Política
Taques detalha investimentos para melhorar saúde no Araguaia
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Da Redação
Porto Alegre do Norte – O governador Pedro Taques participou do 9º Fórum Político da Dinâmica de Porto Alegre do Norte na manhã desta sexta-feira (28.04). Com muitas obras de infraestrutura em andamento na região, o chefe do Poder Executivo Estadual falou sobre as melhorias na gestão da saúde. Taques ressaltou que vai construir um hospital regional em Porto Alegre do Norte e que o projeto está sendo elaborado pela Unops.
Segundo Taques, foi definido que o regional de Porto Alegre do Norte contará com 120 leitos, sendo 10 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e outros dez de retaguarda. “Com a Unops estamos finalizando o projeto de construção de três hospitais regionais, o de Porto Alegre do Norte, Tangará da Serra e o de Pontes e Lacerda. Já temos sete hospitais regionais e precisamos de mais três e faremos isso. Nós construiremos este hospital aqui”, ressaltou.
No entanto, para amenizar o problema até a existência da unidade hospitalar, o governador Pedro Taques fez compromisso de repassar mensalmente R$ 500 mil para ajudar no custeio do Hospital Municipal de Confresa, que atende os municípios vizinhos. Além disso, vamos ajudar no custeio do hospital de Vila Rica que está sendo construído. Dos 52 hospitais municipais, nossa gestão banca 20 deles”, disse.
O governador disse que o custeio dos municipais chegam a R$ 105 milhões, por mês. Mas destacou que a saúde é prioridade do governo e que a gestão busca a melhoria dos serviços à população. Por isso, vai levar a Secretaria de Estado de Saúde (SES) o pedido de Querência para aquisição e manutenção de leitos de UTIs no hospital da cidade e também a construção de uma central de nefrologia. Para isso, Taques vai buscar realocar emendas da saúde indicadas pelo senador Cidinho Santos.
“De Água Boa pra cima não temos leitos de UTI e precisamos enfrentar esse problema. Vamos buscar concretizar a instalação de 10 leitos em Água Boa, com a emenda indicada pelo deputado federal Tampinha. Uma UTI custa cerca de R$ 1,8 mil, por dia. Mas o Tratamento Fora do Domicílio (TFD) com transporte aéreo chega a custar R$ 20 mil, não é razoável que não tenhamos leitos de UTI nesta região”, pontuou.
“Estamos em um momento de crise, mas sou um otimista e sempre busco trabalhar mais. Vamos superar isso, mas não sozinhos. Precisamos que todos estejam unidos neste momento de transformação do nosso Estado”, completou.
Infraestrutura e Logística
O prefeito de Porto Alegre do Norte, Daniel do Lago, afirmou que a região é extremamente carente e precisa de muito apoio da classe política para que possa se desenvolver ainda mais. “Nestes primeiros meses do meu mandato, o senhor tem me recebido muito bem. Mas quero falar o Hospital Regional que, no passado, até pedra fundamental foi lançada e precisamos muito deste hospital. Também quero pedir apoio para o nosso aeroporto, estamos distantes e o aeroporto é de grande necessidade”, pontuou.
O presidente da Aprosoja-MT, Endrigo Dalcin, destacou que o setor produtivo tem produzido muito e contribuído para uma melhor arrecadação do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab). Segundo ele, o Norte Araguaia produziu em 1,5 milhão de hectares nesta safra. No entanto, o potencial agricultável é de 4 milhões de hectares, mas que só se desenvolverá com a infraestrutura adequada.
O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo Duarte afirmou que as obras estão em ritmo intenso na região. Segundo o secretário, a atual gestão já fez 1.430 quilômetros de pavimentação, sendo 712 do eixo construção do programa Pró-Estradas e quase metade foi na região do Araguaia. Citou como exemplos as rodovias estaduais MT-100, MT-240, MT-110, MT-336, MT-430 e MT-437.
O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, lembrou que em 2003, a região era conhecida como o vale dos esquecidos e que um grande avanço foi feito nos últimos 14 anos, tendo a possibilidade de ser altamente produtiva e de se desenvolver. “O Norte Araguaia não é mais só um território de reclamação, é um território de produção”, pontuou.
Blairo ressaltou que como ministro da Agricultura, que está sempre pronto para ajudar a região do Araguaia. “O meu estado, o Estado de Mato Grosso eu tenho que ter uma relação diferente e fazer mais”, completou o ministro.
O Fórum Político de Porto Alegre do Norte contou com a participação dos secretários de Estado: Max Russi (Setas); Rogers Jarbas (Sesp); Marco Marrafon (Seduc); Ricardo Tomzyck (Sedec) e Suelme Fernandes (Seaf). Também dos deputados estaduais: Eduardo Botelho; Zeca Viana; Baiano Filho; Adalto de Freitas; Nininho e Sebastião Rezende. Dos deputados federais Nilson Leitão, Victório Galli e Tampinha, além do presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador Rui Ramos.
Fonte: Gcom-MT
Política
Ativistas e gestores públicos apontam desafios para a implementação do ECA Digital
Em audiência na Comissão de Comunicação da Câmara dos Deputados na quinta-feira (25), representantes da sociedade civil e gestores públicos apontaram desafios para a implementação do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente.
O chamado ECA Digital, que amplia a proteção de crianças e adolescentes na internet, entrou em vigor em março e está em fase de regulamentação por parte do governo federal.
A integrante do Instituto TecKids Karina Queiroz defendeu uma “mobilização coletiva” entre pais, professores, plataformas digitais e poder público para colocar a legislação em prática.
“Fico preocupada de, daqui a um ano, estarmos discutindo as mesmas coisas, com os crimes ainda acontecendo. Ou a gente trabalha junto, ou não vai conseguir chegar a lugar nenhum”, disse.
A delegada da Polícia Federal (PF) Karoline Diniz apresentou dados para mostrar o tamanho do desafio que será enfrentado pelo Centro Nacional de Proteção da Criança e do Adolescente. Esse órgão está em estruturação, na PF, para receber e investigar informações vindas dos provedores sobre crimes cometidos no ambiente digital.
Atualmente, a Polícia Federal deflagra, em média, quatro operações por dia somente com base nos cerca de 2.600 relatórios diários enviados pela ONG norte-americana Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC). Os documentos são produzidos a partir de notificações encaminhadas por provedores que atuam nos Estados Unidos.
Com base nesses dados, a delegada fez um alerta aos pais sobre os riscos da exposição dos filhos em redes sociais.
“Os crimes contra crianças e adolescentes têm aumentado exponencialmente, especialmente com a circulação de imagens na internet e na dark web. Os criminosos usam recursos de anonimização e criam vários perfis”, informou. “Como eles conseguem saber, por exemplo, o nome da escola da criança ou onde a mãe trabalha? Muitas vezes, as próprias crianças ou seus familiares publicam essas informações em redes sociais abertas.”
Subnotificação
Karoline Diniz afirmou que o novo centro da Polícia Federal poderá ajudar a reduzir a subnotificação desses crimes. Ela lembrou que, em 2025, o Disque 100 recebeu 37 mil denúncias de abuso sexual infantojuvenil, enquanto os relatórios enviados pela organização norte-americana registraram quase 1 milhão de notificações.
Renata Greco, do Instituto Liberta, disse que 92% das crianças e adolescentes do Brasil acessam a internet, o que representa 24,5 milhões de pessoas. Desse grupo, 28% tiveram o primeiro acesso antes dos seis anos de idade e, muitas vezes, acessam conteúdos com os quais até os adultos não sabem como lidar.
Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Bia Kicis defende responsabilidade compartilhada entre pais, plataformas e governos
“O relatório ‘Enfrentando a Violência Sexual Contra Crianças Facilitada pela Tecnologia‘ revela que, em apenas um ano, uma em cada cinco crianças e adolescentes brasileiros de 12 a 17 anos foi vítima de exploração e/ou abuso sexual facilitado pela tecnologia”, declarou. “Isso inclui aliciamento on-line, extorsão sexual, divulgação não consentida de imagens e exploração em plataformas digitais”, declarou Renata Greco.
Responsabilidade compartilhada
A deputada Bia Kicis (PL-DF), uma das organizadoras do debate, destacou a responsabilidade compartilhada na implementação do ECA Digital.
“O Brasil não excluiu crianças e adolescentes das redes digitais. Há países que optaram por isso. Isso é muito ruim. Temos que garantir o acesso, mas também responsabilizar pais, plataformas e o Estado para proteger as crianças.”
Sugestões
Outros participantes da audiência defenderam maior divulgação dos canais de denúncia, o uso de inteligência artificial para emitir alertas a pais e professores, a capacitação de órgãos estaduais e municipais e a inclusão da educação digital em um currículo estruturado nas escolas, em vez de palestras eventuais.
Maria Mello, do Instituto Alana, definiu o ECA Digital como um “marco histórico” e uma “conquista de vanguarda” para a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.
Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Marcelo Oliveira
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