Mato Grosso
Projeto de lei para otimizar gerenciamento de medicações e insumos será apresentado à Câmara
Mato Grosso
Também será apresentado plano municipal de assistência farmacêutica que visa melhorar e dar perenidade à gestão desses produtos na rede municipal
Da Redação
A secretária municipal de Saúde, Ozenira Félix, informou aos vereadores membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura os medicamentos fora do prazo de validade encontrados no Centro de Distribuição de Medicamentos e Insumos de Cuiabá (CDMIC), que será apresentado à Câmara Municipal um projeto de lei com um plano municipal de assistência farmacêutica, o que visa melhorar e dar perenidade à gestão desses produtos na rede municipal.
De acordo com a titular da pasta, a ideia surgiu no âmbito da sindicância aberta por ela para apurar a situação dos medicamentos vencidos. “Fizemos dois trabalhos, uma equipe fez o levantamento do problema que existia e outra equipe trabalhou a questão da solução desse problema, mas não a custo prazo. Uma das coisas que os técnicos me apresentaram é a necessidade da gente estar melhorando a questão da política farmacêutica do Município. Ela é regida por portarias internas e nós observamos que as diretrizes gerais precisam estar em legislação. Não pode ser política de governo, tem que ter continuidade”, afirmou Ozenira, na manhã de quarta-feira (12), quando recepcionou os membros da CPI na fiscalização que realizaram no CDMIC.
Na ocasião, a gestora reforçou que a postura da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) diante da CPI será de “total transparência”. “O CDMIC está aberto. Vamos estar disponibilizando toda a documentação, nossa contribuição vai ser total porque há interesse nosso em buscar a solução. Muitas vezes, a gente não consegue enxergar tudo porque está na rotina. Mas quem está de fora vê mais, eu acho que vai ser uma grande contribuição”, disse, complementando que toda a documentação também será encaminhada ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) e ao Ministério Público do Estado (MPE-MT).
A fiscalização in loco foi realizada pelos vereadores Lilo Pinheiro (presidente da CPI), Marcus Brito Jr (relator), Tenente Coronel Paccola (membro titular) e Dr Luís Fernando (membro suplente). Eles foram acompanhados pelo coordenador técnico de Logística do CDMIC, Orivaldo da Farmácia e pelo coordenador de Logística da empresa contratada Norge Pharma, Gustavo Henrique Matos, em todos os setores da Central, passando pelas alas de recebimento e conferência de produtos, etiquetagem, estoque, separação e expedição, além do setor administrativo. Os detalhes do funcionamento de cada setor foi explicado e as duvidas foram sanadas pelos técnicos.
O presidente da comissão parlamentar de inquérito, vereador Lilo Pinheiro afirmou que a vistoria atendeu à expectativa de receber a colaboração da Secretaria. “Foi o inicio dos trabalhos e, por sugestão dos vereadores membros, começamos onde os fatos foram constatados. Os medicamentos estão aí, isso a gente pode afiançar. Vamos começar a desenvolver os trabalhos da comissão parlamentar de inquérito. Uma ideia que surgiu é fazer a requisição das notas fiscais e fazer o cruzamento de dados com os medicamentos que estão aí, quando chegou, ver o fato que impediu o encaminhamento às unidades de saúde”, explicou.
O presidente destacou ainda que o foco da investigação será apontar a responsabilidade, mas também propor soluções. “A gente vai agir de forma bastante serena, bastante focada no resultado, demonstrar responsabilidade onde aconteceu o equívoco, mas também agir de forma construtiva para evitar que uma coisa como essa possa acontecer novamente”.
Para o relator da CPI, vereador Marcus Brito Jr, a ideia é trabalhar com isonomia entre os parlamentares e de forma técnica. “A expectativa é trazer total transparência. Vamos fazer a relatoria de forma conjunta para que traga mais veracidade e transparência para o trabalho. Seremos acompanhados da parte técnica, já fizemos a convocação de especialistas e vamos trabalhar para trazer uma resposta para a sociedade”, afirmou.
