seu governo e chegou a se comparar a Tiradentes, que foi “acusado e condenado”, mas absolvido pela história.
Fonte: Veja / Reuters
Foto: VEJA.com/VEJA/VEJA
Economia
Sindicatos realizam ato pelo direito ao descanso e fim da escala 6×1
Trabalhadores, aposentados, estudantes e ativistas foram às ruas em diversas cidades brasileiras nesta sexta-feira, 1º de maio, feriado que celebra o Dia Internacional do Trabalhador. 

Na pauta de reivindicações, as principais bandeiras eram o fim da escala de seis dias de trabalho e um de descanso (escala 6×1), sem redução salarial. Em Brasília, a manifestação foi no Eixão do Lazer, na Asa Sul.
A empregada doméstica Cleide Gomes, de 59 anos, foi ao ato com o neto, de 5 anos, a nora e a mãe, de 80, para cobrarem direitos trabalhistas.
Cleide, que atualmente trabalha com carteira assinada, recorda da época em que foi feirante autônoma e auxiliar de serviços gerais, sem carteira de trabalho. Ela chama a atenção para as ilegalidades cometidas contra suas colegas de profissão.
“Conheço pessoas que, agora, estão no trabalho, pois o patrão fala que hoje não é feriado, mas ponto facultativo. As coitadas não vão receber hora extra porque não sabem de seus direitos.”
O ato unificado 1º de Maio da Classe Trabalhadora foi organizado por setes centrais sindicais do Distrito Federal, com atrações culturais e discursos.
O movimento argumenta que a redução da jornada, ao contrário do que dizem empresas, não prejudica a economia e aumenta a produtividade, sendo uma questão de justiça social e um direito dos trabalhadores.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores no Distrito Federal (CUT-DF), Rodrigo Rodrigues, cita exemplos de sucesso na redução da jornada e critica o que classificou como “terrorismo” feito por algumas empresas.
“O descanso é uma necessidade humana e apenas um dia de descanso coloca os trabalhadores em uma situação de desprezo e de desgaste muito grandes. Portanto, reduzir a jornada é uma [questão de] justiça social, é um direito do trabalhador ao seu tempo e é também uma medida inteligente das empresas que fazem porque elas aumentam a produtividade, ao contrário do que diz o terrorismo que está sendo pregado.”
Lutas
A trabalhadora informal Idelfonsa Dantas participou da manifestação em busca de melhores condições para a população e, especificamente, pela redução da escala de trabalho. A vendedora considera que a luta deve ser diária.
“A gente sempre busca o melhor para a população trabalhadora.”
As bibliotecárias Kelly Lemos e Ellen Rocha passaram no concurso público da Secretaria de Educação do Distrito Federal em 2022 e estão desempregadas.
Enquanto, aguardam a nomeação para as vagas, elas lutam pela valorização das carreiras dos profissionais de educação e por melhores oportunidades.
“As crianças precisam de professores mais valorizados nas escolas”, defendeu Elen Rocha.
Tempo livre
Os cartazes com frases pelo fim da escala de trabalho 6×1 contribuíram para que três mulheres se unissem durante o protesto para defender mais tempo livre e, assim, garantir autocuidado, lazer e convivência em família.
A estagiária de psicopedagogia Ana Beatriz Oliveira, de 21 anos, trabalha com desenvolvimento de crianças neuro divergentes e tem duas folgas semanais.
Ela conta que por um ano trabalhou em grandes centros logísticos, com jornadas exaustivas que invadiam a madrugada e incluíam turnos dobrados. Como consequência, percebeu prejuízos em sua formação educacional e na saúde.
Ao mudar para escala de cinco dias de trabalho e dois de descanso (5×2), Ana Beatriz percebeu melhorias na qualidade do sono, da alimentação, além de mais disposição no dia a dia.
“Sou extremamente contra a escala 6×1. Essa tem que acabar para ontem. Vejo que a redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40, é muito possível. Se fizer tudo direito, com o planejamento das escalas, a gente vai trabalhar mais descansado, com mais qualidade e produzir mais.”
A aposentada Ana Campania chama a escala 6×1 de “escala da escravidão” e foi ao ato exigir o fim da precarização da mão de obra.
“Hoje é o nosso dia de luta por melhores condições. Principalmente, nesse momento que querem acabar com conquistas de muitas décadas. Por exemplo, a estabilidade dos servidores, garantias da CLT [Consolidação das Leis do Trabalho].”
Jornada feminina
Sindicalista com atuação de longa data na defesa dos direitos de operadores de telemarketing, Geraldo Estevão Coan veio ao ato desta sexta-feira e aproveitou para protestar por outra pauta: o fim da jornada dupla e até mesmo tripla que as mulheres trabalhadoras enfrentam no país. Para ele, os homens precisam compartilhar as tarefas de cuidado da casa e filhos
“O fim da escala 6×1 tem que beneficiar muito mais as mulheres. Nós, os maridos, também temos que nos conscientizar de que não é só a mulher que precisa cuidar da casa.”
Confronto
O ato em Brasília registrou um confronto entre manifestantes e apoiadores de Jair Bolsonaro. Tudo aconteceu depois que os simpatizantes levaram um boneco do ex-presidente em tamanha real vestido com uma capa da bandeira da Brasil.
O gesto durante o ato público foi encarado como provocação pelos manifestantes no Eixão Sul. Houver troca de insultos e socos, mas o princípio de tumulto foi contido pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).
“Pessoas com posicionamentos ideológicos divergentes iniciaram provocações e embates verbais entre si. As equipes policiais atuaram de forma rápida restabelecendo a ordem pública sem registro de ocorrências graves”, diz a publicação da PMDF.
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