Mato Grosso
VÁRZEA GRANDE DEBATE LOA DE 2018 COM R$ 727,1 MILHÕES E MANTÉM INVESTIMENTOS EM ALTA
Mato Grosso
PLANO PLURIANUAL PREVÊ INVESTIMENTOS ENTRE 2018 A 2021 DA ORDEM DE R$ 2,7 BILHÕES OU R$ 675 MILHÕES/ANO PARA ATENDER AS DEMANDAS DA POPULAÇÃO E DA CIDADE DE VÁRZEA GRANDE
Da Redação
Pouco mais de R$ 727 milhões, receita prevista para o exercício 2018, vão reforçar o Plano Plurianual (PPA) de 2018/2021 já encaminhado pela prefeita Lucimar Sacre de Campos, em maio, aos vereadores. Nesta quarta-feira, o orçamento anual de Várzea Grande começa a ser discutido por meio das audiências públicas para ser construído juntamente com a população. A receita prevista para o próximo ano faz parte de uma dotação global de R$ 2,7 bilhões para aplicação e execução nos próximos quatro anos.
Como destaca a prefeita Lucimar Sacre de Campos, o projeto de maior impacto estrutural na cidade segue sendo o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que sozinho tem orçamento garantido de quase R$ 500 milhões, cujas etapas são anualmente executadas e concluídas, e estão transformando a infraestrutura de Várzea Grande, ao reforçar ou implantar redes de esgotamento sanitário, habitação e pavimentação em diversos bairros da cidade.
Ainda como observa a prefeita, em princípio serão investidos cerca de R$ 675 milhões por ano. “Sabemos que o orçamento pode ser alterado para mais ou para menos, até porque parte dele é composto por repasses do Estado e da União, no entanto, para 2018, estamos ampliando nossa estimativa ao apresentar uma Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual (LOA) em R$ 727,17 milhões, acima do que projetamos”, comemora a prefeita, frisando que a proposta é exequível e “pé no chão”, ou seja, está dentro do que é possível colocar em prática para atender as demandas da cidade e da população.
Somente para 2018, a prefeita elenca que estão previstos a manutenção de grandes projetos e obras já em execução, especialmente no setor de infraestrutura, como pavimentação, recapeamento, as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a duplicação da Avenida Filinto Muller.

Entre as novas frentes de investimentos para serem executadas com o orçamento de 2018, estão as construção de seis escolas, sendo quatro na zona urbana e duas na zona rural, 16 Centros Municipais de Educação Infantil (CMEI), a construção da UPA 24 horas do Cristo Rei, construção da nova rodoviária, construção de um mercado popular para feiras livres, recuperação e revitalização da Orla do rio Cuiabá e a execução de 50 quilômetros de asfalto novo, de um total de 135 quilômetros que serão implantados nos próximos três anos. “Com um orçamento enxuto e bem pé no chão, estamos mantendo as frentes de trabalho em operação, como também estamos lançando obras, novas obras e projetos de médio e longo prazos, para serem realizados dentro dos quatro anos dessa gestão, gerando algo em torno de 3,5 mil até 5 mil empregos diretos e outros indiretos”.
Dos 16 Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) – que são as antigas creches – 14 delas estão no orçamento de 2018, como também seis escolas e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Cristo Rei e o Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), como detalha a prefeita que pretende ainda entre 2019 e 2020 fazer pelo menos mais duas Clínicas Odontológicas, uma anexa ao Parque do Lago e outra mais voltada para a Região do Grande São Mateus.
O secretário municipal de Planejamento, Edson Roberto Silva, explica que dos R$ 727,17 milhões previstos em receita na LDO/LOA, R$ 539,17 milhões serão originados das receitas correntes, o que gera um aumento anual de 4%, quando comparado aos R$ 519,85 milhões em execução nesse ano. As receitas correntes são constituídas pelas receitas tributária, de contribuições, patrimonial, agropecuária, industrial, de serviços e outras e, ainda, as provenientes de recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, quando destinadas a atender despesas, e essencialmente direcionadas ao custeio.
As receitas de Capital, que são recursos direcionados aos investimentos ou obras, estão estimadas em R$ 169,51 milhões para execução somente em 2018, valores estes já consolidados e garantidos. Nesse montante estão os projetos novos já citados nas áreas de saúde, educação e infraestrutura, como a garantia de recursos para a etapa 2018 do PAC, em R$ 52,90 milhões, R$ 34,25 milhões provenientes do governo do Estado, como os R$ 4 milhões para a conclusão da construção do novo ginásio do Fiotão.
O secretário explica ainda que o PAC total de Várzea Grande, com obras de esgotamento sanitário e pavimentação, tem orçamento global de cerca de R$ 500 milhões para implantação em quatro anos. “Os R$ 52,90 milhões que estão relacionados na LOA/LDO do ano que vem se refere pontualmente ao investimento para o exercício 2018”.
Ainda como exemplo de projetos de longo prazo, o secretário municipal de Assuntos Estratégicos, Jayme Campos, reforça que hoje foram lançados mais R$ 168 milhões entre ordens de serviço, autorização para licitação de novas obras do PAC, valor global que será diluído anualmente nas próximas LOA’s. “O valor lançado, supera o total previsto em receitas de Capital para 2018, em R$ 169,51 milhões. Como trabalhamos com um orçamento real e possível, anualmente os projetos do PAC irão fazendo parte da receita estimada para cada ano do exercício em questão. Não adianta lançar uma peça orçamentária de milhões, sabendo que sua execução é de longo prazo e não de curto prazo como são as Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual (LOA)”.
Ainda como destacou o secretário Jayme Campos, se todos os projetos de infraestrutura e de investimentos fossem lançados no orçamento, “Várzea Grande teria uma receita estimada superior a R$ 1 bilhão e 500 milhões, mas totalmente irreal dentro do contexto de sua execução, que é para cada 12 meses”.
AUDIÊNCIAS – Os encontros para discussão do orçamento municipal para 2018 seguem nessa quinta e sexta-feira, no Centro Educacional Abdalla José de Almeida (antigo Centro Professor Oscar Ribeiro), no bairro São Mateus e no Plenário da Câmara Municipal de Vereadores de Várzea Grande, ao lado do Paço Municipal, respectivamente.
Como explica o secretário de Planejamento, Edson Roberto Silva, a LDO 2018 recebeu sugestões de todas as secretarias municipais, e apesar de estar sendo apresentada nas audiências públicas, é um documento em construção e precisa da participação de toda a sociedade. Por isso, temos o rito constitucional de cumprir as audiências públicas. “A participação popular é importante para o fortalecimento da integração entre o poder público e sociedade civil, que poderá durante as audiências públicas tirar dúvidas, elencar demandas dos bairros e até sugerir a realização de obras e serviços para a aplicação dos investimentos apontados e que fazem parte das metas estabelecidas pela Administração Pública no Plano Plurianual”.
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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.
Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.
Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.
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