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Presidente da Confederação Brasileira de Atletismo estará presente na abertura do Centro Olímpico de Treinamento da UFMT

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Da Redação

Na tarde da próxima terça-feira (28), às 18:30h, em Cuiabá, acontecerá a cerimônia de inauguração do Centro Olímpico de Treinamento da Universidade Federal de Mato Grosso (COT UFMT). O evento contará com a presença do presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAT), Warlindo Carneiro Filho.

À frente da Confederação desde 2017, o professor Warlindo, mestre em Ciências do Desporto, Exercício e Saúde pela Universidade do Porto, em Portugal, possui um histórico profissional dedicado ao ensino, com forte atuação no atletismo de alto rendimento.

Confira a entrevista:

O que significa para o atletismo brasileiro, um novo complexo esportivo de padrão internacional na região central do Brasil?

Warlindo – Significa um sonho realizado, resultado de vários anos de luta. Mostra que o atletismo brasileiro ocorre em todas as regiões do país. Temos pistas em Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, Tocantins… Mês que vem inauguraremos ainda em Mato Grosso do Sul. A alegria que experimento agora não tem dimensão, me sinto muito feliz e realizado quando penso na possibilidade de poder levar os Campeonatos Brasileiros e até Sul-Americano para Cuiabá, uma capital com público entusiasmado e que gosta muito de atletismo.

Falando nisso, os atletas mato-grossenses têm resultados bem relevantes no atletismo nacional, correto?

Sim! Mato Grosso é uma das grandes potências brasileiras nas categorias de base, com atletas de várias cidades trabalhando muito sério, colecionando resultados importantes e histórias de sucesso: Sorriso, Barra de Garças, Cuiabá, Tangará da Serra, Araputanga, Várzea Grande. Com conquistas e participações importantes em olimpíadas, campeonatos sul-americanos… Só para citar a mais recente conquista de Mato Grosso, Sivirino Souza dos Santos, de Barra do Garças, foi treinador-chefe da delegação brasileira para o sul-americano de Cross Country, no Equador, ano passado, e campeão da Copa Brasil de Cross Country, em 2020.

Diante de resultados tão importantes e com um centro de treinamento novinho, quais as chances de um Campeonato Brasileiro de Atletismo sediado em Cuiabá?

As chances são grandes, só depende do apoio das autoridades e patrocinadores privados.

Fale um pouco sobre a atual fase do atletismo brasileiro…

Estamos numa boa fase do atletismo brasileiro. Vivendo agora um momento sem igual no esporte. O mais importante é que temos bons parceiros, clubes e prefeituras investindo no atletismo. O trabalho dos professores de educação física nas escolas é muito importante também.

E como se dá essa relação entre a escola e o atletismo?

Muitas escolas trabalham o atletismo nas aulas de educação física, graças ao programa do EaD (Ensino a Distância) de atletismo na escola. O habitat correto da criança é a escola, então é lá que temos que investir esforços.  Mato Grosso tem muito forte, o atletismo nas escolas, isso é fundamental. Assim, sempre vamos ter garotos sendo revelados, nossos futuros campeões.

Fotos: Marcos Vergueiro

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Quando perder músculo também ameaça o cérebro

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Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.

Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.

Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.

Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.

O que a ciência mostra :

 

Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.

Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.

Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.

Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.

Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?

 

Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.

Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.

O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.

Por que o músculo influencia a saúde cerebral?

A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.

A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.

Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.

Como enfrentar cientificamente esse problema ?

 

O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.

O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.

A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.

Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.

Envelhecer bem ,exige preservar força

A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.

Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.

Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.

 

Saúde não é sorte. É rotina.

Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308
Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.

Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.



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