O vereador Tenente Coronel Paccola, membro titular da CPI e um dos denunciantes do fato, afirmou que, diferentemente do que se temia, não houve alteração do cenário encontrado por ele no dia em que fez a denúncia. “Os medicamentos vencidos continuam isolados no mesmo local que estava quando nós viemos. Essa movimentação foi para essa conferência do sistema com o físico, por conta da Controladoria, que está fazendo a relação de cada medicamento”, constatou.
O presidente da Comissão de Saúde da Câmara e membro suplente da CPI, vereador Dr Luís Fernando, destacou que “esse é um problema sério, que já acontece há muitos anos” e que vai “estar acompanhando de perto para poder ajudar os demais colegas, auxiliar a gestão porque a população implora e pede por transparência”.
O coordenador técnico de Logística do CDMIC, Orivaldo da Farmácia, garantiu que toda a Secretaria está à inteira disposição para colaborar com o trabalho dos parlamentares. “Estamos de portas abertas a todos os vereadores e nós queremos colaborar com essa investigação, porque ela tem que acontecer. A função do vereador é fiscalizar e a Prefeitura também quer buscar soluções. O ano de 2020 foi um ano totalmente atípico, houve a suspensão dos atendimentos nas unidades de saúde, mas com certeza, estamos trabalhando para esses medicamentos chegarem na ponta”, destacou.
Mato Grosso
TJ anula votação secreta e manda AL reanalisar veto a reajuste de 6,8%
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) anulou a votação secreta realizada pela Assembleia Legislativa (ALMT) que manteve o veto do Governo do Estado ao projeto que prevê reajuste salarial de 6,8% para os servidores do Poder Judiciário. Com a decisão, os deputados terão de analisar novamente o veto, desta vez em uma votação aberta e nominal.
A decisão foi tomada pela Turma de Câmaras Cíveis Reunidas de Direito Público e Coletivo do TJMT após recurso apresentado pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat), que questionou a validade da votação realizada em dezembro de 2025.
O relator do processo, desembargador Márcio Vidal, destacou que o próprio Judiciário já havia reconhecido a inconstitucionalidade de dispositivos que permitiam o sigilo na apreciação de vetos. Para ele, não seria coerente manter uma votação baseada justamente em uma regra considerada inconstitucional.
“Não seria juridicamente coerente declarar inconstitucional a norma que autorizou o sigilo e, simultaneamente, preservar a votação realizada com fundamento direto nessa mesma disposição”, afirmou o magistrado.
A decisão, entretanto, não determina que o reajuste seja aprovado. O TJMT deixou claro que cabe à Assembleia decidir novamente se mantém ou derruba o veto do Executivo, apenas exigindo que o procedimento siga as regras constitucionais.
“Preserva-se a liberdade política da Assembleia Legislativa para deliberar acerca da manutenção ou da rejeição do veto governamental, sem que o Poder Judiciário interfira no conteúdo da decisão parlamentar”, destacou Vidal.
Na votação anulada, realizada em dezembro do ano passado, 12 deputados votaram pela manutenção do veto e 10 pela derrubada. Como a sessão ocorreu de forma secreta, não foi possível identificar como cada parlamentar se posicionou. Para derrubar o veto, eram necessários 13 votos.
O projeto havia sido aprovado anteriormente pela Assembleia e previa reajuste de 6,8% para os servidores do Judiciário. O então governador Mauro Mendes vetou integralmente a proposta, alegando que o aumento poderia provocar impacto nas contas públicas e gerar um efeito cascata sobre outras carreiras do funcionalismo.
Com a decisão do TJMT, a Assembleia deverá incluir novamente o veto na pauta e realizar uma votação pública, com registro nominal dos votos. O julgamento, portanto, não garante o reajuste aos servidores, mas reabre a discussão sobre a proposta e elimina o sigilo que marcou a primeira análise do veto.
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