Mato Grosso

Terceira edição de anuário traz estatísticas dos atendimentos e perfil de vítimas atendidas

Publicado em

Mato Grosso

Da Redação

A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá (DEDM) publicou na última quinta-feira (20.08) em uma palestra online o Relatório Estatístico e Análise dos Atendimentos na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher em 2019, trazendo o perfil das vítimas atendidas, número de ocorrências, bairros de maior incidência, perfil de agressores e números de atendimentos.

Além da estatística, a Delegacia da Mulher também publicou o Perfil Psicológico das Vítimas, um estudo realizado pela profissional que faz o acolhimento psicológico às mulheres atendidas na unidade policial.  

O Anuário 2019 compreende gráficos estatísticos sobre a ocorrência registrada (dias da semana, horário dos fatos, bairros com maior número de registros), do perfil da vítima (estado civil, profissão, tempo de relacionamento, número de filhos do relacionamento, vínculo com o autor, cor, idade) e perfil do autor segundo descrições da vítima no momento do atendimento. Nesta edição foi introduzida uma nova estatística que correspondente à motivação ou elemento potencializador da violência, conforme destacado pela vítima em declaração na delegacia.

FOTO POR: PM/MT

A delegada titular da DEDM de Cuiabá, Jozirlethe Criveletto, explica que além da análise trazida pelo documento, que está na terceira edição, o objetivo também é dar transparência às atividades da unidade policial e contribuir com a pesquisa, avaliação das políticas públicas no enfrentamento à violência de gênero e reflexão por parte dos organismos que congregam as ações de defesa dos direitos da mulher. “A exemplo dos anos anteriores, essa é uma construção que abrange vários profissionais totalmente comprometidos e capacitados na temática, imbuídos em um propósito de colher o maior número de dados para uma compilação e análise com seriedade e qualidade, buscando oferecer um trabalho de referência aos profissionais de segurança pública e aos demais setores que possam eventualmente necessitar”.

Atendimentos crescem a cada ano

Em 2019, a Delegacia da Mulher realizou 3.022 procedimentos relacionados a vítimas femininas de violência doméstica e sexual. Esse número representa 4% a mais que os atendimentos do ano anterior, quando foram feitos 2.914 procedimentos. A delegada destaca que em cada procedimento pode haver mais de uma vítima feminina. O mês de novembro foi o período com mais procedimentos, chegando a 305.

O dia da semana com mais número de ocorrências é a quarta-feira, com 15,7%, o que representa 464 ocorrências registradas, seguido pela segunda-feira, com 15,1%.

O maior número dos casos atendidos foi registrado no período noturno, com 31,6%, ou 936 fatos ocorridos entre 18h e 23h59. Se somados às ocorrências da madrugada (8,9%), esse percentual alcança mais de 40% dos registros atendidos na delegacia.

FOTO POR: PM/MT

Naturezas criminais e motivação

O crime de ameaça continua sendo o de maior incidência entre as denúncias registradas na Delegacia da Mulher de Cuiabá, com 58,9%, seguido por injúria, que representa 54,4% e lesão corporal, com 16,5%.  

A partir do momento em que o descumprimento de medidas protetivas foi tipificado criminalmente, conforme a Lei 13.641/2018, que alterou dispositivos da Lei Maria da Penha, esse crime passou a figurar nas estatísticas e o fato deve ser comunicado pela vítima na Delegacia, quando um novo inquérito policial é instaurado e, imediatamente, comunicado ao juiz sobre a quebra da medida. “Em 2019 tivemos 41 descumprimentos de medidas e em muitos casos foi representada pela prisão do agressor”.

Já em relação à motivação dos crimes praticados, de acordo com o levantamento e os atendimentos realizados pela equipe da delegacia, não há elemento potencializador para a prática da violência, conforme indicam as vítimas em seus relatos.  Com a motivação “a apurar’, os crimes chegam ao percentual de 58%, seguido pela motivação ‘passional’, com 25,9%.

