Política
Após Assembleia, UFMT recusa adesão ao programa Future-se
Política
Da Redação
A Universidade Federal de Mato Grosso não fará adesão ao programa Future-se. A decisão foi tomada oficialmente nesta quarta-feira (06.11) durante reunião unificada dos três conselhos superiores da instituição (Consepe, Consuni e Conselho Diretor). Mais de 90 conselheiros participaram do debate. Eles aprovaram um relatório de 19 páginas elaborado por uma comissão técnica formada pelos três conselhos, onde a recomendação final foi pela não adesão ao Future-se pelos prejuízos que o projeto representa para educação superior pública.
“O estudo foi norteado com o foco da UFMT sobre o ensino, pesquisa e extensão, amplamente garantido constitucionalmente no artigo 207. O projeto Future-se contradiz princípios básicos da educação pública, levantando uma série de questionamentos que certamente inviabilizam o funcionamento da universidade. Um destaque importante que tivemos diz respeito às licenciaturas. Elas não são nem sequer citadas no Future-se. São cursos que têm um papel muito importante na sociedade, pois gera a educação, forma professores, enfim, o Future-se coloca toda a sociedade em risco”, destacou Leia de Souza Oliveira, técnica que compôs a comissão de estudo do Future-se.
Para Fábio Ramirez, coordenador geral do Sintuf-MT (Sindicato dos Trabalhadores Técnico-administrativos da UFMT), a posição oficial da UFMT frente ao Future-se representa o respeito ao posicionamento da Assembleia Geral Unificada, realizada na terça-feira (05.11). “Tivemos uma assembleia histórica, que reuniu quase três mil pessoas, com representações dos campus de Sinop, Rondonópolis, Araguaia, Várzea Grande e Cuiabá. Uma assembleia com ampla participação dos estudantes, professores e técnico administrativos. A pauta principal foi o Future-se e todos foram contra o projeto. Ele é um passo para a privatização da universidade pública. Ele propõe instalar uma empresa privada para administrar a universidade no mesmo modelo das OSS, ele muda a constituição brasileira no que diz que é tarefa do o poder público, da União, financiar a educação, a pesquisa e a extensão”.
Ponto de muito questionamento, Ramirez reforçou o ataque à autonomia universitária. “Essa organização social vai arrecadar dinheiro na iniciativa privada vendendo as pesquisas, que não mais serão desenvolvidas por uma necessidade social, mas sim pelos interesses privados, de uma empresa ou grupo. O conhecimento gerado na academia pública não pertencerá a sociedade, mas sim a empresa que pagar. Os prédios públicos poderão ser alugados, a OSS poderá cobrar mensalidade de alunos, mensalidade dos projetos de pós graduação, e o resultado disso é óbvio, os mais pobres estarão fora da universidade”.
Das 63 universidades federais brasileiras, 29 já declararam posição oficial contrária ao Future-se. Além dessas, outras 14 manifestaram, ao menos, posição política também contrária, por meio de assembleias universitárias. Nenhuma se mostrou favorável.
Outro a se posicionar foi o diretor geral da Adufmat, associação dos professores da UFMT, Aldi Nestor de Souza. “Nós estamos diante de uma avalanche que tem como finalidade desmontar os serviços públicos e a universidade está na mira dessa vez. Esse governo não esconde isso. Ele tem até uma Secretaria Especial de Desestatização, que já anunciou muitas vezes o seu objetivo de vender absolutamente tudo. Então, quando o governo faz cortes e estrangula a universidade, está coerente com a sua proposta de desmontar os serviços públicos”.
Fonte: SINTUF-MT
Política
Presidente da Câmara renuncia ao mandato e diz que política é “frustrante”
O presidente da Câmara Municipal de Ipiranga do Norte (MT), Celso da Conceição (Republicanos), renunciou ao mandato de vereador e encerrou sua passagem pelo Legislativo municipal com um desabafo sobre os desafios da vida política. Em discurso de despedida, ele classificou a atividade como “frustrante” e defendeu a atuação dos políticos do município.
A saída foi oficializada no último dia 6, um dia depois de Celso presidir sua última sessão ordinária. Durante o pronunciamento, o parlamentar não detalhou os motivos da decisão e afirmou que se trata de uma escolha pessoal. Informações divulgadas pela imprensa local apontam que ele teria recebido uma proposta de emprego, mas a motivação não foi confirmada oficialmente pelo vereador.
Ao falar sobre a decisão, Celso ressaltou que cada pessoa precisa avaliar o que considera melhor para a própria vida.
“Às vezes, quem está de fora vê que está muito bom e acha que alguma coisa deveria estar melhor, que, se fosse eu, não fazia assim, fazia assado. Mas cada um é dono da sua vida e acredita naquilo que é melhor para si. E é isso que eu estou fazendo, né? Com fé em Deus, vai estar tudo certo”, declarou.
O vereador também demonstrou insatisfação com a imagem da classe política perante a sociedade. Para ele, o trabalho realizado por representantes públicos nem sempre é reconhecido, e a população tende a generalizar críticas sobre a conduta dos políticos.
“Realmente é frustrante, muito frustrante, porque a gente se dedica tanto e, infelizmente, o nosso país é olhado só como que político nenhum, parece que todos os políticos roubam, que todo político é aquilo”, afirmou.
Na sequência, Celso defendeu os colegas de Ipiranga do Norte e disse acreditar que o cenário nacional seria diferente se a atuação política no país seguisse o exemplo que, segundo ele, existe no município.
“Mas eu volto a dizer: se todos os políticos do nosso país fossem iguais aos políticos de Ipiranga do Norte, o nosso país era outro”, completou.
Eleito em 2024 com 307 votos, Celso esteve à frente da Câmara durante o biênio 2025-2026. Sua renúncia provocou mudanças na composição do Legislativo: o vice-presidente, Cleonaldo Araujo França, assumiu a presidência e permanecerá no cargo até o encerramento do atual período da Mesa Diretora.
Com a saída de Celso, o primeiro suplente do Republicanos, Neto da Farmácia, deverá assumir a cadeira de vereador. Ele recebeu 152 votos nas eleições municipais de 2024.
A renúncia encerra antecipadamente o mandato de Celso, que se despediu dos colegas com agradecimentos pela experiência no Legislativo. Apesar das críticas à percepção pública sobre a política, ele destacou a importância da trajetória vivida na Câmara e deixou a função afirmando ter gratidão pelo período em que exerceu o cargo.
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