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Taques articula reunião com Temer para retomada das obras da BR-242

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Mato Grosso

Da Redação

 

O governador Pedro Taques e o vice-governador Carlos Fávaro participaram de audiência Pública em prol da BR-242, em Nova Ubiratã (490 km ao Norte de Cuiabá). Para solucionar o problema e retomar a obra, Taques articulou uma reunião com o presidente da República, Michel Temer, que deve ocorrer na segunda semana de agosto. A audiência contou com a participação de mais de mil pessoas.

Durante a audiência pública, o governador Pedro Taques ligou para o ministro de Relações Institucionais do Governo Federal, Antônio Imbassahy, que marcou uma reunião para os dias 08 e 09 de agosto, com o presidente Michel Temer, para debater a retomada das obras entre Santiago do Norte e Querência. Segundo o ministro, a ideia do presidente é que as obras sejam liberadas.

“O Governo de Mato Grosso estará junto com todos pela conclusão da BR-242, contem conosco. Vamos trabalhar muito para que essa rodovia se torne uma realidade. Conversei com o presidente Temer e ele disse que vai nos atender, juntamente com os ministros dos Transportes e do Meio Ambiente, para que os problemas desta obra sejam resolvidos”, disse o governador.

Taques destacou que a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) tem feito licenciamento em tempo recorde e disse esperar a mesma agilidade do Governo Federal. “Não é possível que uma licença ambiental demore 10 anos para ser liberada”, ressaltou.

O governador também agradeceu a população local pelo apoio que tem dado ao Governo do Estado, como no caso da doação à Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), dos projetos de construção de rodovias na região. Lembrou, ainda, o compromisso de ligar Sete Placas e Santiago do Norte à MT-130.

O vice-governador e secretário de Estado de Meio Ambiente, Carlos Fávaro, destacou que a BR é fundamental para o desenvolvimento de Mato Grosso e colocou a Sema à disposição, caso as licenças ambientais sejam levadas ao Estado. “Se conseguirmos levar esse licenciamento para a Sema, seremos rápidos e em 60 dias ele estará pronto. Daí fica a cargo do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) dar a ordem de serviços e concluir essa obra”, afirmou.

O presidente da Frente Parlamentar da Agricultura, deputado federal Nilson Leitão, falou que as regiões Médio-Norte e Norte de Mato Grosso sofrem muito quando o assunto são obras estruturantes. “A BR-242 é tão importante para Mato Grosso e podemos comparar com o que foi a BR-163 há 30 anos atrás”, destacou o parlamentar.

O prefeito de Nova Ubiratã, Valtecir José dos Santos, frisou que a obra é de extrema importância para a região, porque colocará o Médio-Norte em um novo patamar de desenvolvimento.

O senador Cidinho Santos destacou que vai trabalhar com os outros dois senadores de Mato Grosso, fazendo as articulações necessárias em Brasília (DF), principalmente no Ministério dos Transportes, a fim de agilizar a questão.

O presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Neurilan Fraga, ressaltou a importância da conclusão da BR-242. Destacou a ligação e integração com os estados de Goiás e Tocantins. Além disso, falou sobre uma caravana pela região para debater a logística.

Prioridades

Representando o ministro dos Transportes, Maurício Quintela, o diretor do Dnit, Luiz Antônio Garcia, disse que a BR e as oito pontes que ainda faltam são prioridades do órgão e estão inseridas no programa Avançar, do Governo Federal, com prazo de conclusão em 2018. Segundo ele, os recursos estão disponíveis para a construção das pontes.

Também representando o Governo Federal, o secretário do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Neri Geller, disse que é importante a construção da rodovia para garantir o escoamento da safra. Para ele, é preciso andar em conjunto, fazendo um trabalho estratégico. “Vamos trabalhar duro para viabilizar a 242”, garantiu o representante do ministro Blairo Maggi.

O deputado estadual Sebastião Rezende agradeceu ao governador pela articulação junto à Presidência da República. “Não há como concluir essa rodovia sem o envolvimento do Governo Federal. Parabéns ao governador Pedro Taques por essa iniciativa”, disse.

Já o líder do Governo na Assembleia Legislativa (ALMT), deputado estadual Dilmar Dal Bosco, destacou que o Governo de Mato Grosso, por meio da Sinfra, vem trabalhando muito pelo BR-242, como a construção de ponte sobre o Rio Arinos e pavimentação e reconstrução dos trechos que precisam. O parlamentar garantiu apoio da Assembleia Legislativa ao projeto de ligação com a Bahia.

Também participaram da Audiência Pública os deputados estaduais Zeca Viana, Janaina Riva e José Domingos Fraga. O deputado federal Victório Galli também participou do encontro. Do Governo, participaram o secretário de Trabalho e Assistência Social, Max Russi, e o secretário-executivo da Sema, André Baby.

A rodovia

A BR-242 teve o primeiro projeto feito pelo Exército Brasileiro, e parte das licenças feitas pela Sema. A outra parte foi feita pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), porque fica em área próxima ao Xingu. O projeto e a revisão foram bancados pelo setor produtivo do estado, por meio do Movimento Pró-Logística. O principal problema está no trecho que liga o distrito de Santiago do Norte a Querência, por conta das licenças na Fundação Nacional do Índio (Funai) e no Ibama.

No estado de Mato Grosso, a BR passa por Brasnorte, Itanhangá, Ipiranga do Norte, Sorriso, Distrito de Caravagio, Nova Ubiratã, Distrito de Santiago do Norte, Gaúcha do Norte e Querência. A obra vai beneficiar o escoamento da produção de 30 municípios mato-grossenses.

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT



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