Para a delegada Jozirlethe, que há anos atua no atendimento a vítimas femininas e coordena a Câmara Temática de Defesa da Mulher da Sesp-MT, a maioria das vítimas não indica que tenha havido um fator potencializador para a prática da violência. “A cultura machista, os valores adquiridos, a educação e os costumes estão nesse conjunto de motivações a apurar. Dessa forma, percebemos que o machismo ainda é um fator principal considerado pela vítima, seguido de sentimentos como ciúmes, de posse, de pertencimento, que somam outros 25,9% das motivações nas ocorrências atendidas”.

O Anuário 2019 da DEDM de Cuiabá traz ainda um capítulo dedicado ao perfil das vítimas atendidas e outro para o perfil dos suspeitos, a partir de informações recebidas. O último capítulo do anuário é dedicado às informações sobre o pós-atendimento às vítimas.

“É imprescindível a existência de banco de dados, de pesquisas e análises estatísticas, com registros mais apurados a fim de que se permita melhor trabalhar as políticas públicas e garantir a eficácia do que já é prescrito em nossa Constituição Federal, o direito à vida e a liberdade”, pontua a delegada.

Colaboraram na elaboração do 3º Anuário, a equipe de Assistência Social da Delegacia da Mulher na coleta dos dados; o Observatório da Violência da Secretaria de Segurança Pública, com a construção dos gráficos e análise dos mesmos, e a Assessoria de Comunicação Social da Polícia Civil, na criação da arte, diagramação do trabalho e divulgação.

FOTO POR: PM/MT

COMENTE ABAIXO:
Propaganda
Clique para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe uma resposta

Mato Grosso

TJ anula votação secreta e manda AL reanalisar veto a reajuste de 6,8%

Publicados

em


O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) anulou a votação secreta realizada pela Assembleia Legislativa (ALMT) que manteve o veto do Governo do Estado ao projeto que prevê reajuste salarial de 6,8% para os servidores do Poder Judiciário. Com a decisão, os deputados terão de analisar novamente o veto, desta vez em uma votação aberta e nominal.

A decisão foi tomada pela Turma de Câmaras Cíveis Reunidas de Direito Público e Coletivo do TJMT após recurso apresentado pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat), que questionou a validade da votação realizada em dezembro de 2025.

O relator do processo, desembargador Márcio Vidal, destacou que o próprio Judiciário já havia reconhecido a inconstitucionalidade de dispositivos que permitiam o sigilo na apreciação de vetos. Para ele, não seria coerente manter uma votação baseada justamente em uma regra considerada inconstitucional.

“Não seria juridicamente coerente declarar inconstitucional a norma que autorizou o sigilo e, simultaneamente, preservar a votação realizada com fundamento direto nessa mesma disposição”, afirmou o magistrado.

A decisão, entretanto, não determina que o reajuste seja aprovado. O TJMT deixou claro que cabe à Assembleia decidir novamente se mantém ou derruba o veto do Executivo, apenas exigindo que o procedimento siga as regras constitucionais.

“Preserva-se a liberdade política da Assembleia Legislativa para deliberar acerca da manutenção ou da rejeição do veto governamental, sem que o Poder Judiciário interfira no conteúdo da decisão parlamentar”, destacou Vidal.

Na votação anulada, realizada em dezembro do ano passado, 12 deputados votaram pela manutenção do veto e 10 pela derrubada. Como a sessão ocorreu de forma secreta, não foi possível identificar como cada parlamentar se posicionou. Para derrubar o veto, eram necessários 13 votos.

O projeto havia sido aprovado anteriormente pela Assembleia e previa reajuste de 6,8% para os servidores do Judiciário. O então governador Mauro Mendes vetou integralmente a proposta, alegando que o aumento poderia provocar impacto nas contas públicas e gerar um efeito cascata sobre outras carreiras do funcionalismo.

Com a decisão do TJMT, a Assembleia deverá incluir novamente o veto na pauta e realizar uma votação pública, com registro nominal dos votos. O julgamento, portanto, não garante o reajuste aos servidores, mas reabre a discussão sobre a proposta e elimina o sigilo que marcou a primeira análise do veto.



COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTE

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA