Opinião
A urgência de combater a violência contra a mulher
Opinião
Coronel Fernanda
Há algum tempo, uma reportagem na TV trouxe à tona um caso emblemático e perturbador: um menino, em um ato desesperado de coragem, ligou para a polícia pedindo ajuda enquanto via sua mãe sendo brutalmente agredida pelo pai. Essa história, embora comovente e revoltante, não é um caso isolado. Pelo contrário, ela reflete a dura realidade que muitas mulheres enfrentam diariamente em todo o Brasil.
A violência contra a mulher é uma questão que vai além de um problema familiar. É uma emergência social, de saúde pública e de segurança que exige respostas imediatas e firmes. É por isso que tenho trabalhado incansavelmente no Congresso Nacional para apresentar e defender propostas que busquem enfrentar esse cenário de forma eficaz.
Entre as pautas que lidero está o Projeto de Lei 2526/24, que propõe o aumento das penas para o crime de estupro. Esse projeto busca não apenas endurecer as consequências legais para os agressores, mas também enviar uma mensagem clara de que a sociedade brasileira não tolerará tamanha brutalidade.
Outro projeto de suma importância é o PL 3710/2023, que visa ampliar a proteção das mulheres, especialmente em momentos de grande vulnerabilidade, como durante a gestação. Essa proposta criminaliza a violência obstétrica, reconhecendo que essa forma de agressão é um ataque à integridade física, à dignidade e aos direitos fundamentais das mulheres.
Entretanto, leis mais rígidas e ações legislativas precisam vir acompanhadas de uma mobilização nacional. Denunciar é uma das ferramentas mais poderosas para combater a violência doméstica e outros tipos de agressão. Para isso, contamos com canais como o Disque 180, disponível em todo o território nacional, e o 181, em Mato Grosso.
Meu compromisso com a segurança das mulheres brasileiras é constante e prioritário. Estamos falando de vidas, de famílias que precisam ser protegidas, e de uma sociedade que não pode mais fechar os olhos para esse problema. A conscientização é importante, mas precisamos ir além: é hora de agir, implementar políticas públicas efetivas e garantir que a proteção seja uma realidade para todas as mulheres.
Conclamo cada cidadão a fazer parte dessa luta. A violência contra a mulher não é apenas um problema das vítimas ou das famílias envolvidas: é um problema de todos nós. E juntos, com ações concretas e denúncias, podemos construir um futuro mais seguro e justo para todas.
*Coronel Fernanda é deputada federal e líder da bancada no Congresso Nacional.
Opinião
Saúde mental é inegociável
O que aprendi em 10 anos liderando a pauta de saúde mental? Durante a última edição do Vittude Summit, subi ao palco diante de cerca de 1.800 pessoas e lembrei do primeiro evento que realizamos, em janeiro de 2020. Na época, a expectativa era reunir 200 participantes para discutir saúde mental no ambiente corporativo. Muitos acreditavam que ninguém apareceria: o evento recebeu 280 pessoas.
Poucos meses depois, a pandemia transformou definitivamente a forma como as empresas passaram a enxergar o tema. O que antes era tratado como assunto secundário passou a ocupar espaço nas agendas das lideranças. Em poucos anos, vimos crescer rapidamente o interesse das organizações por estratégias estruturadas de promoção da saúde mental.
Os números que não podem mais ser ignorados
Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o terceiro ano consecutivo de crescimento. O dado, porém, mostra apenas parte do problema. Ele considera apenas afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora atestados mais curtos e um fenômeno igualmente preocupante: o presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades.
No Censo de Saúde Mental da Vittude, realizado com 175 mil trabalhadores de 35 grandes corporações, identificamos uma perda média de produtividade de 32%. Em outras palavras, de cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, cerca de R$ 32 deixam de se converter em trabalho efetivo em função do adoecimento emocional. Ou seja, são perdas financeiras e humanas.
O papel da segurança psicológica
Um dos principais achados do estudo foi a relação direta entre segurança psicológica e saúde mental. Entre os colaboradores que relataram baixos níveis de segurança psicológica, todos os indicadores analisados pioraram significativamente. A ideação suicida passou de 14,75% para 19%, enquanto a propensão ao burnout saltou de 5,94% para 21%. Já entre aqueles que percebiam altos níveis de segurança psicológica, a propensão ao burnout foi praticamente nula.
Esses dados mostram que boa parte do adoecimento está concentrada em ambientes onde as pessoas não se sentem seguras para pedir ajuda ou expressar opiniões. Por isso, saúde mental não depende apenas da oferta de benefícios. Depende, principalmente, da cultura organizacional.
A prevalência de ideação suicida entre os trabalhadores avaliados no Censo (14,75%) foi inferior à observada na população brasileira em geral (18%, segundo estudo do Instituto Cactus). Isso mostra que o trabalho pode funcionar como fator de proteção quando oferece pertencimento, reconhecimento e relações saudáveis.
O problema é que muitos ambientes ainda não oferecem essas condições. Com a atualização da NR-1 já em vigor, o gerenciamento dos riscos psicossociais passou a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas.
O que aprendemos na prática
Ao longo desses dez anos, ficou claro que os programas de saúde mental mais efetivos compartilham uma característica: método. Não basta contratar fornecedores ou oferecer benefícios. É preciso diagnosticar riscos, definir prioridades, acompanhar indicadores, testar iniciativas e envolver a liderança de forma consistente durante todo o processo.
Foi dessa experiência que surgiu o Método VITAL — Verificar, Idealizar, Testar, Amadurecer e Liderar — desenvolvido a partir do trabalho com organizações de diferentes setores. O aprendizado é simples: iniciativas isoladas dificilmente produzem mudanças duradouras.
Promover saúde mental exige planejamento, acompanhamento contínuo e compromisso da liderança.
Em dez anos, a pauta amadureceu.
Hoje, o cenário é diferente. Líderes, profissionais de RH, médicos do trabalho e executivos passaram a discutir segurança psicológica, riscos psicossociais e saúde mental com uma frequência que parecia improvável poucos anos atrás.
A atualização da NR-1 consolida essa mudança. E depois de uma década acompanhando essa transformação, vejo que chegamos a um ponto de virada. Ainda há muito a fazer, mas, pela primeira vez em muitos anos, há uma combinação de conscientização, evidências e compromisso institucional capaz de acelerar essa mudança. E isso, sem dúvida, é motivo de esperança.
* Tatiana Pimenta CEO da Vittude
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