INTRAEMPREENDEDORISMO PÚBLICO

Seplag realiza cerimônia de encerramento do Acelera Gov.MT com premiação

Por três meses, servidores públicos participaram de treinamentos pelo Programa, nos quais desenvolveram habilidades e avançaram com seus projetos

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Política

Foto: Murilo Perillo

A Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag-MT) encerrou, nesta terça-feira (05.11), o Acelera Gov.MT. A cerimônia, que foi realizada no auditório do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, certificou 24 equipes formadas por 80 servidores públicos estaduais que participaram do primeiro programa brasileiro de aceleração de startups públicas e incentivo ao intraempreendedorismo no setor público.

Todas as equipes receberam certificado de participação. Três delas foram premiadas com troféus em decorrência do desempenho e apresentação a uma banca avaliadora, ocupando os primeiros lugares no pódio e outras duas levaram o reconhecimento destaque “Espírito Intraempreendedor”. A cerimônia foi realizada logo após uma sequência de defesas de projetos inovadores que podem ser implementados e promover a eficiência na administração pública estadual.

O secretário da Seplag, Basílio Bezerra, destaca que a iniciativa é uma referência para o Brasil, tanto pelo pioneirismo quanto pelo modo como foi executada. “O nosso objetivo é promover ações que melhorem a prestação de serviços para a população mato-grossense e os servidores públicos estaduais são os agentes para essa transformação contínua. E a Seplag tem implementado programas para o desenvolvimento da cultura da inovação e da eficiência no setor público, a exemplo do Acelera”, ressalta.

O Acelera Gov.MT é uma iniciativa do Sistema Central de Inovação em Práticas Públicas (Sinova) da Seplag que, por meio de uma parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-MT), orientou, durante 3 meses, o processo de amadurecimento das ideias desses times de servidores. 

O superintendente do Governo Digital e Inovação em Práticas Públicas da Seplag, Washington da Silva, ressalta o alto potencial de implementação dos projetos que foram trazidos pelos times e afirma que ganharam robustez para serem fortes competidores na segunda edição do prêmio de Inovação e Eficiência em Práticas Públicas. “Eles aprenderam como sair do zero a um projeto exitoso. E para ganhar prêmios não só aqui, mas prêmios pelo Brasil, como a nossa equipe que já alcançou sete prêmios nos últimos três anos, aplicando isso que ensinamos no Acelera Gov.MT”, pondera.

Premiados

O projeto “Rede InteliGente de Gestão de Pessoas”, desenvolvido por uma equipe de quatro servidores da Seplag, conquistou a primeira colocação. A plataforma conecta e fortalece as gestões de pessoas dos órgãos estaduais de MT.  Segundo o gerente de Indicadores de Pessoal da Seplag, Leandro França, com a centralização de informações, essa ferramenta facilita a compreensão de leis e normativas, apresentando potencialidades transformadoras para essa área.

“A Rede InteliGente nasceu não só na busca de soluções para problemas, mas também da vontade de transformar a gestão de pessoas, trazendo inovação e saindo da rotina tradicional. Queríamos algo que realmente fizesse a diferença, facilitando o trabalho de todos. Com o apoio do Acelera Gov.MT, conseguimos consolidar essa ideia, através dos treinamentos e as mentorias, tornando-a uma solução mais e real e objetiva”, explica.

Já a segunda colocação ficou com a proposta “Implementação de novas ferramentas na gestão escolar: análise de dados” e foi desenvolvida por servidores de Rondonópolis. A ferramenta auxilia nas tomadas de decisões impactando nos índices escolares e na qualidade da educação, pois permite que sejam realizados o diagnóstico e o acompanhamento de problemas que surjam no decorrer do ano letivo. 

A técnica da Seduc, Taise Prestes, afirma que esse projeto já está em implementação na Diretoria Regional de Educação (DRE-Seduc) daquela região, que abrange 14 municípios. “Acreditamos que o Programa era uma oportunidade para desenvolver isso e realmente, foi sensacional. Tivemos a oportunidade de desenvolver nossas habilidades e toda a parte de teste, de construção do mínimo produto viável”, fala.

O “MIND MT: gestão pública estratégica com inteligência e tecnologia” foi proposto pela equipe que reuniu integrantes da Secretaria de Segurança Pública (Ses) e do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT). Esse projeto utiliza de programas inteligentes para aprimorar a execução de políticas públicas, apoiar a criação de ações e obter resultados mais satisfatórios na prestação de serviços à população. De acordo com Cel. PM Waldiley Alencar, o projeto colabora para a prática do conceito de assessoramento do processo decisório.

“O Acelera oportunizou aqueles que se contagiaram desse movimento de inovação a buscarem, no programa, a oportunidade de apresentar suas ideias”, finaliza.

Destaques

Junto com os premiados estão os projetos “Biblioteca SocioDigital: incluindo jovens no futuro”, desenvolvido por servidores do Sistema Socioeducativo de Barra do Garças, e “Automatização da fiscalização de concessões Rodoviárias com IA”, da equipe formada por servidores da Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados (Ager).

