Política

Lei de abuso deve ter votação ‘expressa’

Publicado em

Política

Relatório de Roberto Requião ignora mudanças propostas pelo Ministério Público e pelo Judiciário e causa controvérsia até entre aliados

Do Estado de S. Paulo

 

BRASÍLIA – A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado deve apreciar nesta quarta-feira, 26, relatório do senador Roberto Requião (PMDB-PR) sobre o projeto de lei do abuso de autoridade. O documento ignora as principais sugestões de mudanças feitas pelo Judiciário e pelo Ministério Público.

A tendência é de que haja maioria para aprovar o parecer em caráter de urgência, o que dará prioridade ao texto no plenário da Casa. Requião decidiu manter os dois trechos mais contestados pela força-tarefa da Lava Jato: o que criminaliza o chamado crime de hermenêutica – a punição ao juiz por interpretar a lei de maneira não literal – e o que permite a cidadãos comuns processarem membros do Ministério Público. 

Neste último caso, o senador decidiu apenas reduzir de 12 para seis meses o prazo para que a ação seja proposta. O relator alterou seu parecer e adotou o mesmo texto do Código de Processo Penal (CPP). “Pelo novo texto, que é idêntico ao CPP, quando o Ministério Público não tomar providência, a parte que se considerar injustiçada tem seis meses para entrar com ação privada. Isso vai acabar com a possibilidade de uma enxurrada de ações”, explicou Requião.

Segundo o relator, ele teve o apoio do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. “Eu conversei com Janot, o único reparo era em relação a esse artigo, que ia causar confusões. O resto fica como está.”

Apoio. Diante da manutenção desses trechos, partidos que apoiam o projeto vão tentar pressionar Requião a promover modificações. O líder do PSDB no Senado, Paulo Bauer (SC), afirmou que o partido decidiu que só votará a favor da proposta se o relator “eliminar totalmente” a possibilidade de estabelecer o crime de hermenêutica ou de interpretação. A decisão teve o aval do presidente da legenda, senador Aécio Neves (MG). 

O entendimento dos tucanos é de que Requião tentou “driblar” a sugestão da Procuradoria-Geral da República (PGR). No relatório do senador, fica estabelecido no artigo 1.º que “a divergência na interpretação de lei ou na avaliação de fatos e provas, necessariamente razoável e fundamentada, não configura, por si só, abuso de autoridade”. “A palavra razoável é muito frágil”, avaliou um senador tucano. 

O relator afirmou que não vai modificar o seu entendimento. “Que bom, eles (tucanos) votem contra. Se os juízes prenderem todos acusados do PSDB, paraliso a tramitação do relatório até o ano que vem”, ironizou.

Requião também atacou o juiz Sérgio Moro, dizendo que ao magistrado pareceu “ter fumado uma erva estragada” ao criticar o seu relatório. Para Requião, as manifestações contrárias ao texto por juízes e procuradores são um “delírio corporativo”.

Para o senador Humberto Costa (PT-CE), o projeto só trata de eventuais divergências de interpretação da lei se houver intenção de prejudicar. “Como a gente não pode definir quando há dolo?”, questionou. Ele defende que a proposta deve ser aprovada como está.

Votação. O presidente da CCJ, Edison Lobão (PMDB-MA), considera que o projeto que atualiza a lei do abuso de autoridade será aprovado hoje. “Não há mais razão (para adiar). Já se discutiu muito o projeto.”

O projeto de lei não tem caráter terminativo, ou seja, ainda precisa ser apreciado no plenário da Casa. Para Lobão, o texto poderia ser votado amanhã em plenário.

Pedido. O deputado Delegado Francischini (Solidariedade-PR) entrou nesta terça-feira, 25, com um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar impedir a tramitação do projeto. O relator do mandado de segurança enviado ao STF é o ministro Luís Roberto Barroso.

COMENTE ABAIXO:
Propaganda
Clique para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe uma resposta

Política

Homem é sequestrado durante assalto em Várzea Grande

Publicados

em


Wellington Eduardo da costa jardim, de 35 anos, foi sequestrado dentro da própria residência, na madrugada deste domingo (10), no bairro são benedito, em várzea grande, e segue desaparecido. Desde que foi levado, a família não conseguiu mais qualquer contato com ele e, até o momento, não há informações sobre seu paradeiro.

De acordo com o boletim de ocorrência, os suspeitos invadiram a residência por volta das 4h40. Armados, eles afirmaram ser policiais civis e renderam Wellington Eduardo da Costa Jardim, de 35 anos, e sua companheira M…..

Durante a ação criminosa, os assaltantes mantiveram o casal sob ameaça enquanto procuravam dinheiro e objetos de valor. Conforme o registro policial, foram levados uma quantia em dinheiro, um aparelho celular da marca Poco e um iPhone 12 pertencentes às vítimas.

Após o roubo, os criminosos fugiram levando Wellington Eduardo da Costa Jardim. A mulher foi deixada no local e, assim que conseguiu pedir ajuda, procurou a Polícia Civil para registrar a ocorrência.

O caso foi registrado como sequestro e cárcere privado consumado, além dos demais crimes relacionados à ação criminosa. As investigações foram encaminhadas à Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e à Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DRACO), que trabalham para identificar os autores e localizar a vítima.

Qualquer pessoa que tenha visto Wellington, tenha presenciado alguma movimentação suspeita na região do bairro são benedito durante a madrugada, possua imagens de câmeras de segurança ou tenha qualquer informação que possa contribuir para sua localização deve procurar imediatamente as autoridades.

A Polícia Civil segue investigando o caso e realiza diligências para localizar

Wellington Eduardo da Costa Jardim. Familiares e amigos pedem a colaboração da população. Quem tiver qualquer informação que possa ajudar a localizar Wellington ou indicar seu paradeiro pode entrar em contato pelo telefone 190 ou (65) 99247-5665. A identidade do denunciante será preservada.

Atenção: Esta reportagem foi elaborada com base nas informações constantes no boletim de ocorrência, que registra a versão inicial dos fatos apresentada às autoridades competentes. Novas informações poderão alterar o andamento da investigação



COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTE

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA