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Várzea Grande terá parto humanizado com inauguração da Rede Cegonha

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Da Redação

 

“Estruturar e organizar a saúde materno-infantil em nosso Município e assegurar às mulheres o direito ao planejamento reprodutivo e atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puertério, e acima de tudo, assegurar às crianças o direto ao nascimento seguro, bem como seu desenvolvimento e crescimento saudável. Essa é a nossa estratégia de gestão na atenção e no respeito à mulher”, disse a prefeita de Várzea Grande, Lucimar Sacre de Campos, que ao lado do governador Pedro Taques, e do vice-prefeito, José Hazama, inaugurou nesta manhã (15), mais uma etapa das reformas do Hospital e Pronto-Socorro de Várzea Grande.

Hoje foram entregues três salas de partos e enfermaria com doze leitos da Rede Cegonha, entrega da UTI Adulto, com dez leitos, e do Centro Cirúrgico com três salas. “Com mais essa conclusão, atingimos 70% do projeto de reconstrução, que visa, até o final desse ano, uma reforma em 100% da unidade”, destacou a prefeita.

Ainda sobre a área da saúde, a prefeita reforçou que “Várzea Grande passou a ter sempre boas notícias”. Como ela acrescentou, “as obras no Pronto-Socorro não são importantes apenas pelo aspecto estrutural, funcional e organizacional no atendimento aos SUS, mas, sobretudo, têm importância por proporcionar aos pacientes e aos profissionais de saúde acolhimento digno e humanizado”. A prefeita Lucimar pontuou que á atenção à área da saúde se dá por completo, com obras, com capacitação de pessoal e a dispensação contínua de insumos e medicamentos.

Para melhorar a eficiência na gestão da saúde, a prefeita sancionou, durante o ato de entrega das obras do Pronto-Socorro, a Lei 4.274/2017, que insere Várzea Grande no Consorcio Intermunicipal de Saúde (CONSUSMT), que vai possibilitar à prefeitura compras de insumos em forma de ‘pool’ (compras coletivas junto a outras cidades), garantindo qualidade nos produtos e preços justos. A lei sancionada hoje, ratificou o Protocolo de Intenções, firmado em julho, entre municípios mato-grossenses e a Procuradoria Geral de Justiça do Estado de Mato Grosso. “Por meio dessa regulamentação, poderemos operacionalizar ações de Assistência Farmacêutica por meio da aquisição e distribuição de medicamentos, insumos, equipamentos e serviços com destinação exclusiva à população usuária do Sistema Único de Saúde (SUS)”.

O secretário municipal de Saúde, Diógenes Marcondes, destacou que os recursos que estão sendo aplicados na Pasta, estão fazendo da saúde varzea-grandense referência, especialmente a UPA do Ipase, que é citada pelo Ministério da Saúde, como exemplo de gestão para atendimentos de urgência para o País. “Tudo isso mostra, a cada dia, a nossa saúde valorizada e compromissada”.

O secretário municipal de Assuntos Estratégicos, Jayme Campos, fez questão de anunciar que nos próximos 90 dias as obras totais do Pronto-Socorro estarão completas, com a unidade 100% reforma e equipada. “Passaram-se 29 anos entre a inauguração dessa unidade e a sua primeira reforma estrutural. Em 1988, quando prefeito, eu inaugurei a primeira grande unidade de saúde de Várzea Grande. As obras nasceram no final da gestão do meu irmão, Júlio Campos, quando prefeito. Já como deputado constituinte, ajudou minha gestão na captação de recursos em Brasília para construção dessa obra”.

O ex-prefeito de Várzea Grande e ex-governador, Júlio Campos, pontuou que a reforma, depois de quase 30 anos, resgata a dignidade no atendimento aos usuários do SUS. “Não há duvidas de que desde o primeiro dia de gestão da prefeita Lucimar, há pouco mais de dois anos, essa é a obra de maior impacto na qualidade de vida da população”.

Procurador Geral de Justiça de Mato Grosso, Mauro Curvo, disse que as obras que estão em andamento e já concluídas no Pronto-Socorro, só estão sendo possíveis graças à gestão honesta desenvolvida pela atual gestão, que vem trabalhando com comprometimento na meta de melhorar Várzea Grande. “Em um momento de crise nacional, em que a economia vem caminhando a passos lentos, a gestão de recursos públicos passa a ser vital, é o pulo do gato de qualquer gestor, e por saber fazer uma administração transparente, é que a prefeitura de Várzea Grande está sempre inaugurando obras e estendendo os serviços básicos”.

Nessa mesma linha, o governador do Estado, Pedro Taques, ratificou sua avaliação sobre a administração municipal. Como ele mesmo disse, “todo o dinheiro que entra nos cofres públicos de Várzea Grande é tratado com respeito, zelo e por isso o trabalho aqui é sempre bem feito. A entrega de mais esta etapa de reformas do Pronto-Socorro é mais que um bom motivo para comemorar, é motivo de alegria, pois amplia a qualidade e a quantidade no atendimento pelo SUS, colabora para o resgate da saúde do Estado e passa a ser mais efetiva e resolutiva”.

Na ocasião,o secretário municipal de Assuntos Estratégicos, Jayme Campos anunciou uma nova inauguração na saúde. No dia 20 de outubro será aberta à população a primeira unidade do Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), que vai funcionar na antiga unidade do Postão, em frente à caixa d´àgua da Avenida Filinto Müller, no Centro. “Vamos avançar na prestação dos serviços relativos à saúde bucal com tratamento dentário, inclusive, com a realização de canal (Endodontia) entre outros serviços especializados da odontologia”. Serão 20 cadeiras para atendimento simultâneo à população, com equipe especializada.

A cerimônia que reuniu mais de 500 pessoas contou com a presença de servidores do Pronto-Socorro e da saúde várzea-grandense, de vereadores, secretários e de convidados como o deputado estadual, Eduardo Botelho, atual presidente da Assembleia Legislativa, do presidente da Procuradoria Geral de Justiça do Estado, Mauro Curvo, do ex-governador, Júlio Campos, do reitor do Univag, Dráuzio Medeiros, do delegado da Policia Civil, Douglas Turíbio, do padre Marcos Reis, pároco da igreja Nossa Senhora da Guia e do deputado federal, Nilson Leitão.

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT



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