Economia
Incertezas políticas e tensão no exterior levam analistas a revisarem PIB de 2018
Economia
Expectativa de crescimento de 3% neste ano começa a ficar para trás com risco eleitoral, guerra comercial entre China e EUA, e indicadores econômicos mais modestos em janeiro e fevereiro; governo, por enquanto, não vai mudar projeção
Da Redação
Com as incertezas políticas no Brasil e a guerra comercial iniciada por Donald Trump, analistas começam a mudar suas projeções para a economia brasileira, prevendo um crescimento menor do que se esperava. A expectativa de uma alta de 3% no PIB deste ano, aos poucos, tem ficado para trás, especialmente após a divulgação dos indicadores econômicos de janeiro e fevereiro, que sinalizaram uma recuperação mais modesta do que a prevista pelos economistas no fim de 2017.
O economista Silvio Campos Neto, da consultoria Tendências, também acredita que a perspectiva de não continuidade das reformas amplia as incertezas. “A Bolsa e o câmbio já refletem o risco que se ampliou em 2018. Três meses atrás, o cenário era mais confortável”, diz ele, que projeta um crescimento de 2,8% para o PIB. Em 2017, a economia avançou 1%, depois de duas quedas consecutivas de 3,5% em 2015 e 2016, que levaram o País à recessão.
No fim do ano passado, o cenário que se desenhava – com os mercados internacionais em alta e indicadores econômicos acima das expectativas – favoreceu as projeções mais otimistas para este ano. Mas nos últimos meses, esse cenário começou a se enfraquecer. O mercado externo ficou mais volátil e a possível guerra comercial entre Donald Trump e a China azedou o bom humor internacional. Ao mesmo tempo, os indicadores internos de atividade vieram mais fracos nos primeiros meses do ano. A indústria, por exemplo, caiu 2,2% em janeiro e cresceu apenas 0,2% em fevereiro.
Com o resultado mais fraco do que esperávamos, revisamos a projeção do PIB do primeiro trimestre, de alta na margem de 0,5% para alta de 0,3%”, afirmou o Bradesco em relatório. O banco mantém por enquanto, a projeção de alta de 2,8% para o PIB de 2018, mas considera reduzir a projeção dependendo dos novos indicadores. O Itaú também admite viés de baixa para sua projeção de 3%. E o Santander fala em cortar a previsão de 3,2% para o ano se o PIB dos três primeiros meses ficar perto de 0,5%. O próprio banco projeta alta de 0,6% no trimestre.
Caso a expansão em torno de 0,5% se confirme, o Banco Votorantim admite que a possibilidade de um crescimento de 3% no ano fica reduzida, conforme relatório dos economistas Roberto Padovani e Carlos Lopes.
Uma das consultorias mais otimistas, a Pezco esperava um crescimento de 3,9% para este ano. Em março, reduziu para 3,5%. “Voltamos a ter um consumo tímido e os juros não estão chegando na ponta”, diz Yan Cattani, economista da consultoria. A Kapitalo Investimentos também cortou o crescimento esperado de 3,5% para 3% após a frustração com os resultados de janeiro e fevereiro.
O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, diz que não pretende revisar a projeção de crescimento do PIB neste ano, atualmente em 3%. “Mas se entendermos necessária uma revisão, a faremos. Não tem nenhum problema nisso.”
Fonte: O Estado de S. Paulo / LUCIANA DYNIEWICZ, MÁRCIA DE CHIARA, MARIA REGINA SILVA e THAÍS BARCELLOS
Foto: Dida Sampaio/Estadão
Economia
Sindicatos realizam ato pelo direito ao descanso e fim da escala 6×1
Trabalhadores, aposentados, estudantes e ativistas foram às ruas em diversas cidades brasileiras nesta sexta-feira, 1º de maio, feriado que celebra o Dia Internacional do Trabalhador. 

Na pauta de reivindicações, as principais bandeiras eram o fim da escala de seis dias de trabalho e um de descanso (escala 6×1), sem redução salarial. Em Brasília, a manifestação foi no Eixão do Lazer, na Asa Sul.
A empregada doméstica Cleide Gomes, de 59 anos, foi ao ato com o neto, de 5 anos, a nora e a mãe, de 80, para cobrarem direitos trabalhistas.
Cleide, que atualmente trabalha com carteira assinada, recorda da época em que foi feirante autônoma e auxiliar de serviços gerais, sem carteira de trabalho. Ela chama a atenção para as ilegalidades cometidas contra suas colegas de profissão.