Além da Seplag, Seduc, Sesp e Ager, estiveram representados por equipes as secretarias de Assistência Social e Cidadania (Setasc), de Cultura, Esporte e Lazer (Secel), de Fazenda (Sefaz) e de Desenvolvimento Econômico (Sedec). Também contou com times da Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat), da Controladoria Geral (CGE), do Departamento de Trânsito (Detran), da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), da Casa Civil, da Defensoria Pública e do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT).

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Sessão destaca avanços e desafios após 20 anos da Lei Maria da Penha

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O Senado fez nesta quinta-feira (13) sessão especial para celebrar o Agosto Lilás, campanha de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher. A sessão, requerida pela senadora Leila Barros (PDT-DF), marcou também os 20 anos da Lei Maria da Penha (Lei 11.340, de 2006).

Durante a homenagem, autoridades destacaram os avanços alcançados desde a criação da lei e defenderam o fortalecimento das políticas de prevenção, proteção às vítimas e responsabilização dos agressores.

Leila Barros ressaltou que, apesar dos avanços na legislação e na proteção às mulheres, os índices de feminicídio e outras formas de violência ainda exigem o fortalecimento das ações de prevenção. Ela citou medidas como a criminalização do stalking (Lei 14.132, de 2021) e o monitoramento eletrônico de agressores e defendeu políticas de autonomia econômica, além da atuação conjunta de governos, instituições, sociedade civil e homens no enfrentamento à violência.

— O Agosto Lilás não pode ser apenas uma cor iluminando prédios públicos. Não pode ser apenas uma campanha durante 31 dias. Ele precisa representar um compromisso permanente com a prevenção, o acolhimento, a proteção, a responsabilização dos agressores e, principalmente, com a vida das mulheres — afirmou.

Mobilização permanente

Em participação virtual, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia lembrou a trajetória que levou à criação da Lei Maria da Penha. Ela destacou que a falta de resposta adequada do Estado brasileiro à violência sofrida por Maria da Penha Maia Fernandes levou à responsabilização do país no plano internacional.

Cármen Lúcia afirmou que a Lei Maria da Penha se tornou símbolo do combate à violência contra a mulher. A ministra alertou, porém, que a persistência de agressões e assassinatos exige mobilização permanente do poder público e da sociedade:

— Não podemos compactuar nem ser omissos na busca de, rapidamente, urgentemente e exemplarmente superarmos esse estado de coisas inconstitucional que vivemos no Brasil contra todas nós, mulheres.

Ao abordar as ações atuais de enfrentamento à violência, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, também apontou a Lei Maria da Penha como um marco na proteção da população feminina e defendeu ações articuladas entre os Poderes, estados, municípios e sociedade. Ela destacou medidas do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, como a agilização das medidas protetivas, a responsabilização dos agressores e a ampliação da rede de atendimento.

Márcia Lopes ressaltou ainda a importância da educação para modificar padrões culturais que naturalizam a violência e defendeu políticas de autonomia econômica e de cuidados. Para a ministra, os homens também precisam ser envolvidos nas ações de conscientização e mudança de comportamento.

— Nós queremos ter o direito à vida, à liberdade, às nossas escolhas. […] Venham juntos, venha a sociedade brasileira, porque nós temos o direito de viver, o direito de sonhar, o direito de ter uma vida plena — disse.

Luiza Helena Trajano, presidente do Grupo Mulheres do Brasil, destacou a Lei Maria da Penha como uma das principais conquistas das mulheres brasileiras e ressaltou que o enfrentamento à violência é responsabilidade de toda a sociedade. Ela defendeu a atuação conjunta do poder público, da sociedade civil e das empresas e afirmou que a legislação sozinha não basta para que a proteção chegue efetivamente às mulheres.

— As leis são essenciais, mas elas precisam caminhar junto com a informação, o acolhimento e a oportunidade. Porque ter a lei e não informar e não cobrar não adianta nada — afirmou.

A necessidade de transformar os avanços legais em proteção efetiva também foi ressaltada pela diretora-geral do Senado, Ilana Trombka, que participou do evento de forma virtual. Ela destacou que a Lei Maria da Penha ampliou a visibilidade da violência doméstica e fortaleceu a proteção às mulheres. Segundo Ilana, o desafio agora é fazer com que esses mecanismos cheguem a quem mais precisa e reduzir os ainda elevados índices de feminicídio.

Os dados do Instituto DataSenado ajudam a dimensionar a evolução desse cenário. A coordenadora do Observatório da Mulher contra a Violência, Maria Teresa Firmino Prado Mauro, lembrou que, em 2005, antes mesmo da sanção da Lei Maria da Penha, 95% das brasileiras entrevistadas afirmaram que o país precisava de uma legislação específica de proteção às mulheres. Segundo ela, a pesquisa, realizada a cada dois anos, permite acompanhar as mudanças na realidade da violência contra a mulher desde o período anterior à criação da lei.

Proteção às mulheres

A conselheira do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) Fabiana Costa Oliveira Barreto destacou que, ao longo dos 20 anos da lei, houve avanços no sistema de Justiça, nas forças de segurança e nas políticas públicas. Ela ressaltou a importância da atuação integrada das instituições e defendeu que as políticas considerem as diferentes realidades das mulheres, especialmente negras e indígenas.

