Política
Base aliada consegue votos para arquivar a denúncia contra Temer
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Acusação só poderá ser analisada depois que ele deixar o cargo; PGR ainda deve apresentar novas denúncias
Da Redação
O plenário da Câmara dos deputados rejeitou nesta quarta-feira, 2, a autorização para que o Supremo Tribunal Federal julgue a denúncia por corrupção passiva contra o presidente Michel Temer. Por volta das 20h20, a base aliada já tinha votos necessários, somando as ausências e abstenção, para arquivar a denúncia.
O parecer do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) recomendava o arquivamento da acusação formal feita pela Procuradoria-Geral da República. Com a decisão, a denúncia contra Temer por este crime só poderá ser eventualmente analisada após o peemedebista deixar o cargo.
Em discursos de apenas 15 segundos para declarar o voto sobre o parecer, a “família” e “Deus” (a que muitos recorreram à época do impeachment) foram preteridos pela “economia”. Deputados aliados citavam as reformas, a retomada do crescimento e redução do desemprego.
Os governistas conseguiram a marca dos 172 votos, após seis horas de sessão. A vitória do governo já era esperada. O presidente intensificou nos últimos dias as articulações com os deputados que incluíam a distribuição de cargos e emendas. Ao todo, desde o dia 17 de maio, quando veio à tona o conteúdo da delação premiada do empresário Joesley Batista, acionista do Grupo J&F, Temer se reuniu pessoalmente com mais de 200 parlamentares no Palácio do Planalto.
O presidente foi denunciado por corrupção passiva sob a acusação de ser o destinatário de uma mala com R$ 500 mil repassados pela J&F para o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), seu ex-assessor. Foi a primeira vez que um presidente da República sofreu acusação formal por um crime comum no exercício do cargo. Um aval da Câmara poderia levar ao afastamento de Temer da Presidência por até 180 dias caso a denúncia fosse aceita pelo STF.
Para barrar a denúncia, Temer precisava do apoio de ao menos 172 deputados. Já a admissibilidade da acusação dependia de pelo menos 342 votos, ou 2/3 da Câmara. O quórum mínimo (342 deputados) para que o início da votação foi alcançado na Casa às 12h36. A primeira sessão, no entanto, foi encerrada por volta de 14h e foi reiniciada a contagem de presença na Casa. O novo quórum mínimo foi alcançado por volta das 15h30.
Autor do relatório aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Abi-Ackel foi o primeiro a discursar e disse que a denúncia da PGR carecia de”elemento essencial a peças acusatórias” e negou que a rejeição representasse “impunidade”. O texto do deputado tucano tomou lugar do parecer de Sérgio Zveiter (PMDB-RJ), que era contrário a Temer e foi recusado pelos parlamentares da comissão após várias trocas no colegiado promovidas pelo Planalto.
O advogado de Temer, Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, questionou também a acusação por corrupção passiva. “Recebeu de quem? Recebeu quando? Recebeu onde?” Segundo Mariz, “queriam que a mala de dinheiro caísse no colo do presidente da República”. “A mala (encontrada com Rocha Loures) deveria ter um chip”, disse o advogado.”Sabe por que não havia chip na mala? Se tirou (o chip), uma vez que a mala não foi para o destino que eles queriam que fosse.”
Deputados de oposição fazem a protesto no plenário da Câmara durante a sessão levando para o local uma mala com cédulas que estampavam o rosto de Temer. O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) classificou o processo envolvendo a denúncia contra o presidente como o “maior balcão de negócios da história do País”.
Fonte: O Estado de S.Paulo
Política
CAE vota emendas ao projeto que aumenta o piso salarial de médicos
A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) tem reunião marcada para esta terça-feira (11), às 10h. Há nove itens na pauta de votações. Um deles é o PL 1.365/2022, projeto de lei que aumenta o piso salarial nacional de médicos e cirurgiões-dentistas.
O projeto, de autoria da senadora Daniella Ribeiro (PP-PB), eleva esse piso de R$ 3.636 para R$ 13.662 para a jornada de 20 horas semanais. A iniciativa provocou discordâncias quanto ao seu impacto financeiro e à fonte dos recursos.
A matéria já havia sido analisada pela CAE e pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS), e estava para ser enviada à Câmara dos Deputados, mas um grupo de senadores, entre os quais Jaques Wagner (PT-BA), apresentou recurso para que o texto seja votado pelo Plenário do Senado antes de ir à Câmara.
Desde então, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), apresentou quatro emendas de Plenário, que devem ser avaliadas agora pela CAE. O senador responsável pela relatoria dessas emendas é Nelsinho Trad (PSD-MS).
Medicamentos para empregados
Outro projeto de lei na pauta da CAE é o PL 3.079/2024, do senador Weverton (PDT-MA), que permite às empresas custear parte dos remédios dos empregados e seus dependentes.
O projeto cria o Programa de Medicamentos do Trabalhador. De acordo com o texto, a empresa que aderir à iniciativa fica autorizada a custear os medicamentos cobertos pelo programa (em regime de coparticipação com seus empregados).
A proposta determina que o programa ofereça medicamentos tanto para os empregados quanto para seus dependentes.
Para incentivar as empresas a participar do programa, o projeto permite que elas deduzam do lucro tributável (para fins de apuração do imposto sobre a renda) o dobro das despesas comprovadamente realizadas no período-base do programa.
A proposta recebeu parecer favorável do senador Nelsinho Trad. Ele sugeriu algumas mudanças no texto, como a recomendação de direcionar 3% das arrecadações com loterias para o custeio do Programa de Medicamentos do Trabalhador.
Simples municipal
Também está na pauta da comissão o projeto de lei que cria o Simples Municipal (PLP 51/2021). De acordo com o autor da proposta, senador Jaques Wagner (PT-BA), trata-se de um regime especial que permite às prefeituras mais pobres pagar uma contribuição previdenciária menor.
Wagner também destaca que, com essa iniciativa, os municípios mais ricos vão pagar uma contribuição maior, o que, segundo ele, pode aumentar o valor total destinado à seguridade social.
A matéria conta com parecer favorável do senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO).
Além disso, estão na pauta da CAE o PL 1.859/2022, projeto de lei que proíbe a pulverização aérea de agrotóxicos nas áreas de seca, e propostas que tratam de pedidos de autorização para crédito externo.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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