“Conheço pessoas que, agora, estão no trabalho, pois o patrão fala que hoje não é feriado, mas ponto facultativo. As coitadas não vão receber hora extra porque não sabem de seus direitos.”
O ato unificado 1º de Maio da Classe Trabalhadora foi organizado por setes centrais sindicais do Distrito Federal, com atrações culturais e discursos.
O movimento argumenta que a redução da jornada, ao contrário do que dizem empresas, não prejudica a economia e aumenta a produtividade, sendo uma questão de justiça social e um direito dos trabalhadores.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores no Distrito Federal (CUT-DF), Rodrigo Rodrigues, cita exemplos de sucesso na redução da jornada e critica o que classificou como “terrorismo” feito por algumas empresas.
“O descanso é uma necessidade humana e apenas um dia de descanso coloca os trabalhadores em uma situação de desprezo e de desgaste muito grandes. Portanto, reduzir a jornada é uma [questão de] justiça social, é um direito do trabalhador ao seu tempo e é também uma medida inteligente das empresas que fazem porque elas aumentam a produtividade, ao contrário do que diz o terrorismo que está sendo pregado.”
Lutas
A trabalhadora informal Idelfonsa Dantas participou da manifestação em busca de melhores condições para a população e, especificamente, pela redução da escala de trabalho. A vendedora considera que a luta deve ser diária.
“A gente sempre busca o melhor para a população trabalhadora.”
As bibliotecárias Kelly Lemos e Ellen Rocha passaram no concurso público da Secretaria de Educação do Distrito Federal em 2022 e estão desempregadas.
Enquanto, aguardam a nomeação para as vagas, elas lutam pela valorização das carreiras dos profissionais de educação e por melhores oportunidades.
“As crianças precisam de professores mais valorizados nas escolas”, defendeu Elen Rocha.
Tempo livre
Os cartazes com frases pelo fim da escala de trabalho 6×1 contribuíram para que três mulheres se unissem durante o protesto para defender mais tempo livre e, assim, garantir autocuidado, lazer e convivência em família.
A estagiária de psicopedagogia Ana Beatriz Oliveira, de 21 anos, trabalha com desenvolvimento de crianças neuro divergentes e tem duas folgas semanais.
Ela conta que por um ano trabalhou em grandes centros logísticos, com jornadas exaustivas que invadiam a madrugada e incluíam turnos dobrados. Como consequência, percebeu prejuízos em sua formação educacional e na saúde.
Ao mudar para escala de cinco dias de trabalho e dois de descanso (5×2), Ana Beatriz percebeu melhorias na qualidade do sono, da alimentação, além de mais disposição no dia a dia.
“Sou extremamente contra a escala 6×1. Essa tem que acabar para ontem. Vejo que a redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40, é muito possível. Se fizer tudo direito, com o planejamento das escalas, a gente vai trabalhar mais descansado, com mais qualidade e produzir mais.”
A aposentada Ana Campania chama a escala 6×1 de “escala da escravidão” e foi ao ato exigir o fim da precarização da mão de obra.
“Hoje é o nosso dia de luta por melhores condições. Principalmente, nesse momento que querem acabar com conquistas de muitas décadas. Por exemplo, a estabilidade dos servidores, garantias da CLT [Consolidação das Leis do Trabalho].”
Jornada feminina
Sindicalista com atuação de longa data na defesa dos direitos de operadores de telemarketing, Geraldo Estevão Coan veio ao ato desta sexta-feira e aproveitou para protestar por outra pauta: o fim da jornada dupla e até mesmo tripla que as mulheres trabalhadoras enfrentam no país. Para ele, os homens precisam compartilhar as tarefas de cuidado da casa e filhos
“O fim da escala 6×1 tem que beneficiar muito mais as mulheres. Nós, os maridos, também temos que nos conscientizar de que não é só a mulher que precisa cuidar da casa.”
Confronto
O ato em Brasília registrou um confronto entre manifestantes e apoiadores de Jair Bolsonaro. Tudo aconteceu depois que os simpatizantes levaram um boneco do ex-presidente em tamanha real vestido com uma capa da bandeira da Brasil.
O gesto durante o ato público foi encarado como provocação pelos manifestantes no Eixão Sul. Houver troca de insultos e socos, mas o princípio de tumulto foi contido pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).
“Pessoas com posicionamentos ideológicos divergentes iniciaram provocações e embates verbais entre si. As equipes policiais atuaram de forma rápida restabelecendo a ordem pública sem registro de ocorrências graves”, diz a publicação da PMDF.
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