— Não se pode olhar para todas as mulheres como se fossem uma só. Temos que saber que nosso país é constituído de várias etnias e que as políticas públicas, as leis e todo o sistema de Justiça têm que estar atentos a isso — afirmou.

Também em participação virtual, o promotor de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) Thiago Pierobom apontou, entre os principais avanços da lei, a incorporação das perspectivas de gênero e de interseccionalidade, as medidas protetivas de urgência e a criação de uma rede de atendimento às mulheres. Segundo ele, a legislação também resistiu a tentativas de alterar seus fundamentos ao longo das últimas duas décadas.

— Muitos projetos de lei foram propostos ao longo desses 20 anos para tentar desnaturar aquilo que é a Lei Maria da Penha. A lei sobreviveu a esses projetos, se fortaleceu e sedimentou esse campo, fortalecendo essa pauta para avançarmos ainda mais — afirmou.

Na área da segurança pública, a tenente-coronel Renata Cardoso, da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), falou sobre a importância da capacitação dos policiais para avaliar riscos, acolher as vítimas e prevenir novas agressões. Ela citou o Policiamento de Prevenção Orientada à Violência Doméstica (Provid), que acompanha 715 mulheres, das quais 320 têm medidas protetivas e estão classificadas em situação de risco extremo. O serviço está presente em todos os batalhões operacionais e também na área rural do Distrito Federal.

— Mais do que falar para as mulheres, a gente precisa trabalhar isso com toda a sociedade, inclusive com os homens da segurança pública, que atendem a maior parte dessas demandas, principalmente nos momentos de emergência — observou.

O que falta avançar

Apesar dos avanços, o promotor Pierobom afirmou que a persistência dos feminicídios e de outras formas de violência coloca em discussão a efetividade das ações adotadas pelo Estado. Entre os desafios, apontou a necessidade de ampliar as políticas de prevenção e considerar fatores como raça, idade, território e condições socioeconômicas na formulação das ações de enfrentamento à violência.

O promotor também defendeu o aperfeiçoamento da atuação do sistema de Justiça, com maior transparência sobre medidas protetivas, denúncias e condenações; o fortalecimento dos mecanismos de avaliação de risco; e a ampliação e interiorização da rede de atendimento às mulheres. Ele chamou a atenção para novas manifestações de violência, especialmente no ambiente digital, como discursos de ódio e ataques misóginos.

— O desafio mais grave é a persistência da violência contra as mulheres nas suas diversas formas: a violência doméstica e familiar, a violência sexual e os feminicídios. […] Esses números nos colocam diante de uma reflexão sobre a efetividade das ações do Estado para concretizar as diretrizes da Lei Maria da Penha — alertou.

Para Cynthia Rocha Mendonça, do Tribunal de Justiça do Amazonas, o desafio é fazer com que a proteção prevista na legislação alcance efetivamente todas as mulheres, especialmente as que vivem em comunidades do interior da Amazônia. 

Cynthia apontou barreiras geográficas, sociais e institucionais de acesso à Justiça e defendeu soluções adaptadas às particularidades da região, citando iniciativas como o aplicativo Ronda Maria da Penha e a proposta da Casa Flutuante da Mulher Brasileira. Para ela, a efetividade das políticas de enfrentamento à violência depende não apenas de leis, mas também de estrutura, profissionais, orçamento e investimento permanente do Estado.

Mulheres negras

Iyà Sandrali Campos, integrante do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, falou em nome da Coalizão Negra por Direitos e defendeu a criminalização da misoginia, mas alertou para que mudanças no chamado projeto de lei da Misoginia (PL 896/2023) não enfraqueçam a legislação de combate ao racismo. Segundo ela, as duas formas de discriminação devem ser enfrentadas conjuntamente, com atenção especial à proteção das mulheres negras.

— A Coalizão Negra por Direitos afirma que criminalizar a misoginia é necessário e que preservar integralmente a legislação antirracista é inegociável. As duas responsabilidades não são incompatíveis — afirmou.

Na mesma linha, a diretora-geral da Escola Superior do Ministério Público da União (MPU), Raquel Branquinho, classificou a Lei 7.716, de 1989 (que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor) como um patrimônio da sociedade brasileira e ressaltou sua importância como instrumento de prevenção e punição do racismo.

— A Lei 7.716 foi uma determinação do constituinte brasileiro, é um patrimônio da nossa sociedade e não permite nenhum retrocesso, apenas avanço — afirmou.

Participação política

Raquel Branquinho, diretora-geral da Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU), destacou avanços no combate à violência de gênero, mas defendeu maior participação das mulheres na política e atenção à relação entre violência de gênero e racial.

Ela também citou pesquisas da ESMPU sobre feminicídio, violência doméstica e candidaturas femininas, incluindo a análise de mais de 40 mil processos com ferramentas de inteligência artificial.

— Nós avançamos muito, mas ainda temos muito a fazer. Precisamos de mais mulheres na política. A violência de gênero e a violência racial se entrelaçam — afirmou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado



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