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Em Goiás, Justiça nega busca e apreensão contra apoiadores da greve

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Há 37 inquéritos abertos para apurar supostos crimes praticados por empresários e donos de empresas de transporte ao apoiar e estimular a paralisação dos caminhoneiros

 

Da Redação

O juiz Roberto Carlos de Oliveira, da Justiça Federal em Goiás, negou no sábado, 26, um pedido de busca e apreensão apresentado pela Polícia Federal contra os proprietários e o gerente de um posto de combustível por suposto apoio a um bloqueio dos caminhoneiros.

O pedido da PF é desdobramento de um dos 37 inquéritos abertos para apurar supostos crimes praticados por empresários e donos de empresas de transporte ao apoiar e estimular a greve dos caminhoneiros. Estão em andamento apurações em 25 estados e todas são mantidas em sigilo pela PF. A greve continua mesmo após o governo federal acatar uma série de reivindicações dos motoristas.

Além dessa decisão em Goiás, o Estado apurou ao menos duas decisões foram expedidas em outros Estados. Todas são mantidas em sigilo. Na PF, esses pedidos são vistos como normais dentro das apurações e devem ser feitos pontualmente nos casos em andamento levando em conta o tempo necessário para cada investigação. 

Segundo fontes ouvidas pelo Estado, como os inquéritos são recentes, alguns pedidos serão mais rápidos e outros devem demorar um pouco mais, a depender da complexidade de cada caso. Todos pedidos dependem de manifestação do MPF e decisão da Justiça Federal para que sejam cumpridos.

As buscas solicitadas em Goiás, de acordo com a PF, eram necessárias porque os empresários Juvenilton Bezerra Cruz, Eder Oliveira e Ernandes Cândido, donos do posto Marajó, e o gerente Edecy Aguiar apoiaram a manifestação ao fornecer café da manhã e banheiro aos manifestantes. O posto fica na BR 153, Setor Rosa dos Ventos, em  Aparecida de Goiânia (GO). O Estado não conseguiu localizar os empresários. 

Segundo a PF, em troca do fornecimento de comida, o gerente do posto teria solicitado que manifestantes estacionassem seus veículos na saída do estabelecimento para dificultar o retorno dos caminhões estacionados no pátio à rodovia. No entendimento do delegado do caso, o gerente não teria agido por exclusiva iniciativa própria e que os donos estariam por trás das ações dele.

De plantão no final de semana, o procurador da República Hélio Telho se manifestou contra o pedido da PF e afirmou que  “não consta da representação policial, nem das informações policiais que lhe dão suporte, que Edecy tenha agido com emprego de violência ou grave ameaça para obrigar à adesão ou evitar deserções à greve dos caminhoneiros”.

“Tampouco há elementos mínimos que autorizem suspeitar que Edecy integre organização criminosa voltada à prática de crimes contra a organização do trabalho ou à segurança dos transportes. Sequer foram apresentados elementos que indiquem a própria ocorrência do crime de organização criminosa”, disse Telho em seu parecer encaminhado à Justiça Federal.

Para Telho, não foi imputado ao gerente do posto “qualquer ato que implicasse bloqueio de rodovias ou que impedisse, mediante violência ou grave ameaça, o retorno de caminhões à estrada”.

Ao analisar o pedido da PF, o juiz Roberto Carlos de Oliveira apontou não haver indícios da prática de qualquer crime pelos donos e pelo gerente do posto. “É de se reconhecer que o movimento paredista deflagrado pelos caminhoneiros deu origem à supressão de diversos produtos e bens em todos os segmentos da sociedade, resultando em situação de instabilidade social. Entretanto, a conduta dos manifestantes descrita na peça inicial caracteriza apenas o livre exercício do direito de greve, constitucionalmente assegurado”, completou o juiz em sua decisão.

Fonte: O Estado de S.Paulo 

Foto: Felipe Rau/Estadão

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Presidente da Câmara renuncia ao mandato e diz que política é “frustrante”

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O presidente da Câmara Municipal de Ipiranga do Norte (MT), Celso da Conceição (Republicanos), renunciou ao mandato de vereador e encerrou sua passagem pelo Legislativo municipal com um desabafo sobre os desafios da vida política. Em discurso de despedida, ele classificou a atividade como “frustrante” e defendeu a atuação dos políticos do município.

A saída foi oficializada no último dia 6, um dia depois de Celso presidir sua última sessão ordinária. Durante o pronunciamento, o parlamentar não detalhou os motivos da decisão e afirmou que se trata de uma escolha pessoal. Informações divulgadas pela imprensa local apontam que ele teria recebido uma proposta de emprego, mas a motivação não foi confirmada oficialmente pelo vereador.

Ao falar sobre a decisão, Celso ressaltou que cada pessoa precisa avaliar o que considera melhor para a própria vida.

“Às vezes, quem está de fora vê que está muito bom e acha que alguma coisa deveria estar melhor, que, se fosse eu, não fazia assim, fazia assado. Mas cada um é dono da sua vida e acredita naquilo que é melhor para si. E é isso que eu estou fazendo, né? Com fé em Deus, vai estar tudo certo”, declarou.

O vereador também demonstrou insatisfação com a imagem da classe política perante a sociedade. Para ele, o trabalho realizado por representantes públicos nem sempre é reconhecido, e a população tende a generalizar críticas sobre a conduta dos políticos.

“Realmente é frustrante, muito frustrante, porque a gente se dedica tanto e, infelizmente, o nosso país é olhado só como que político nenhum, parece que todos os políticos roubam, que todo político é aquilo”, afirmou.

Na sequência, Celso defendeu os colegas de Ipiranga do Norte e disse acreditar que o cenário nacional seria diferente se a atuação política no país seguisse o exemplo que, segundo ele, existe no município.

“Mas eu volto a dizer: se todos os políticos do nosso país fossem iguais aos políticos de Ipiranga do Norte, o nosso país era outro”, completou.

Eleito em 2024 com 307 votos, Celso esteve à frente da Câmara durante o biênio 2025-2026. Sua renúncia provocou mudanças na composição do Legislativo: o vice-presidente, Cleonaldo Araujo França, assumiu a presidência e permanecerá no cargo até o encerramento do atual período da Mesa Diretora.

Com a saída de Celso, o primeiro suplente do Republicanos, Neto da Farmácia, deverá assumir a cadeira de vereador. Ele recebeu 152 votos nas eleições municipais de 2024.

A renúncia encerra antecipadamente o mandato de Celso, que se despediu dos colegas com agradecimentos pela experiência no Legislativo. Apesar das críticas à percepção pública sobre a política, ele destacou a importância da trajetória vivida na Câmara e deixou a função afirmando ter gratidão pelo período em que exerceu o cargo.



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