Economia
Wellington cobra de Paulo Guedes recursos ‘na ponta’ para empresas garantir empregos
Economia
Da Redação.
Mais uma vez, senadores que integram a Comissão Especial Mista da Covid-19 voltaram a cobrar do ministro da Economia, Paulo Guedes, medidas eficazes para que recursos aprovados pelo Congresso Nacional possam ‘chegar na ponta’. Um deles, o senador Wellington Fagundes (PL-MT), líder do Bloco Parlamentar Vanguarda, testemunhou as dificuldades das empresas para acessar as linhas de crédito e, com isso, garantir o emprego dos trabalhadores.
Uma das questões centrais tratadas na sessão da comissão, realizada por videoconferência, foi a demora na operacionalização do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe). A norma aprovada previa, por exemplo, que 80% dos recursos programados seriam destinados para as micros e 20% para as pequenas empresas. Os bancos disseram que só vão liberar primeiro os 80% das micros para depois começar para as pequenas.
Após queixa apresentada pelo senador Wellington, o presidente da Comissão Especial da Covid-19, senador Confúcio Moura (MDB-AM), anunciou que vai reunir para debate, em audiência pública prevista para o dia 7, representantes do Banco Central, Banco do Brasil, BNDES e Caixa e representações de micro e pequenos empresários. “Vai ser um pinga-fogo entre os pequenos e os micros com os bancos” – disse.
Além de Wellington, o senador Izalci Lucas (PSDB-DF) lamentou a demora e disse ao ministro que havia “um problema sério com relação ao Pronampe, com liberação de recursos”. Já Esperidião Amim (PP-SC) foi enfático ao pedir que o ministro mandasse “seu primeiro time” para explicar a demora na liberação de dinheiro para os empresários.
Guedes admitiu que, de fato, parte dos recursos liberados pela União não está chegando à ponta, mas rebateu críticas de uma possível falta de coordenação do governo federal nas ações contra a pandemia. “Eu tenho a maior franqueza em reconhecer que, na parte de crédito, ele não foi satisfatório até o momento, e nós continuamos aperfeiçoando o nosso programa para o dinheiro chegar à conta, que era a maior reclamação. Então, continuamos aprendendo e tentando aperfeiçoar e, sim, esperamos um desempenho muito melhor” – disse o ministro.
Além da liberação dos recursos para as pequenas e médias empresas como forma de garantir emprego, Wellington Fagundes manifestou preocupação com o avanço da contaminação em Mato Grosso. “O coronavírus acabou indo para as pequenas cidades” – disse. Ele disse que muitas pessoas estão morrendo e lamentou o fato de que a população das cidades menores não tivesse acreditado que o vírus poderia chegar na mesma intensidade dos grandes centros.
O senador mato-grossense comentou ainda com os demais senadores e com o ministro da Economia sobre a situação dos índios Xavantes, que habitam principalmente a região do Vale do Araguaia, cujas reservas estão localizadas próximas às cidades. Notícias dão conta de que a Covid-19 já matou 25 indígenas dessa etnia. Fagundes também cobrou uma articulação mais efetiva do Governo para que não deixe faltar medicamentos básicos para o tratamento de pacientes infectados, como os tranquilizantes que estão em falta nas UTIs.
Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado
Economia
Petrobras encontra petróleo em poço na Margem Equatorial
A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (17) a descoberta de petróleo no poço Morpho, localizado no bloco BM-FZA-59, na Margem Equatorial, em águas profundas na costa do Amapá. A estatal ainda deverá concluir a perfuração e realizar estudos para estimar o volume encontrado e avaliar a viabilidade de uma eventual exploração comercial.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, informou que a perfuração já alcançou cerca de 3 mil metros de profundidade em lâmina d’água e outros 3 mil metros em rocha. Segundo ela, ainda falta perfurar aproximadamente 1 mil metros até o fundo do poço.

“É uma descoberta que é fruto de um trabalho de anos, com muita tecnologia embarcada, muito esforço e muito investimento, mas que até agora confirmou todas as nossas expectativas de um potencial relevante de petróleo na Margem Equatorial, mais especificamente no litoral do estado do Amapá”, afirmou Magda, durante visita ao Oiapoque.
O poço Morpho está localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá e a aproximadamente 500 quilômetros da Foz do Amazonas. A lâmina d’água no local é de 2.886 metros.
Segundo a presidente da Petrobras, ainda não é possível estimar o volume de petróleo encontrado ou o potencial de produção da área. A previsão é de que a perfuração seja concluída em 15 a 20 dias.
De acordo com Magda, desde agosto do ano passado, quando teve início a atual campanha exploratória na região, a Petrobras já investiu US$ 3 bilhões. A presidente informou também que as operações de exploração têm custo de cerca de US$ 1 milhão por dia.
A descoberta de petróleo em um poço exploratório, no entanto, não significa, por si só, a confirmação de uma reserva comercialmente explorável. Após a conclusão da perfuração, serão necessários estudos para avaliar o volume, as características do reservatório e a viabilidade técnica e econômica de uma eventual produção.
Próximas etapas
Magda Chambriard afirmou que a descoberta reforça as expectativas da Petrobras sobre o potencial exploratório da Margem Equatorial. Segundo ela, a estatal pretende dar continuidade às atividades na região.
“Se tudo der certo, e tudo está dando certo até agora, a gente tem o condão de produzir numa área que pode ajudar de uma maneira muito importante a recomposição das reservas da Petrobras e do Brasil”, disse.
Segundo a presidente, a Petrobras tem outros poços previstos no programa exploratório da região. A estatal também protocolou no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) pedidos de licenciamento para novas perfurações na Margem Equatorial.
A Petrobras é operadora do bloco BM-FZA-59 e detém 100% de participação na área. O bloco foi adquirido na 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em 2013, sob o regime de concessão.
Transição energética
Durante visita à região nesta segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância da descoberta para o futuro da produção de petróleo no país. Ele afirmou, no entanto, que a exploração da Margem Equatorial não altera a estratégia brasileira de investimento em fontes renováveis de energia. “O país vai continuar sendo o país da inovação dos biocombustíveis e vai continuar sendo muito grande na questão do combustível renovável”, disse Lula.
Segundo Lula, o país deverá manter os investimentos em biocombustíveis e em outras fontes de energia renovável, ao mesmo tempo em que busca avaliar o potencial de novas áreas para a produção de petróleo.
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